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Tempo de Travessia“Há um tempo em que é precisoabandonar as roupas usadasQue já tem a forma do nosso corpoE esquecer os ...
10/07/2020

Tempo de Travessia

“Há um tempo em que é preciso
abandonar as roupas usadas
Que já tem a forma do nosso corpo
E esquecer os nossos caminhos que
nos levam sempre aos mesmos lugares
É o tempo da travessia
E se não ousarmos fazê-la
Teremos f**ado para sempre
À margem de nós mesmos” (Fernando Pessoa)

Preguiça, insegurança, ansiedade, desconfiança, irritabilidade, decepções, frustações, insônia, dificuldade de concentração, indecisão,
intolerância, desinteresse, desânimo, raiva, desilusão, nervos à flor da pele, cansaço... Esta lista ainda cresce quando me escuto e escuto a tantos sobre como estamos afetados no contexto que enfrentamos. Da criança ao idoso, temos experimentado dias estranhos e estes "convidados" do tipo "penetras" tem chegado em bando. Eles são nossos conhecidos ao longo de uma vida. Numa possibilidade de saúde física, mental e social, estes sentimentos e emoções estão bem administrados e somos capazes de acionarmos nossos recursos, adquiridos através de nossas diversas experiências, de maneira a nos reequilibrarmos em um tempo esperado e minimizando maiores prejuízos. Nesta pandemia, estas reações emocionais, estão mais presentes. Elas aparecem como efeitos psicológicos à mudança imediata da rotina e restrição da mobilidade frente a quarentena. Com o amadurecimento, passamos a aceitar (talvez) que mudanças ocorrem na nossa vida constantemente e alteram nossas relações com o mundo. Certamente, temos uma facilidade com as mudanças que são voluntárias, podendo ocorrer com planejamento e elaboração, nos impactando de maneira "controlada". Porém, há as que nos exigem muito mais, àquelas outras, as involuntárias, que nos provocam lidar com o inesperado e aprender com o que muitas vezes, foge totalmente do nosso controle. Estamos diante, talvez, do momento mais inédito e que portanto, jamais poderíamos imaginar para a nossa história. Sim, uma pandemia é algo tão do Real que não era imaginarizável e então, ainda nos falta e faltará simbólico para darmos conta de tudo isso que é e será... Estamos diante da necessidade da construção de novos sentidos; mas nos sentimos tão suspensos! Como dar conta de aceitar o chão e esse caminho? Então, resta-nos seguirmos assim, recorrendo aos nossos já conhecidos recursos... Sim! Está difícil sermos entusiasmados, criativos, produtivos, sempre compreensivos, cheios de garra e competência enfrentando este contexto que, fatalmente, nos entrega à vulnerabilidade, ao medo, ao imprevisível... O que tem me salvado a cada dia, foi ser acolhida e amada e acolher e amar em todos, todos os dias. O amor salva mesmo... Mas, desde que tudo isso começou, algumas aptidões humanas se tornaram muito mais essenciais, devendo ser trabalhadas e priorizadas para atravessarmos esse período de transição. Das que já me acompanham desde o bom dia, está o altruísmo. Este sentimento reforça nossa percepção sobre os efeitos benéficos da quarentena sobre o próximo vulnerável e nos ajuda a sentirmos mais tolerância aos estressores relacionados às restrições, reduzindo os efeitos negativos psicológicos e aumentando a nossa adesão às medidas recomendadas. Conseguir acionar e aumentar a minha capacidade de ser mais altruísta, me permite mais sentimentos positivos e então, consigo ser mais resiliente, presente, esforçada, empática, disponível, criativa, disposta, cuidadosa, desejosa, tolerante, flexível (dentro de mim e da minha casa... rsrsrs). É como tenho feito essa travessia... Atravessaremos...
Daniela Silveira - Psicóloga Clínica
@ Belo Horizonte, Brazil

