04/02/2026
O estresse não é apenas um excesso de tarefas ou de pressões externas. Ele se instala quando o sujeito é convocado repetidamente a responder a demandas que ultrapassam sua capacidade simbólica de elaboração.
Na perspectiva da psicanálise, o corpo não é um simples organismo biológico. Ele é também um corpo atravessado pela linguagem, pela história e pelos afetos. Aquilo que não encontra palavra, limite ou escuta tende a se inscrever no corpo sob a forma de tensão, fadiga, dores, insônia ou sintomas difusos.
O acúmulo de estresse surge, muitas vezes, quando o sujeito sustenta por tempo prolongado uma posição de exigência, adaptação ou silenciamento de si. O corpo passa então a funcionar como lugar de descarga do que não pôde ser simbolizado. Não se trata de fraqueza, mas de um modo de expressão quando o psiquismo já não consegue conter.
A psicanálise compreende esse processo como um sinal. O sintoma corporal convoca o sujeito a interromper, a escutar o que vem sendo excessivo, a recolocar limites e a reconhecer o próprio desejo.
O trabalho analítico oferece um espaço onde aquilo que pesa no corpo pode, pouco a pouco, ganhar palavra, sentido e destino diferente.
Cuidar do estresse, nessa lógica, não é apenas relaxar o corpo, mas permitir que a experiência seja elaborada, que o sujeito deixe de carregar sozinho aquilo que nunca deveria ter sido sustentado em silêncio.