Dr Leandro Machado

Dr Leandro Machado Infectologia pelo HUB/UnB
Mestre em infectologia e medicina tropical-UnB

Infectologia do Hospital Brasília
Médico do Núcleo de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde - Hospital Brasília

Sim — e a ciência já deixou isso bem claro. A obesidade não é apenas um acúmulo de gordura: ela provoca um estado de inf...
03/02/2026

Sim — e a ciência já deixou isso bem claro. A obesidade não é apenas um acúmulo de gordura: ela provoca um estado de inflamação crônica de baixo grau, que altera profundamente o funcionamento do sistema imunológico. O resultado é um organismo constantemente “ativado”, porém menos eficiente para responder a novas infecções.

Estudos populacionais mostram que pessoas com obesidade apresentam maior frequência de infecções ao longo do tempo, especialmente infecções de pele, trato urinário e respiratórias. Não é apenas gravidade: é repetição. Mesmo após ajustes para diabetes e outras comorbidades, a obesidade permanece como fator de risco independente.

Do ponto de vista imunológico, o tecido adiposo passa a funcionar como um órgão inflamatório ativo, liberando citocinas como TNF-α e IL-6. Isso leva à disfunção de macrófagos, neutrófilos e linfócitos, prejudicando tanto a imunidade inata quanto a adaptativa. Na prática, o corpo demora mais para eliminar microrganismos e forma menos memória imunológica, favorecendo reinfecções.

Outro ponto importante: pessoas obesas podem até responder à vacinação, mas os estudos mostram queda mais rápida dos anticorpos ao longo do tempo, o que ajuda a explicar por que alguns pacientes vacinados adoecem repetidamente. Além disso, alterações na farmacocinética dos antibióticos podem contribuir para falhas terapêuticas e recidivas.

Por isso, hoje entendemos a obesidade como uma forma de imunodeficiência funcional adquirida. Não é imunodeficiência primária, mas é um estado em que o sistema imune não funciona em sua melhor capacidade. Reconhecer isso muda a forma de avaliar pacientes com infecção de repetição — e reforça que tratar obesidade também é estratégia de prevenção infecciosa.

Quando falamos de infecção de repetição, muita gente pensa apenas em remédio, antibiótico ou imunidade “baixa”.Mas a ciê...
31/01/2026

Quando falamos de infecção de repetição, muita gente pensa apenas em remédio, antibiótico ou imunidade “baixa”.
Mas a ciência moderna mostra que o sistema imunológico não funciona isolado — ele responde ao estado geral do corpo. E é aí que a musculação entra.

Treino de força não é só estética. Ele é um estímulo biológico complexo, capaz de modular inflamação, imunidade e capacidade de defesa do organismo.

🧠 O que acontece no corpo quando você treina musculação?

Cada sessão de treino resistido provoca uma mobilização transitória de células do sistema imune (linfócitos, células NK, monócitos), aumentando a chamada imunovigilância — ou seja, a capacidade do corpo de identificar e responder a ameaças.

Quando esse estímulo é repetido de forma regular e bem dosada, o efeito deixa de ser apenas momentâneo e passa a gerar adaptações crônicas:
• melhor comunicação entre células imunes
• menor inflamação basal
• resposta imune mais eficiente e organizada

Isso é fundamental para quem vive em um estado de adoecer recorrente.

🫁 Imunidade de mucosa: a primeira linha de defesa

Grande parte das infecções de repetição começa nas mucosas (vias respiratórias, trato gastrointestinal).
Estudos mostram que a musculação pode aumentar a IgA salivar, um dos principais anticorpos responsáveis pela proteção dessas superfícies.

👉 Na prática, isso significa reforçar a barreira inicial contra vírus e bactérias — antes mesmo de eles causarem doença.

🔥 Inflamação crônica: o inimigo silencioso da imunidade

Muitos pacientes com infecções frequentes vivem em um estado de inflamação de baixo grau.
Esse tipo de inflamação:
• consome energia metabólica
• prejudica o sono
• piora a resposta vacinal
• torna a imunidade menos eficiente

A musculação, quando bem prescrita, atua como um anti-inflamatório comportamental.
Meta-análises mostram redução de marcadores como PCR e IL-6, especialmente em adultos e idosos.

Menos inflamação = sistema imune mais funcional.

28/01/2026

Crioterapia de corpo inteiro (–142 °C) e recovery: o que a ciência mostra

A crioterapia de corpo inteiro (Whole-Body Cryotherapy – WBC), com exposições a temperaturas extremamente baixas (–110 °C a –150 °C), tem sido utilizada como estratégia de recovery pós-treinamento e adjuvante na recuperação de lesões musculoesqueléticas, especialmente em atletas e indivíduos submetidos a alta carga física.

