16/03/2026
Às vezes é impossível não olhar para o mundo e sentir vergonha da nossa própria espécie.
Enquanto o planeta entra em colapso climático, florestas desaparecem, oceanos se enchem de plástico e espécies inteiras são empurradas para a extinção, a humanidade continua gastando trilhões para aperfeiçoar a única coisa que realmente domina: a arte de destruir a si mesma.
Guerras não têm vencedores. Só cadáveres, cidades em ruínas e gerações traumatizadas. Ainda assim, seguimos financiando bombas enquanto milhões passam fome, enquanto pessoas dormem nas ruas, enquanto faltam recursos para aquilo que realmente sustenta a vida.
Vivemos em um sistema que nos convenceu de que isso é normal. Trabalhar até a exaustão para mal conseguir sobreviver. Aceitar que a riqueza absurda de poucos vale mais do que a dignidade de bilhões. Acreditar que o sentido da vida está em consumir, comprar, acumular, descartar; como se fôssemos máquinas programadas para manter um ciclo infinito de produção e lixo.
Produzimos mais do que nunca, mas nos sentimos cada vez mais vazios. Consumimos mais do que nunca, mas o planeta paga a conta. E enquanto isso, a natureza é tratada como um recurso descartável.
Talvez a maior tragédia da humanidade não seja apenas a guerra, a desigualdade ou a destruição ambiental.
Talvez seja o fato de que nos acostumamos com tudo isso.
Nos convenceram de que esse modelo de mundo é inevitável e de que não há alternativa.
Mas há.
O primeiro passo é parar de fingir que isso é civilização. Porque, olhando de fora, a verdade é muito mais simples e muito mais cruel:
Nós somos a única espécie capaz de destruir deliberadamente o próprio lar.
E ainda chamar isso de progresso.