31/07/2018
O CORPO DO TERAPEUTA
Você já se perguntou qual o papel desempenhado pelo corpo do terapeuta em um processo de terapia?
É pelo corpo que nos colocamos em contato com o outro em uma terapia. Isso é válido tanto para uma terapia presencial quanto para uma terapia à distância.
É pelo corpo que recebo o cliente na sala de espera e o convido para entrar. Dependendo da relação que tenho com ele, é com o corpo que o cumprimento com um sorriso, um aperto de mão, um abraço, um beijo ou mesmo um pequeno tapinha nas costas.
Ao atendê-lo, como me coloco?
Em um modelo psicanalítico mais ortodoxo, o terapeuta se abstinha intencionalmente de se mostrar para o paciente, no intuito de favorecer a associação livre.
Em uma perspectiva humanista, fenomenológica , existencial e gestáltica, o contato direto, frente a frente entre terapeuta e cliente se torna uma necessidade.
Isso porque grande parte da terapia envolve o resgate do encontro genuinamente humano entre terapeuta e cliente. Neste encontro, olhar e ser visto, num reconhecimento mútuo, faz parte do processo terapêutico.
Além disso, é pela linguagem corporal, muito mais do que pela linguagem falada que nos comunicamos. Muitas vezes as palavras dizem algo, mas o corpo desmente. Isso é válido tanto para o terapeuta quanto para o cliente.
Alguns estudos sobre empatia, apontam que em torno 90% da nossa capacidade de compreender o outro se dá em um nível corporal, ou seja, é pelos sinais dados pelo corpo que sou capaz de compreender o significado do que o outro está falando e vivendo.
Além disso é pelo corpo que expresso o meu interesse pelo que o outro está dizendo. E é esta comunicação implícita no meu olhar, gestual e comportamento que possibilita ao cliente confiar que estou realmente compreendendo sua história e seus desafios, sem julgar ou avaliar.
Outro ponto importante: é pela presença física que comunico meu acolhimento. Neste quesito é importante outro cuidado: qual a distância adequada que transmite segurança e acolhimento?
Dependendo do momento, uma proximidade pode comunicar invasão, um distanciamento pode comunicar abandono. Encontrar a distância ótima a cada momento é o grande desafio.
O que podemos compreender disso é que, muito mais do que ter um corpo, nós somos um corpo e é através dele que nos colocamos no mundo e comunicamos nossas intenções. Num processo terapêutico não poderia ser diferente.
Luis Maciel
Psicólogo, Psicoterapeuta
Facilitador de Grupos e de CNV
Professor, Supervisor e Palestrante