19/05/2023
Pesquisa com pacientes recrutados no Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) mostrou que o Pilates, mesmo sem associação de outros recursos terapêuticos como a diatermia (calor profundo), pode ser eficiente no tratamento da dor e dos sintomas depressivos e de ansiedade ligados à dor lombar crônica. Alguns estudos indicam que a dor lombar tem sido a principal causa de incapacitação de pessoas no mundo nas últimas três décadas, causando grande demanda aos serviços de saúde.
Segundo o estudo, comumente, a dor lombar está ligada à presença de músculos fracos, sem resistência e encurtados. Os exercícios de Pilates trabalham o fortalecimento e a estabilização de músculos profundos, como o transverso do abdômen, o multífido lombar e os músculos do assoalho pélvico, além de músculos globais que, no conjunto, são essenciais para a proteção da coluna, explica ao Jornal da USP a fisioterapeuta Sandra Amaral, autora da pesquisa. Como resultado, o paciente desenvolve uma musculatura mais forte e ganha amplitude dos movimentos livres de dor, melhorando assim a postura. “Além disso, os exercícios físicos contribuem para a liberação de opioides endógenos, substâncias internas do organismo que controlam a dor e causam bem-estar geral”, diz ela.
Na literatura médica, o tratamento térmico profundo via diatermia por ondas curtas tem sido indicado para redução da dor. A ideia é que “o calor posicionado em uma determinada região com dor promove a redução da rigidez articular e do espasmo muscular, o que leva a um aumento da atividade metabólica e mais aporte de oxigênio e nutrientes, estimulando o reparo do tecido conjuntivo e melhorando a dor”, relata Sandra Amaral. No estudo, no entanto, a associação do Pilates à diatermia não foi mais efetiva do que a prática isolada do Pilates.
Texto: Ivanir Ferreira
ciencia.usp.br