Psicóloga Andressa Bernardo

Psicóloga Andressa Bernardo Ajudo pessoas LGBTQIA+ (e não só) a cuidarem da saúde mental 🌈
🎓 UNESP | CRP 06/176653
Esp.

em Psicanálise e Gênero
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linktr.ee/psi.andressabernardo Atendimento de crianças, adolescentes, pessoas adultas, idosas, com deficiência, população LGBT+, casais e famílias

Em Stranger Things, a música abre uma fresta para a Max.E isso sempre me lembra de todas as músicas que já me tiraram de...
30/12/2025

Em Stranger Things, a música abre uma fresta para a Max.
E isso sempre me lembra de todas as músicas que já me tiraram de alguma situação de sofrimento, mesmo que só por aqueles minutos em que eu estava ouvindo.

Elas me reconectam com outros momentos, outros sentimentos, outros pensamentos.
Funcionam como marcadores de memória, de vida, de quem eu já fui e do que já atravessei. Por isso me identifico tanto com a Max.

Claro que não é só a música que ajuda.
O que sustenta quando o sofrimento aparece é um conjunto de recursos: o corpo sente, a mente sente, as relações sentem. E é nesse atravessamento que vamos construindo combustível para suportar momentos de muita demanda.

Rever Stranger Things também é lembrar disso:
os recursos não vêm prontos.
Eles são construídos aos poucos e nos ajudam a criar distância do nosso próprio “Vecna”.

O vestido, o tom de voz, o jeito de sentar, de ocupar espaço, tudo vira negociação silenciosa. Não porque a identidade d...
25/12/2025

O vestido, o tom de voz, o jeito de sentar, de ocupar espaço, tudo vira negociação silenciosa. Não porque a identidade desaparece, mas porque a família faz de conta que não vê.

Jack Halberstam fala sobre como expressões de gênero dissidentes são toleradas apenas quando f**am invisíveis, quando não tensionam a norma. O problema é que o corpo fala mesmo quando tentam silenciá-lo.

Todo mundo percebe o esforço de adequação. O que quase nunca aparece é alguém dizendo: tá tudo bem ser quem você é.

Expressão de gênero também é linguagem.

E esse não-dito cansa.

Para muitas pessoas LGBTQIA+, a família não é um lugar de descanso. É um lugar de tensão, cobrança e silenciamento, espe...
23/12/2025

Para muitas pessoas LGBTQIA+, a família não é um lugar de descanso. É um lugar de tensão, cobrança e silenciamento, especialmente no fim do ano.

Datas comemorativas costumam reforçar um modelo único de família mas essa imagem não contempla todas as histórias.

Na clínica, escuto com frequência o peso de precisar “voltar para casa” e, ao mesmo tempo, deixar partes importantes de si do lado de fora.
Voltar para a mesa, mas não poder falar de quem se ama, por exemplo.

Quando digo que a relação familiar vai além da biologia, estou dizendo que vínculo não se impõe pelo sangue.
Ele se constrói pelo cuidado, pelo reconhecimento e pela possibilidade de existir sem se esconder.

Para muitas pessoas LGBTQIA+, a família se amplia:
amigos, redes de apoio, coletivos, parceirias, animais, lugares que acolhem.

O Natal é apresentado como uma celebração universal, mas muita gente não se reconhece nele.Isso não acontece por acaso.A...
18/12/2025

O Natal é apresentado como uma celebração universal, mas muita gente não se reconhece nele.
Isso não acontece por acaso.

Apesar de hoje ser tratado como uma tradição cristã, o Natal também tem origens pagãs, ligadas a ciclos da natureza, passagem do tempo e encerramento de fases. Com o tempo, essa celebração foi apropriada pelo cristianismo e pelo capitalismo, transformada em um grande evento de consumo, que vende não só produtos, mas também ideias muito específ**as de afeto, família e felicidade.

Nesse modelo, existe uma família ideal, uma forma “certa” de amar, de se reunir, de celebrar. Quem não cabe nisso muitas vezes f**a à margem. Para pessoas LGBTQIA+, esse período pode evidenciar exclusões antigas, rejeições familiares e a sensação de não pertencer.

