05/04/2026
Se eu te contar que, até pouco tempo atrás, eu vivia em um frenesi silencioso…
correndo contra o tempo, contra mim mesma, contra um vazio que eu nem sabia nomear.
Trabalhava sem pausa, como quem tenta alcançar algo que nunca chega —
movida por um medo sutil, mas constante, de que algo faltasse.
Na terapia, fui desvendando…
não era sobre o agora.
Eram ecos de ausências antigas, espaços não preenchidos lá atrás,
que eu insistia em tentar completar aqui.
Mas, quanto mais eu buscava me preencher, mais eu me perdia.
Fui me esgotando… por dentro e por fora.
Ansiedade, cansaço, excesso —
e um transbordar que tocava tudo ao meu redor.
Até que, um dia, o mar me chamou.
E eu fui.
No ritmo das ondas, encontrei o que nunca havia encontrado na pressa:
presença.
Silêncio.
Inteireza.
O mar me ensinou a pausar sem culpa,
a respirar sem urgência,
a existir sem precisar provar nada.
Ali, diante do infinito, entendi:
não faltava nada.
Eu só não estava.
O mar — esse sagrado em movimento —
acalmou minha alma apressada
e me devolveu a beleza das pequenas coisas,
dessas que a gente só enxerga quando desacelera.
A-mar…
que no nome já carrega o amor.
Obrigada por me acolher,
por me atravessar,
por me ensinar a viver —
um dia de cada vez,
como se fosse o primeiro.