01/01/2026
Não consigo acreditar até hoje — e o mais impressionante é que muita gente escuta essa história e age como se nada tivesse acontecido.
Em 1965, um grupo de adolescentes de Tonga — com idades entre 13 e 16 anos — decidiu roubar um pequeno barco de pesca para velejar por algumas horas. Pegaram comida de casa, alguns litros de água e partiram para o que acharam que seria uma aventura breve.
A realidade foi outra.
Depois de algumas horas no mar, eles adormeceram. Enquanto dormiam, uma tempestade violenta atingiu o barco, quebrando o mastro e destruindo o leme. Quando acordaram, estavam completamente à deriva, sem controle e sem saber para onde estavam sendo levados.
Por dias vagaram no oceano, queimados pelo sol, racionando a pouca água que tinham. Até que, finalmente, avistaram terra: uma ilha desabitada chamada ‘Ata — um rochedo isolado no Pacífico, abandonado desde o século XIX.
Ali começou uma das mais impressionantes histórias reais de sobrevivência e cooperação.
Os garotos aprenderam a extrair água dos cocos, pescar com técnicas improvisadas e até acender fogo esfregando pedaços de madeira — algo que levaria meses até finalmente conseguirem. Quando escalaram um penhasco, encontraram ruínas de um antigo assentamento polinésio, que lhes deu abrigo e materiais para continuar.
Organizaram-se como uma pequena comunidade:
– criaram regras;
– dividiram tarefas em duplas;
– cuidavam uns dos outros;
– construíram um jardim;
– cavaram troncos para captar água da chuva;
– improvisaram pesos para treinar;
– fizeram uma quadra de badminton;
– mantiveram uma fogueira acesa constantemente.
E sobreviveram assim por 1 ano e 3 meses.
Em setembro de 1966, o capitão australiano Peter Warner avistou uma coluna de fumaça e decidiu investigar. Ele encontrou os meninos — magros, mas saudáveis — vivendo como uma pequena sociedade organizada.
Em suas memórias, Warner escreveu:
> “As crianças estabeleceram uma pequena comuna com uma horta, troncos de árvores escavados para armazenar água da chuva, uma academia com pesos, uma quadra de badminton, galinheiros e uma fogueira permanente.”
Ao retornar a Tonga, os meninos foram presos imediatamente — afinal, tinham roubado o barco. Warner pagou a fiança e negociou com o dono da embarcação: ele arcaria com os direitos de um documentário sobre a história, desde que o homem retirasse as acusações.
Assim, ficaram livres.
O que esses garotos viveram ficou conhecido como “O Caso Real de Senhor das Moscas”, mas ao contrário do livro — onde tudo termina em violência —, na vida real eles provaram que cooperação, disciplina e amizade podem manter um grupo vivo mesmo nas situações mais extremas.
Uma história extraordinária de sobrevivência, união e resiliência no coração do Pacífico.