22/01/2026
💘 Ser útil o tempo todo para alguém é exaustivo. Saber fazer coisas é bom, claro, mas a utilidade é um chão escorregadio… muitas vezes a gente confunde afeto com conveniência. Achamos que o outro gosta de nós, quando na verdade ele gosta do que entregamos.
A velhice desmonta essa ilusão. Quando a utilidade vai embora, sobra aquilo que realmente somos. E aí acontece uma espécie de depuração: f**a evidente quem permanece por amor, não por utilidade.
Amar de verdade é isso, f**ar depois que o “servir” acaba. Só ama quem atravessa o fim da utilidade e reconhece o valor que continua ali. Por isso deseje envelhecer cercado de pessoas que te amem assim, que te deem a paz de não precisar ser funcional o tempo todo, sem que isso diminua quem você é.
Queira gente por perto que saiba acolher sua eventual inutilidade. Pessoas capazes de olhar para você e entender que, mesmo sem render, continua valendo. Porque a vida entrega essa prova sem aviso. Quer saber se alguém te ama? Observe se essa pessoa suportaria sua inutilidade sem vontade de te descartar. Quer saber se você ama alguém? Veja quem poderia deixar de “servir” e ainda assim teria lugar garantido no seu coração.
O amor se revela aí. Só ele sustenta o cuidado até o fim. Feliz de quem, no último momento da vida, recebe esse olhar franco e escuta, com ternura e verdade: “você não serve pra nada, mas eu não sei viver sem você”. - Fábio de Melo