22/12/2025
Os sonhos falam uma língua antiga.
Uma língua que não se organiza em frases diretas,
mas em imagens que se movem,
em símbolos que surgem como lampejos da alma.
Na Psicologia Analítica, sonhar
é tocar aquilo que vive abaixo da superfície.
É entrar em diálogo com o que somos
e com o que, silenciosamente,
ainda estamos nos tornando.
Jung dizia que cada sonho
é um autorretrato simbólico da psique.
Não um retrato literal,
mas uma pintura feita de afetos,
memórias
e possibilidades que ainda não chegaram à consciência.
O inconsciente não explica.
Ele mostra.
Ele desenha.
Ele fala por símbolos,
porque o símbolo guarda mais do que uma definição:
carrega mistério, paradoxo e movimento.
Quando um sonho chega,
ele não pede decifração apressada.
Pede presença.
Pede escuta.
Como uma cena que, às vezes, é suave;
outras vezes, desconcertante,
mas sempre aponta para algo que precisa ser visto.
Pode ser um medo evitado,
uma força esquecida,
um conflito que insiste,
um desejo que pede acolhimento,
ou um caminho de transformação
que ainda não ousamos trilhar.
Cada imagem onírica traz um convite:
integrar partes de nós que estavam dispersas,
iluminar regiões internas sombreadas
e nos aproximar do processo de individuação —
esse movimento profundo
de tornar-se quem se é.
Mas a linguagem dos sonhos
nem sempre é fácil de sustentar sozinho.
Ela pode confundir, inquietar, assustar.
Por isso, no processo analítico,
a presença do psicoterapeuta é essencial.
Ele não traduz o sonho por nós.
Ele caminha conosco dentro dele,
criando um espaço seguro
para que o símbolo encontre palavra
e o inconsciente dialogue com a consciência
sem ser silenciado.
Trabalhar com sonhos
é, antes de tudo, um trabalho de escuta.
Escuta das imagens.
Escuta de si.
Quando há presença e acompanhamento,
os sonhos deixam de ser enigmas
e se tornam mapas:
mapas internos que indicam
o que precisa nascer, amadurecer
ou ser transformado em nós.
Porque sonhar é humano.
Mas sonhar com consciência,
apoio e olhar analítico,
é um caminho profundo
de construção de si.