Nas últimas semanas, após assistir as várias cenas públicas e algumas mais na vida privada sobre o uso do que para mim t...
04/06/2020

Nas últimas semanas, após assistir as várias cenas públicas e algumas mais na vida privada sobre o uso do que para mim tem se tornado um imperativo social *leviano* fiz umas enquetes no Instagram para, a partir das respostas, refletir melhor e elaborar esta publicação. Minha última enquete para trabalhar este tema foi sobre a associação entre os conceitos liberdade e leveza. Na contemporaneidade, a leveza tem sido acompanhada também da ideia de ser livre. Ganha destaque o ser livre, viver de forma desprendida em relação ao que nos circunda. O conceito de leveza, primeiramente está relacionado ao peso físico de objetos ou materiais, e a experimentamos numa experiência sensorial. Como um estado ou posicionamento sobre como viver e as nossas relações com os outros, conosco, com a vida, em geral, diversos e influentes autores como Bauman e Gilles Lipovetsky, Kundera defendem críticas importantes ao uso do estatuto da leveza; como por exemplo, o associando aos termos liquidez, efêmero, vazio e à estetização. A liberdade passou a ser vangloriada como uma grande virtude, a virtude daqueles que "sabem voar". Ok! Então, para voar é preciso ser leve? Mas, nem a tecnologia de aeronaves e nem a sabedoria da observação dos pássaros, nos confirmam tal tese: “É preciso ser leve como o pássaro, e não como a pluma”. (Paul Vàlery). Ou seja, uma pluma é tão leve que é levada por qualquer sopro, enquanto o pássaro depende do *peso* da *gravidade* do mundo para pairar sobre ele e dirigir o seu bico para o horizonte... Milan Kundera, filósofo e poeta tcheco se interessou muito sobre este tema e a partir da filosofia, de Parmênides à Nietzsche, descreveu a leveza, por si só, como insustentável, pois, à medida que nos elevamos, uma responsabilidade nos é colocada (e responsabilidades tiram a leveza). A responsabilidade de ser livre impõe decisões sem nenhum apoio, sem nenhuma ajuda. (Indico uma das suas mais importantes obras: "A insustentável leveza do ser". Também, em filme). Compartilho esta reflexão com vocês porque tenho me inquietado há muito tempo, pela agitação com a qual estes conceitos estão sendo tratados na nossa sociedade. Sinto pelo mau uso e seu esvaziamento. A partir das respostas às enquetes, vi a boa fé e o melhor dos sentimentos nos que confirmaram se sentirem leves e livres. Mas, junto a esta conclusão, também confirmei uma tese, a de que talvez, nós humanos, com todo o nosso peso, nunca deixamos de aspirar à leveza. E isso faz parte do desejo que nos sustenta no caminho... assim, como temos um sonho, muitos de nós desde crianças, de desenvolvermos asas para voar; possuindo a liberdade. “Trago o desejo daquilo que é leve/ no coração que pesa.” (Antonia Pozzi). Leveza /Peso! Uma das oposições mais ambíguas e misteriosas de todas. Atualmente, são inúmeras frases para indicar diferentes objetivos: "Seja leve! Pega leve! Mais leveza! Temos que ser leves! Busca ser leve etc"... O problema é uma grande maioria usando sem empatia, mais para se defender e silenciar os questionamentos que nos convocam à uma atuação mais consciente e responsável, principalmente, no coletivo. É um uso que tem mais um tom superficial e que tenta menosprezar a postura dos que se propõe seguirem mais preocupados e que assumem as dores da própria vida, junto aos outros e que mantém os "pés" na realidade. Admito que eu já não tinha sintonia com o conceito para me autorreferenciar. Uso, sim, pontualmente para qualif**ar uma situação, uma oportunidade de rir, uma música que escuto ou quando me alivio de alguma dificuldade. Então, eu falo: "Me sinto leve após isso ou aquilo." Como se f**ar leve fosse quando tenho a oportunidade de me *libertar* das preocupações, dos compromissos, quando ganho um tempo para o lazer, a diversão e umas boas gargalhadas. Quando ganho uma massagem, olho uma paisagem bonita, ganho e dou um abraço amigo, depois de prazeres, após o fim de uma dor, e por aí ... Compartilho da ideia de que ligados à realidade, somos pesados... Desejamos o estado de leveza e o perseguimos, nos permitindo situações que nos possibilitam essa sensação. Como na busca da felicidade... Em estudos, entendi que a maneira como este conceito está sendo usado, virou moda após a Revolução Industrial e o avanço da sociedade de consumo; onde adotamos essa realidade de muito mais produtividade, agendas lotadas, etc e sem tempo para "se esvaziar"... Daí, vemos um mercado todo equipado para te fazer querer "comprar" a leveza: livros de auto-ajuda, meditação, spas... algumas abordagens terapêuticas, pílulas e ainda a cruel exigência de um corpo bem magro (que é outro tratado sobre a leveza e rende outro textão)... Eu tenho tentado f**ar mais na contramão... A gente vai conseguindo caminhar com um estado mais leve quando a gente entende o nosso caminho, gosta de quem está junto (tem ajuda pra carregar os *pesos* que são nossos e ajudamos com os dos outros que escolhemos ter por perto). Precisamos de consistência, alguma solidez, do que nos sustenta... senão, fugimos como se vai um balão de hélio... Fiz essa postagem pra gente pensar conversar mais e perder o medo dos pesos que pesam as nossas pegadas e as marcam neste chão. Então, sim, a gente é leve (a)pesar...
Daniela Silveira (Psicóloga da Clínica Casa- Saúde e Desenvolvimento Humano )

