08/10/2025
"O psicossomático não alcançou o lugar do simbólico" refere-se à ideia de que os fenômenos psicossomáticos (doenças de origem psicológica que se manifestam no corpo) são caracterizados pela ausência ou pelo isolamento da capacidade de simbolizar as experiências emocionais.
Isso signif**a que, em vez de elaborar e dar sentido a essas vivências através da linguagem e da representação, o sujeito as "tranca" no corpo, gerando um enigma ilegível e um processo de adoecimento que não encontra uma elaboração psíquica. Segundo Lacan, a psicossomática é da ordem do escrito, algo nos é dado como enigma, mas somos impossibilitados de lê-lo, "Há algo para ler ante o qual, frequentemente boiamos".
Ainda assim, haveria ali algo da ordem de uma assinatura, ou seja, algo que é específico da história do sujeito, mas que se apresenta como uma escrita mais próxima do real do que do simbólico.
Não obstante, o que fenômeno psicossomático nos apresenta é que nem todo o escrito se converte em uma narrativa, há um tanto dessa escrita de traços que não produz sentido e f**a preso ao gozo.
Nessa clínica, depara-se com uma escritura que remete a um gozo da letra que diz respeito ao registro da linguagem, mas que, paradoxalmente, não lhe pertence.
O trabalho do analista, nesses casos, consistirá em possibilitar que o enigma no corpo do paciente acometido pela afecção psicossomática seja decifrado, sendo necessário que o sujeito construa um sintoma analítico, dado que só se vale de uma resposta, que é a sua doença (p. 79).
*O corpo é uma substância gozante e sobre ele nada podemos falar, já que não há palavra que o represente* (Lacan, 1972-73/2008).
Psicoterapia 🦋
Porque saúde mental importa rocha.psi