Talvez seja importante abrir espaço para outras leituras desse momento.
Pensar o fim de ano não apenas como uma celebração familiar tradicional, mas como um tempo de fechamento de ciclos, de cuidado com os vínculos que realmente nos sustentam, e de reconhecimento dos afetos que construímos ao longo da vida.

Família não tem um modelo único.
Para muitas pessoas LGBTQIA+ ela é ampliada, escolhida, extensa. Pode incluir amizades, companheiras e companheiros, animais, presenças simbólicas, ancestrais, seres encantados, redes de cuidado num geral.

Celebrar, se for possível, pode ser isso:
honrar os afetos que existem e respeitar também quando não há o que celebrar.

O apoio emocional entre pessoas é importante, cria vínculo e pertencimento.Mas cuidado psicológico, psicossocial e clíni...
16/12/2025

O apoio emocional entre pessoas é importante, cria vínculo e pertencimento.
Mas cuidado psicológico, psicossocial e clínico exige formação, técnica, ética e responsabilidade.

Vulnerabilidades sociais, situações de violência, sofrimento psíquico intenso e crises não podem ser tratadas como improviso ou boa vontade.
Quando alguém sem formação oferece “terapia”, mesmo com boas intenções, o risco é revitimizar, silenciar ou colocar a pessoa em perigo.

Psicologia é ciência.

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Ajudar alguém a não cair em falsas terapias.

Muitas mulheres crescem aprendendo que constituir uma família não é uma escolha, mas um destino. Um dever. Algo a ser su...
09/12/2025

Muitas mulheres crescem aprendendo que constituir uma família não é uma escolha, mas um destino. Um dever. Algo a ser sustentado a qualquer custo. Mesmo quando dói. Mesmo quando ameaça a própria vida.

Não é raro que, em nome dessa ideia de família, sinais evidentes de agressividade sejam minimizados, racionalizados ou negados. “Ele só perde a cabeça”, “não é sempre”, “no fundo é um bom pai”, “família é assim”. E o que muitas vezes aparece como escolha individual é, na verdade, repetição: de valores herdados, de silêncios ensinados, de pactos familiares que atravessam gerações.

A dificuldade de nomear a violência não nasce do nada. Ela é produzida. Produzida por uma cultura que ensina mulheres a suportar, compreender, cuidar e manter mesmo quando isso signif**a apagar a própria percepção, o desejo, o limite.

Diante do aumento brutal dos feminicídios, essa pergunta precisa ser feita com urgência:
que tipo de família estamos tentando salvar?
E a que preço?

A clínica, a análise, a terapia não prometem uma “família ideal”, mas a possibilidade de distinguir herança de desejo. De interromper repetições. De perguntar, “que tipo de vínculo faz sentido para mim?” e quais violências não precisam mais ser confundidas com amor, cuidado ou pertencimento.

Pensar a família também é um trabalho político.
E, muitas vezes, sobreviver passa por reinventá-la ou recusá-la.

O que começa com um “você tá exagerando”, “se acalma”, “você é muito histérica” raramente f**a só nisso.A misoginia coti...
04/12/2025

O que começa com um “você tá exagerando”, “se acalma”, “você é muito histérica” raramente f**a só nisso.
A misoginia cotidiana não mora apenas nos grandes crimes que viram manchete, ela se instala primeiro nos pequenos gestos de deslegitimação, nos silenciamentos, no gaslighting que diz que a mulher sente “demais” ou entende “de menos”.

Em Falo, a Carne Doce faz aquilo que tantas mulheres já fizeram na vida real: fala com um homem que invalida, que distorce, que tenta reduzir sua voz a um ruído incômodo.
Mas ali, na ironia da letra, aparece algo sério:
o mesmo homem que chama uma mulher de histérica é o homem que sustenta a cultura que permite o feminicídio.

Porque o feminicídio não nasce do nada.
Ele nasce desse caldo.
Dessa estrutura.
Desses discursos que parecem pequenos, mas que organizam o mundo a favor da violência.

Esse post é para que principalmente homens vejam e quero mais que se incomodem.
Porque o feminicídio é um problema de toda uma sociedade mas principalmente dos homens, um problema que só muda quando eles olham para aquilo que preferem não ver.