Outro triste recorde! No mesmo dia outra criança alvo-jada. De tantas dores, a familia do João Pedro ainda viveu primeir...
20/05/2020

Outro triste recorde! No mesmo dia outra criança alvo-jada. De tantas dores, a familia do João Pedro ainda viveu primeiro a dor do "sumiram com ele"... Depois, o encontro? Não, o des-encontro.
Vivenciamos a vida em ciclos. Pra cada passagem de ciclo, temos o que podemos chamar de 'rito de passagem'. Como as nossas digitais para a nossa identidade, as diferentes culturas e sociedades são marcadas pelos desenhos de seus ritos e de como se relacionam com os momentos mais marcantes da vida, que acontecem no intervalo entre os principais; o nascer e o morrer. Assim, temos o luto como um ritual. Este momento, o da pandemia do Novo Coronavírus, traz uma situação muito atípica quando falamos de rituais de luto. Os mortos não estão sendo velados e enterrados por seus familiares e amigos. Somos impedidos da última despedida. Somos obrigados, imediatamente, ao encontro com uma ausência, um vazio...O que muitas famílias estão enfrentando é um tipo de luto semelhante ao que vivenciam os familiares de uma pessoa que se foi, como nos casos dos desaparecidos. Estamos diante do luto de um *corpo ausente*. Ainda, pior! Estamos diante da impossibilidade do ritual que nos abre a porta, dando licença ao nosso luto. Sem o corpo, estamos sem o símbolo que nos possibilitaria signif**ar e elaborar parte dessa perda que nos atravessa. É necessário outros símbolos para nos ajudarem a expressar o que não conseguimos colocar em palavras. Os rituais coletivos, onde podemos compartilhar com os outros, congregam as pessoas de uma comunidade e legitimam aos que estão enlutados, um sentimento de pertencimento e acolhimento que certamente os ajudará na construção dos signif**ados em relação à perda. É um rito que se dá a serviço da contextualização da experiência, permitindo a transição do ciclo da vida e as mudanças de papéis advindas desse contexto. Assim, não poderemos esperar que essas famílias se relacionem da mesma forma com essa(s) perda(s) que aquelas que podem enterrar ou cremar seus mortos. Para que este processo ocorra de uma maneira mais segura, o ritual de luto como o fazíamos antes dos limites colocados pela pandemia, se faz imprescindível. É no rito que passamos pelo reconhecimento da morte como parte do ciclo da vida e a finalização que ela nos convoca a registrar e aceitar. É necessário o processo em seu início, meio e fim, para que o indivíduo sobrevivente, após o enlutamento, volte a se relacionar socialmente, mais uma vez. Assim, também precisa ser pensado para uma sociedade, que deverá encontrar condições de se reorganizar para suprir tantas ausências mal signif**adas e ou nem reconhecidas. Não é fácil dizer, mas este tipo de luto pode nunca acabar! Portanto, abordar este tema é muito importante porque pensar nos rituais fúnebres, impedidos no atual contexto, é tratar do sofrimento psíquico e nas sérias implicações para a saúde mental dos indivíduos e para a vida social, que iremos lidar, para além de todos os outros problemas, que já estamos experimentando, prevendo e discutindo ao longo desses meses em que lutamos uma guerra inédita à nossa geração.
Daniela Silveira
Psicóloga da clínica CASA - Saúde e Desenvolvimento Humano.

