31/01/2023
Afirmação dura, né? Porém, como dizem: A fruta nunca cai muito longe do pé!
Entendam que não estamos falando de culpa ou fazendo juízo moral. A questão é apontar uma patologização de todo fenômeno psicológico, ao passo de uma exclusão cada vez maior da responsabilidade dos pais na criação de seus filhos, assim como os impactos das questões sociais na constituição desses pequenos sujeitos
Se o menino é agitado, ele é "imperativo"
Se tem dificuldades na escola, é disléxico
Se é respondão, tem TOD (prefiro Nescau, rs)
E por aí vai. Num discurso que exclui qualquer dimensão subjetiva.
É como se essas "doenças" psicológicas fossem contraídas tal qual uma gripe
Diagnósticos que, na maior parte das vezes, só servem para mascarar a realidade
Necessidades básicas não atendidas, pais que brigam e se agridem diariamente, exposição à pornografia, violências físicas e psicológicas, abusos...
Isso sem falar dos excessos que, ironicamente, podem ser também altamente danosos!
E DA-LHE MEDICAÇÃO! E tá tudo resolvido!
SÓ QUE NÃO!
Essa modalidade de tratar a criança como mero doente, não cura e, pelo contrário: É mais passível de cronif**ar o problema
Essa sim é uma afirmação dura!
Mas e a parte de que a criança é o sintoma dos pais?
O ser humano, de saída, nada é, tudo se torna - inclusive humano.
Somos fruto do contato com o outro. É através do desejo de outrem (ou de sua falta) que, de uma forma ou de outra, nos tornamos sujeitos
Uma criança que foi rejeitada, de alguma forma, carregará isso. Assim como a que foi concebida para salvar um casamento, ou após a perda de um ente querido
São só exemplos
Quantas vezes recebemos crianças para atendimento e verif**amos que a demanda é toda dos pais e não delas?
Esses pequenos nos chegam como um pedido de ajuda por parte destas famílias
Seu sintoma é uma mensagem codif**ada sobre as dificuldades presentes e pregressas desses pais
A dificuldade no aprendizado, aquela dor na barriga na hora de ir pra escola, o xixi na cama, o medo excessivo, ou a tão famosa agitação
Tudo isso vem como representante de outra coisa
O fato é que o sintoma da criança diz muito mais sobre seu meio do que sobre ela própria...