Novembro chegou como quem empurra portas e acende luzes demais ao mesmo tempo.Eu tentei acompanhar o ritmo, me inscrevi ...
01/12/2025

Novembro chegou como quem empurra portas e acende luzes demais ao mesmo tempo.
Eu tentei acompanhar o ritmo, me inscrevi em cursos, tentei adiantar metas, dar conta do que ainda nem tinha nascido até perceber que algumas coisas pedem pausa, não pressa.

Foi um mês de revisitar caminhos, encarar conversas transparentes, acolher reverberações emocionais e também escutar o desejo: o de fazer, o de ser, o de agir a partir do que pulsa.

Entre cansaços acumulados e pequenas conquistas que finalmente chegaram, fui entendendo que a autoexigência não precisa ser bússola. Cada coisa tem seu tempo e no fim consegui abrir espaço pra coisas mais leves.

No fim, novembro me atravessou e me devolveu mais calma, mais lucidez. Que bom que eu deixei ele me atravessar.

A línguagem sempre foi um território de disputa. Quando o governo decide proibir a linguagem neutra, ele tenta congelar ...
18/11/2025

A línguagem sempre foi um território de disputa. Quando o governo decide proibir a linguagem neutra, ele tenta congelar o mundo num presente estreito, onde só existe aquilo que a norma autoriza. Mas, como lembra Jack Halberstam, o futuro q***r nasce justamente do que escapa: do que não se encaixa, do que insiste em existir apesar das cercas simbólicas que tentam erguer.
Vetar pronomes é tentar impedir que certos futuros aconteçam. É afirmar que só há um jeito legítimo de ser nomeade, de aparecer, de respirar dentro da linguagem. Mas o futuro q***r, esse futuro que inventa caminhos, que desvia, que recusa a linearidade, não cabe nos interditos do Estado. Ele se move pelas frestas, pelos desvios, pelos corpos que a gramática oficial não sabe reconhecer, mas que ainda assim estão aí, vivos, pensando e desejando.
A identidade nasce do encontro entre linguagem e corpo, entre desejo e mundo. A proibição, então, não cala ninguém, apenas revela o medo que a diferença provoca em quem governa.

Se o presente tenta apagar, o futuro q***r reescreve. E é nesse gesto de reescrita, lento, firme, coletivo, que seguimos existindo, nomeando-nos, criando outras possibilidades de mundo, mesmo quando querem nos reduzir às palavras que já não damos conta de habitar.



Outubro foi um mês de continuidade e descoberta.Seguir com os exercícios tem sido mais do que cuidar do corpo — é aposta...
03/11/2025

Outubro foi um mês de continuidade e descoberta.
Seguir com os exercícios tem sido mais do que cuidar do corpo — é apostar numa nova forma de estar no mundo, de sustentar a mente, o fôlego e o tempo.
Entre livros, formações e viagens, sigo pensando sobre o que desaparece e o que renasce.
Nem tudo o que nos acontece é escolha, mas sempre há algo que podemos fazer com o que acontece. 🌿

O Brasil revive o mesmo horror de sempre: vidas negras interrompidas pelo Estado.Judith Butler critica o fato de que nem...
31/10/2025

O Brasil revive o mesmo horror de sempre: vidas negras interrompidas pelo Estado.

Judith Butler critica o fato de que nem todas as vidas são reconhecidas como dignas de luto.
Quando a morte de uns é naturalizada, o trauma deixa de ser exceção: torna-se estrutura.

Freud diria que o trauma retorna quando não pode ser simbolizado.
E no Brasil, ele retornou essa semana em forma de chacina.

📖 Referência:
BUTLER, Judith. Quadros de guerra: quando a vida é passível de luto? Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2016.

Inspirado em uma história real, 27 Noites nos confronta com o medo da vitalidade (ou seria da perda dela?) especialmente...
28/10/2025

Inspirado em uma história real, 27 Noites nos confronta com o medo da vitalidade (ou seria da perda dela?) especialmente quando ela habita corpos que a sociedade insiste em domesticar.

Uma mulher foi internada à força por continuar sendo o que sempre foi: viva, alegre, livre.
Mas o que tentaram trancar era justamente o que a sustentava.

Entre o controle familiar e o acolhimento das amizades, o filme revela que a liberdade também é uma forma de saúde.
E que cuidar nunca é o mesmo que conter!

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Botucatu, SP

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