Esta semana recebi a indicação de um amigo para assistir a entrevista que Leandro Karnal, historiador e professor da UNI...
26/04/2020

Esta semana recebi a indicação de um amigo para assistir a entrevista que Leandro Karnal, historiador e professor da UNICAMP, cedeu à três jornalistas da CNN-Brasil. É uma entrevista longa, na qual ele opina e ilumina sobre vários temas em relação à Pandemia que estamos enfrentando e algumas projeções que ele especula com sua sabedoria, numa visão de mundo e sociedade que sempre nos ilustra e provoca, nos promovendo reflexões do tipo necessárias, sempre. Entre tantas falas, uma me fez lembrar dele o dia todo e me motivou esta postagem. Karnal, ao diferenciar otimismo de pessimismo, resume *pessimismo* como uma estratégia *covarde* e *preguiçosa* diante da vida: "Se nada vai dar certo mesmo, eu não preciso fazer nada, então." Achei uma super colocação. Deu um sentido importante para mim. Concordo. Mas, também me fez dialogar com um incômodo que tenho sentido e compartilhado com muitos que tenho conversado no contexto atual, e isso me fez um alerta para a consideração de um outro tipo de sujeito; o *realista*. Tenho testemunhado algumas pessoas acusando muitos realistas de pessimistas por conveniências e na intenção de silenciar ou menosprezar estes que nos provocam e convocam à práxis e às implicações éticas diante dos desafios que se apresentam... Realistas nos indicam o compromisso com a realidade, sobretudo e apesar da angústia que está ali, nesse encontro com o que tememos e gostaríamos de evitar. Entretanto, há um outro sujeito fazendo barulho: o negacionista. Esse tem se fantasiado de boas intenções e com a máscara do otimista. Mas diferente, o professor Leandro Karnal faz um contraponto inquietante, associando o otimismo e a saída da zona de conforto... O otimista atua, ousa, cria, aposta, vai...E isso desmascara qualquer omissão, negação e ilusão. Esta reflexão me lembrou o "realista esperançoso" de Suassuna, o "esperançar" do Cortella... a Fé em Cristo, que me faz caminhar...

Então, qual sujeito é você?

Concorda? Discorda? Concorda parcialmente? Vai refletir. O professor e filósofo Mário Sérgio Cortella discorreu um 'pens...
10/10/2019

Concorda? Discorda?
Concorda parcialmente?
Vai refletir.

O professor e filósofo Mário Sérgio Cortella discorreu um 'pensamentão' sobre:👇

"Felicidade também tem a ver com realização de potência, como lembraria o filósofo holandês Baruch Spinoza. A capacidade de percebermos que aquilo que temos como possibilidade vai se realizando. Aristóteles fazia uma distinção entre ato e potência; isto é, aquilo que você pode e aquilo que é realizado. Quando eu posso algo, que é também o que devo, e eu o faço, aquilo me felicita.

