15/12/2025
Certa vez me emocionei muito e chorei diante de um pai que, repetidamente, colocava sua filha pra baixo e não validava seus esforços.
A emoção veio no momento em que tentei ajudá-lo a enxergar o valor daquela menina e toda a potência que ela carregava.
Depois disso, me senti mal por ter deixado a emoção transbordar.
Fiquei sem lugar. Senti medo de ter feito algo errado, de ter atrapalhado o processo e uma forte sensação de que aquela atitude poderia me fazer perder minha autoridade profissional.
Mas, quando consegui atravessar essa ansiedade inicial, lembrei que trabalho a partir de uma abordagem da psicologia que defende justamente isso:
que o jeito de ser do profissional e a relação construída com o cliente são os principais facilitadores do processo terapêutico.
Na Abordagem Centrada na Pessoa, a qualidade da presença do psicólogo oferece ao cliente um tipo de relação que muitas pessoas nunca tiveram.
Uma relação em que ele não é julgado por ser quem é, em que seu jeito de ser é aceito sem imposições e onde ele não é invadido, apressado ou controlado.
Quando o profissional também se apresenta como é, a pessoa do cliente se sente mais à vontade para arriscar ser ela mesma.
E pode compreender, aos poucos, que não precisa agradar, corresponder a expectativas ou se defender o tempo todo.
Como profissional, não tenho a intenção de bancar uma determinada postura, de esconder minhas emoções ou a forma como sou afetada pelo que é compartilhado comigo.
Nem quero saber mais do meu cliente do que ele mesmo, nem estar à sua frente.
Eu me disponho, de corpo, alma e coração, a estar com ele: em cada palavra, cada lágrima, cada suspiro que pede tempo para processar o que foi vivido.
Acho que escolhi a abordagem certa…❤️
Ps: frase linda do .behn, num vídeo super sensível que ele fez em homenagem aos psicólogos, no dia 27 de agosto.