Do ponto de vista fisiológico, os principais efeitos descritos na literatura incluem:
• vasoconstrição periférica intensa, com redução do fluxo sanguíneo local
• diminuição da permeabilidade capilar, contribuindo para menor edema
• modulação da resposta inflamatória, com redução de mediadores pró-inflamatórios
• efeito analgésico, associado à redução da condução nervosa periférica
• redução da temperatura muscular, diminuindo o metabolismo tecidual no período pós-esforço

Revisões sistemáticas e meta-análises mostram que estratégias de crioterapia, incluindo WBC e imersão em água fria, estão associadas de forma consistente à redução da dor muscular tardia (DOMS) entre 24 e 96 horas após exercícios intensos, além de menor percepção subjetiva de fadiga e melhor sensação de recuperação.

Esses efeitos são particularmente relevantes em cenários de:
• treinos intensos e frequentes
• competições com curto intervalo de recuperação
• fases de alta carga física
• retorno precoce à atividade após lesão, como terapia adjuvante

Por outro lado, a literatura também é clara em apontar que a crioterapia não deve ser utilizada de forma indiscriminada. O uso frequente e crônico, especialmente em programas focados em hipertrofia e adaptações musculares de longo prazo, pode atenuar respostas inflamatórias necessárias ao processo adaptativo, reduzindo sinais envolvidos na síntese proteica muscular.

Ou seja:
🧠 o benefício da crioterapia está no recovery de curto prazo, no controle de dor, inflamação e fadiga — não na substituição do treino, do descanso ou da reabilitação ativa.

Quando bem indicada, a crioterapia deixa de ser “moda” e passa a ser ferramenta estratégica baseada em fisiologia e evidência científica.

Em 2011, quando eu ainda era acadêmico de medicina, vivi um momento que mudou completamente a minha trajetória.Consegui ...
25/01/2026

Em 2011, quando eu ainda era acadêmico de medicina, vivi um momento que mudou completamente a minha trajetória.

Consegui ingressar em uma pós-graduação no Núcleo de Medicina Tropical antes mesmo de me formar. Fui o primeiro aluno da faculdade a fazer uma pós-graduação ainda na graduação. Na época, talvez poucos entendessem o tamanho disso — mas eu sentia que algo grande estava começando ali.

Essa foto reúne as pessoas que fizeram parte desse momento: gente de outros estados, de fora do país, trajetórias diferentes, olhares diversos. Um ambiente intenso, exigente, e ao mesmo tempo extremamente formador. Foi ali que minha visão de medicina, pesquisa e ciência se ampliou de verdade.

Essa pós-graduação abriu a porta para o mestrado. E o mestrado veio de um jeito ainda mais improvável: fiz mestrado junto com a residência médica, com duas matrículas simultâneas na Universidade de Brasília — residência e mestrado. Até onde sei, fui o único aluno a conseguir isso naquele momento.

Não foi fácil. Foi cansativo, exigiu escolhas difíceis, disciplina e muita resiliência. Mas olhando hoje, entendo que cada passo fez sentido. Essa foto não é só uma lembrança acadêmica. É o registro de quando portas começaram a se abrir porque eu decidi bater — mesmo quando ainda diziam que não era possível.

Algumas histórias começam pequenas. Outras começam improváveis. Essa começou antes do tempo.

Esses dois livros não surgiram por acaso — eles nasceram da prática real, do dia a dia intenso, das decisões difíceis e ...
24/01/2026

Esses dois livros não surgiram por acaso — eles nasceram da prática real, do dia a dia intenso, das decisões difíceis e da necessidade constante de ir além do óbvio.

O primeiro foi escrito a partir da linha de frente da medicina, onde o erro custa caro e o tempo define desfechos. Falar de sepse em pacientes imunocomprometidos é falar de complexidade clínica, de fisiopatologia fina, de diagnóstico que exige atenção absoluta e de terapêutica individualizada. É um livro que nasceu do cuidado com quem está mais vulnerável e da obrigação de estudar profundamente antes de decidir.

O segundo veio de outra dor igualmente real: a de perceber que bons médicos, bons profissionais e bons serviços muitas vezes fracassam não por falta de competência técnica, mas por falta de estrutura, estratégia e comunicação. Ele foi escrito para mostrar que é possível atrair, vender e fidelizar sem perder ética, sem banalizar a medicina e sem transformar o cuidado em produto vazio.