Mas tem a terceira parte: “É impossível ser feliz sozinho”, lembrava Tom Jobim na música Wave. Eu posso ser feliz sozinho? Muito pouco. Por quê? Por- que felicidade é partilha. Anos atrás, eu estava na Praia do Forte, na Bahia, para uma conferência. Acordei às 5 da manhã e fui caminhar na beira do mar, descalço. De repente, o sol começou a nascer. Eu não queria ver aquela imagem sozinho. Naquela hora, eu pensei em várias pessoas que tinham de estar comigo.

Faço aqui um parêntese para um tema que falarei mais adiante: uma parte daquilo que se chama hoje de exibicionismo nas plataformas digitais é também uma forma de partilha. Embora alguns digam que tem gente que, a cada passo que dá, tira foto para postar, existe aí um dado, que é o desejo de compartilhar. “Eu não posso comer esse prato magnífico que está à minha frente sem mostrar para alguém.” Não para mostrar que estou comendo, mas é uma forma de dizer: “Olha que coisa gostosa, queria que você estivesse aqui comigo”.

Sob um determinado ponto de vista, é um aspecto que se assemelha ao que acontece na docência, que é essa capacidade de f**ar partilhando o tempo todo. A lógica da docência é: tudo o que eu tiver de melhor passo adiante; tudo o que o outro tiver de melhor que eu quero buscar, não quero me apropriar daquilo.

A expressão em Wave: “é impossível ser feliz sozinho”, faz muito sentido, porque a música bonita, a paisagem expressiva, o sabor agradável são parcialmente felicitantes. A eles faltam a companhia de alguém. A felicidade exige cumplicidade. A felicidade precisa ter cúmplice; do contrário, ela é limitada. Eu posso até olhar para mim e sorrir, mas se eu tenho alguém que sorri comigo, eu multiplico aquela sensação. Não é que a felicidade seja impossível, mas ela se torna mais exuberante quando há um cúmplice que possa comigo fruir aquele instante, aquela situação."

(...)

**Trecho retirado do livro "Felicidade Foi-se Embora?" disponível em:https://amzn.to/2RfZqh1

"A procrastinação é o adiantamento de uma ação. A comediante e apresentadora Ellen Degeneres, em um talk show, iria fala...
09/10/2019

"A procrastinação é o adiantamento de uma ação. A comediante e apresentadora Ellen Degeneres, em um talk show, iria falar sobre esse assunto e por quase uma hora falou sobre outros temas, numa brincadeira de associações livres, levando o púbico a rir, mas adiando até o final o objetivo da suposta palestra.

Por que parece mais fácil ou menos custoso realizar ações no âmbito profissional do que pessoal? O que nos leva a adiar ações como iniciar uma dieta, mudar hábitos alimentares, melhorar a qualidade de vida, mudar a rotina estressante familiar ou do dia-a-dia?

No profissional, muitas vezes, a pressão acaba sendo o elemento que impulsiona a ação. Também as metas profissionais estão ligadas à ações mais concretas, que passam por um raciocínio lógico, aprendido na faculdade ou na experiência do próprio trabalho, facilitando desta maneira a execução do ato. Mas, dependendo do estado emocional do profissional, a procrastinação pode ocorrer e o estresse aumenta.

A pessoa, na tentativa de aliviar qualquer mal estar provocado pela necessidade de realizar uma ação, que para ela é muito difícil, começa a empurrar ou a se convencer que mais tarde ou num outro momento terá condições mentais ou psicológicas para iniciar a tarefa. Só que quanto mais adia, maior o estresse e a cobrança e maior ainda se torna a barreira a ser superada.

