25/09/2023
Freud passou sua vida em Viena. Em 1938 refugiou-se em Londres, por causa da perseguição nazista aos judeus.
Freud tinha câncer bucal e morreu em 1939, em Londres, onde se exilara fugindo do nazismo de Adolf Hi**er. As biografias dizem que o câncer matou o criador da psicanálise. De fato, estava muito mal. Mas, segundo Peter Gay, Freud convenceu seu médico, Max Schur, com anuência de sua filha Anna Freud, a ministrar-lhe uma dose maior de morfina para que morresse. Não suportava mais o sofrimento duplo: para si e para os parentes mais próximos. Sua morte teria sido, portanto, uma eutanásia — ou, quem sabe, uma espécie de suicídio assistido.
Mas claro que “Freud — Uma Vida Para o Nosso Tempo” não é importante só por mostrar como morreu o cientista-pesquisador que ajudou a compreender — ao menos um pouco mais — o homem. Peter Gay faz uma síntese precisa da psicanálise, de sua criação e avanços, e mostra como Freud se tornou, digamos, Freud.
A morte é a indelével certeza da condição humana, embora quase sempre recalcada, constituindo intrínseca peculiaridade do Homo sapiens sapiens, o único vivente que tem a consciência da sua própria finitude (Freud, 1974). Sob uma perspectiva mais abrangente, seria diante da morte que o ser humano, tão ávido na busca de certezas, poderia amainar o seu desconforto e sua perplexidade diante de um real com possibilidades tão remotas de verdade (Detienne, 1988; Siqueira-Batista, 2003) afinal, o êxito letal é a última e incontornável fronteira, geralmente pensada em relação ao outro e quase nunca em relação a si (Hegel, 1992).
O termo eutanásia é oriundo do grego, tendo por significado boa morte ou morte digna. Foi usado pela primeira vez pelo historiador latino Suetônio, no século II d.C., ao descrever a morte "suave" do imperador Augusto: A morte que o destino lhe concedeu foi suave, tal qual sempre desejara: pois todas as vezes que ouvia dizer que alguém morrera rápido e sem dor, desejava para si e para os seus igual eutanásia (conforme a palavra que costumava empregar) (Suetônio, 2002).
Séculos depois, Francis Bacon, em 1623, utilizou eutanásia em sua Historia vita e et mortis, como sendo o "tratamento adequado ...segue comentá