28/07/2017
O assunto hoje é depressão, doença que afeta várias pessoas, inclusive muitos profissionais de saúde. Veja as principais características da doença, principais sintomas e quando suspeitar de um quadro depressivo. Texto: dr Lauro Guirlanda, Psiquiatra
"A depressão na contemporaneidade
A depressão afeta em torno de 350 milhões de pessoas no mundo segundo dados mais conservadores e já é a segunda doença que mais provoca incapacidade, em termos de anos vividos com incapacidade. Há a perspectiva de que seja, já nos próximos 15 anos, a doença mais comum do mundo e “será também a doença que mais gerará custos econômicos e sociais para os governos, devido aos gastos com tratamento para a população e às perdas de produção”. (BBC BRASIL)
Além disso, existem diversas evidências na literatura, através de estudos retrospectivos e longitudinais, de que os quadros depressivos estão bem mais comuns nas pessoas mais jovens, e isso tem aumentado a cada geração. Isso leva à conclusão alarmante que estamos de fato no meio de uma epidemia de depressão!
Quais são os sintomas iniciais da depressão? Geralmente, cansaço e insônia no fim da noite. Depois de alguns meses, os sintomas mais centrais aparecem: tristeza, choro fácil, desânimo, perda de prazer nas atividades de que a pessoa gostava, ansiedade, aumento ou perda de apetite, perda de interesse nas pessoas, ideias de morrer ou de acabar com a própria vida. Esses sintomas causam sofrimento signif**ativo à pessoa e interferem no seu trabalho e nos seus relacionamentos pessoais.
Buscar ajuda psiquiátrica e psicológica nessas situações é importante. Quanto mais tempo se demora a tratar uma pessoa com depressão, mais grave a doença f**a, e o tratamento vai se tornando mais difícil. Os medicamentos combinados com psicoterapia cognitivo-comportamental e atividade física são os tratamentos que mais funcionam. Em casos leves a moderados, somente a psicoterapia cognitivo-comportamental pode funcionar, mas de forma geral a combinação da medicação com psicoterapia obtém melhores resultados.
Para uma pessoa com depressão, é fundamental que as pessoas próximas entendam que é uma doença, com alterações na neuroquímica cerebral: a pessoa não está com preguiça, má vontade ou querendo só chamar a atenção. Não adianta dizer que a pessoa tem que levantar da cama que ela vai melhorar. Afinal ninguém diz para um diabético que ele precisa ter força de vontade que a diabetes vai melhorar, isso seria desumano."
dr. Lauro Guirlanda
psiquiatra
dr Lauro Guirlanda é psiquiatra graduado pela UFMG, possui título de especialista pela Sociedade Brasileira de Psiquiatria, é mestre em Ciências da Religião pela PUC-Minas - Investigação das relações entre religiosidade e depressão.