Essa luta interna que requer a união de forças vitais para conseguirmos realizar tarefas, sair do mundo do prazer para o mundo da realidade, que nem sempre é tão prazeroso, nos acompanha desde cedo e dependendo das experiências que recebemos de nossos cuidadores e das demais experiências que vem do mundo social, podemos ter mais facilidade ou não para superar os obstáculos internos e externos.

Para a psicanálise, adiar ações (procrastinação) é uma defesa emocional que tem origem na infância como forma de proteção, mas que leva a uma auto sabotagem. Uma pessoa que foi criada por outras pessoas muito autoritárias desenvolve um mecanismo de proteção contra o sofrimento e o medo.

Uma criança tende a se adaptar ao modelo opressor na tentativa de ser assertivo e receber menos punições.Ela passa a reprimir seus impulsos, desejos e sonhos por medo da consequencia negativa que vem do outro. Como isso não muda o modo de agir do opressor, esta criança vai perdendo a força, o potencial de ação e a confiança no outro e nela própria, o que a longo prazo causa dificuldades na realização das tarefas.

Precisamos de força interna como um combustível que ativa o motor do carro. Essa força está diretamente ligada à confiança. Se recebemos um bom cuidado emocional na infância, desenvolvemos confiança em nós, no mundo e a autoestima se constrói de maneira eficiente. Caso isso não ocorra, muitas dificuldades emocionais estarão presentes em diversos setores da vida.

O desânimo também pode estar relacionado a perda da confiança em si mesmo e no mundo. Temos uma tendência muito grande de adaptação. Isso pode ser muito bom, porém quando esta adaptação ocorre em experiências dolorosas e difíceis, f**amos presos num funcionamento repetitivo e patológico.

adiar-tarefas

Apesar da procrastinação ter origem na infância e ser um modo de proteção ela é inef**az

Pessoas que funcionam neste modelo tendem a usar os acontecimentos em sua vidas ou no meio externo para justif**ar esse comportamento. A falta de dinheiro, a corrupção no país, o jeito rude do parceiro ou do chefe, a violência etc. Isso ocorre porque todos esses eventos, que por si só geram sofrimento, também ativam memórias do passado, as quais estão carregadas de sofrimento e que foram “suprimidas”, por isso inconscientes, mas que continuam agindo no campo emocional provocando sintomas, sentimentos e reações.

Para quebrar com esse ciclo e modo de adiar as ações como sintoma recorrente é necessário identif**ar e cuidar dos aspectos psicológicos, conscientes e inconscientes, que levam a este modo de funcionar."

Cristina Ciola Fonseca
Psicanalista, graduada na PUC-SP, especialização na UNIFESP

Embora a família venha se transformando em decorrência das mudanças que se apresentam no contexto socioeconômico, o imag...
02/10/2019

Embora a família venha se transformando em decorrência das mudanças que se apresentam no contexto socioeconômico, o imaginário que pesa sobre a família idealizada ainda é forte e se apoia na tradição.

Quando refletimos as responsabilidades advindas com a formação de uma família e a educação do ser humano, reforçamos que é a partir da construção dos vínculos entre familiares; um casal e, posteriormente, seus filhos, que acontecem as vivências e trocas sociais mais fundamentais. É neste contexto que nos moldamos e recebemos valores e sentido pessoal, para então, ganharmos sentido social.

Um dos momentos mais importantes na história de uma família é a chegada dos filhos. Porém, o investimento nas funções materna e paterna pode contribuir para dar uma esfriada na relação do casal, pois a rotina f**a completamente alterada e as prioridades mudam. Assim, aprendendo a incluir mais um membro à sua família e lidando com uma nova configuração de sua vida conjugal; o casal se inquietará com medos e incertezas enquanto tentará se adaptar frente ao novo contexto de tarefas e desafios, inclusive quanto à sua vida afetiva sexual.

Ter filhos é uma tarefa difícil! As mudanças no cotidiano do casal depois da chegada do bebê/criança são inevitáveis; o lazer, o descanso e a vida em casal f**am em segundo, terceiro plano e, em muitos casos, se extinguem. As tarefas domésticas se multiplicam, as pressões financeiras aumentam e os momentos de intimidade com o(a) parceiro/a diminuem.

Por mais tempo de convivência e conhecimento, todos os casais mudam quando chega a criança, que irá demandar um novo funcionamento do casal, que ao apresentar mais resistência à nova realidade, experimentará como maior influência, as interferências negativas no seu cotidiano, ameaçando a sua estrutura familiar. Sentimentos como frustração e insatisfação poderão levar ao desgaste na relação que necessitará do apoio profissional de um psicólogo que faça a mediação, criando condições favoráveis para um reencontro deste casal e sua harmonia conjugal.

Entretanto, sendo capazes de se dividirem entre múltiplas funções_ individuais, sociais e profissionais_ homens e mulheres que seguem vivenciando um novo ritmo de vida, em meio a uma sociedade plural, mais complexa e diversa, que passa por transformações velozes, desencadeando profundas mudanças e exigindo redefinições dos papéis que ambos precisam assumir, poderão (re)negociar com mais criatividade e flexibilidade as novas exigências diárias.

Assim, este novo contexto, de tantos conflitos, poderá ser também, uma oportunidade para o amadurecimento da relação do casal, que com diálogo, tolerância, amor e companheirismo vivenciarão, de forma emocionante e transformadora, a missão da paternidade e da maternidade.

Daniela Silveira
Psicóloga.

30/09/2019

O tempo e as redes sociais.

Joyce Macedo escreveu para o site Canaltech e a gente aproveitou para compartilhar aqui, junto a esta amostra da interessante e provocativa instalação artística do artista suíço Marck.

Em que pensam e o que sentem ao verem esta obra de arte?

Nós da equipe CASA tivemos a impressão de um relógio de parede marcando o tempo que passa. Alguém como um bebê a termo, no útero, pronto para nascer. Uma situação ainda de aprisionamento (pelo tempo investido na relação com os smartphones e as redes sociais). Também dá uma certa claustrofobia; aquela sensação de estarmos sufocados, presos em um espaço pequeno.

Assim, resolvemos trazer um texto com boas dicas para nos ajudar na organização melhor do nosso tempo, quando estamos com nossos celulares.

"Pesquisas já revelaram que o Brasil supera a média mundial de tempo médio gasto em visita a redes sociais. Mas até que ponto podemos considerar isso algo positivo?

As redes sociais são como uma faca de dois gumes: de um lado temos a riqueza de informações processadas diariamente nessas plataformas, algo que pode ser utilizado de maneira muito produtiva quando analisadas e aplicadas para o crescimento de um negócio; mas do outro lado está uma grande aliada da queda de produtividade e aumento da procrastinação.

Muitas vezes as redes sociais atuam como vilãs e drenam muito tempo de nossas vidas. Somos capazes de passar horas navegando sem, necessariamente, realizar algo produtivo. Para evitar que elas suguem a sua produtividade e seu tempo, confira algumas dicas importantes na hora de usar as redes sociais:

1. Tenha um propósito ao usar uma rede social
Ter um motivo específico para estar em uma determinada rede social é uma boa forma de começar a ser mais seletivo e direcionar melhor o seu tempo. Evite misturar assuntos pessoais com profissionais. Por exemplo, você pretendia utilizar o Twitter para monitorar o tipo de conteúdo compartilhado pela concorrência? Então foque nesse propósito ao usar a rede de microblog e veja se você realmente fez o que planejava.

Veja alguns exemplos de bons motivos para estar em sites como Twitter e LinkedIn:

Networking
Procurar trabalho
Buscar parcerias para novos empreendimentos
Conhecer novas pessoas com interesses em comum
Pesquisa
Encontrar tópicos para escrever a respeito
Procurar novas fontes de informação
Ver a reação dos usuários em relação a determinados tópicos
Atendimento ao Cliente
Procurar depoimentos sobre a sua marca ou produto
Monitorar sua marca em relação a algum problema específico
Vendas/Marketing

Compartilhar conteúdos com as massas
Encontrar usuários com problemas específicos que possam ser resolvidos com o seu produto ou serviço

2. Limite o seu tempo
Estipular e cronometrar um tempo para permanecer nas redes sociais vai forçá-lo a entrar, fazer o que você tiver para fazer lá e depois sair. Às vezes temos a sensação de ter f**ado apenas cinco minutinhos no Facebook, por exemplo, mas geralmente quando olhamos no relógio, lá se foi uma hora.

Uma dica é utilizar a chamada “Técnica Pomodoro“ para realizar tarefas diárias e administrar melhor seu tempo. Criada pelo italiano Francesco Cirillo, esse método de gerenciamento de tempo consiste em definir a tarefa a ser realizada e executá-la sem parar durante 25 minutos, depois faça um pequeno intervalo de cerca de cinco minutos para descansar (checar e-mails, redes sociais, alongar-se, etc) e depois volte para uma bateria de mais 25 minutos ininterruptos.

Você vai f**ar espantado com o quanto pode realizar em pouco tempo quando se está focado em um objetivo.

Técnica pomodoro
3. Limpe a sua timeline

O objetivo de uma rede social é interagir com outras pessoas, logo, se você possui alguém na sua rede de contatos que não costuma postar nada relevante, ou, por outro lado, posta bobagens demais, ou se você sequer sabe o motivo de tê-la adicionado, essa é a hora de realizar uma limpeza.

Existem diversos aplicativos que podem ajudar a realizar essa tarefa de uma maneira simples, como o Tweepi, que mostra algumas estatísticas para filtrar usuários inativos e indesejados.

Leia também: Conheça alguns aplicativos para limpar e organizar a lista de amigos do Facebook

4. Salve links para ler mais tarde

Salvar informações para ler mais tarde é uma ótima maneira de limitar o tempo gasto nas redes sociais. Se você clicar e ler cada artigo interessante que aparece na sua timeline, com certeza perderá boas horas com leituras que não demandam tanta urgência.

5. Otimize o uso do e-mail

O e-mail é um mal necessário no nosso dia a dia, porém nossa caixa de entrada também tem o poder de sugar boa parte do nosso tempo. Um exemplo de como fazer melhor uso desta ferramenta é utilizar a extensão Full Contact.

Trata-se de um aplicativo que tem como objetivo compartilhar todas as informações dos seus contatos do Gmail. Com ele, é possível reunir diversas informações de um contato no próprio serviço de e-mail do Google, como seu contato nas redes sociais, endereço e website.

Com a possibilidade de acessar esse tipo de informação dentro do próprio Gmail, você terá um motivo a menos para entrar em determinadas redes sociais." (JOYCE MACEDO)

Leia também: Conecte-se nas redes sociais sem perder a produtividade

Didático. 'Pro-vocativo'!A gente acaba entendendo que não há conforto e nem VIDA na *zona de conforto * Mas, como a próp...
18/08/2019

Didático. 'Pro-vocativo'!
A gente acaba entendendo que não há conforto e nem VIDA na *zona de conforto * Mas, como a própria figura confirma, o processo é circular e não uma linha reta ou outra figura que te dá garantia de passar definitivamente por esses estágios sem volta... A gente volta a inércia de tempo em tempo e a gente pára de criar. Desanima, né?! Mas, daí a capacidade de girar, a "famosa volta por cima" ... por cima do próprio processo, das emoções que te mantinham sem coragem ou estímulo. Importante é o exercício de reconhecimento em cada uma dessas etapas e das emoções que nos mantém nelas. Importante é entender e estar junto do que te desafia e fortalece a se movimentar e criar e girar...

*Roda Viva*
(Chico Buarque)

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...

Endereço

Belo Horizonte, MG

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