Os dois livros dialogam mais do que parece. Um fala de salvar vidas. O outro, de sustentar projetos para que esse cuidado continue existindo. Ciência e estratégia. Técnica e visão. Propósito e execução.

Se acontece sempre, não é coincidência.Infecção que volta uma, duas, três vezes não é azar.Não é “imunidade baixa genéri...
20/01/2026

Se acontece sempre, não é coincidência.

Infecção que volta uma, duas, três vezes não é azar.
Não é “imunidade baixa genérica”.
E quase nunca se resolve repetindo antibiótico.

A ciência é clara: infecções recorrentes seguem padrões.
Quando o organismo adoece sempre do mesmo jeito, isso pode indicar que o sistema imunológico não está respondendo como deveria — mesmo em adultos, mesmo com exames básicos “normais”.

Estudos mostram que muitas pessoas com infecção de repetição apresentam alterações na produção de anticorpos, na resposta vacinal ou nas células de defesa.
Ou seja: o problema não é a infecção em si, é o terreno onde ela acontece.

Tratar cada episódio isoladamente melhora o sintoma, mas não muda a história.
A mudança real vem com investigação adequada, diagnóstico correto e tratamento direcionado.

Se acontece sempre, não é coincidência.
É um sinal de que algo precisa ser investigado — não ignorado.

Antes de entrar numa luta com alguém, eu observo.Ritmo, padrão, onde o erro começa — não onde ele aparece.Na medicina, i...
18/01/2026

Antes de entrar numa luta com alguém, eu observo.
Ritmo, padrão, onde o erro começa — não onde ele aparece.

Na medicina, infecção de repetição exige exatamente o mesmo tipo de leitura.

A maior parte dos casos não persiste por falha do antibiótico, nem por “azar do paciente”.
O que a literatura mostra de forma consistente é outra coisa: erro ou atraso diagnóstico.

Infecções respiratórias, urinárias e de pele estão entre as mais frequentemente mal diagnosticadas.
O erro geralmente acontece cedo, na formulação da hipótese — quando se trata cada episódio como um evento isolado e não como parte de um padrão.

Exames “normais” reforçam um falso senso de segurança e fazem o raciocínio parar cedo demais.
Mas normalidade laboratorial não exclui falhas funcionais da imunidade, defeitos de memória imune ou causas sistêmicas subjacentes.

Quando o médico reage ao episódio sem observar o padrão, o tratamento vira repetição.
E repetição sem análise não é estratégia — é improviso clínico.

Infecção de repetição não pede mais pressa.
Pede olhar treinado, leitura longitudinal e diagnóstico bem feito.

Você vive tratando infecção atrás de infecção, muda antibiótico, repõe vitamina, tenta “fortalecer a imunidade”… e nada ...
17/01/2026

Você vive tratando infecção atrás de infecção, muda antibiótico, repõe vitamina, tenta “fortalecer a imunidade”… e nada muda?
Talvez o problema não seja o tratamento, mas o diagnóstico que nunca foi feito.

Infecção de repetição não é normal, não é azar e muito menos “frescura”. Quando o corpo adoece com frequência, ele está dando sinais claros de que algo não está funcionando como deveria no sistema imunológico.

16/01/2026
Infecção de repetição não é azar.É sinal de falha no sistema.As revisões sistemáticas mais recentes mostram um ponto em ...
14/01/2026

Infecção de repetição não é azar.
É sinal de falha no sistema.

As revisões sistemáticas mais recentes mostram um ponto em comum: quando uma infecção “sempre volta”, o problema raramente é apenas o micro-organismo.

Em quadros como candidíase vulvovaginal recorrente e infecção urinária de repetição, o tratamento episódico resolve o sintoma, mas não corrige o mecanismo de base.

O que os estudos demonstram com consistência?

🔹 A recorrência está associada a alterações da imunidade local e sistêmica
🔹 Existe papel central da disbiose vaginal e intestinal
🔹 O uso repetido de antibióticos e antifúngicos seleciona resistência e perpetua o ciclo
🔹 Biofilmes, persistência intracelular e inflamação crônica explicam falhas terapêuticas mesmo com medicação “correta”
🔹 Em parte dos pacientes, há imunodeficiências leves ou subdiagnosticadas, especialmente defeitos de resposta de anticorpos

Nas candidíases recorrentes, cresce a participação de espécies não-albicans, menos sensíveis aos azóis.
Nas ITUs recorrentes, já está claro que não se trata apenas de “nova contaminação”, mas de doença imunomediada da mucosa urinária.

👉 Tratar crise após crise não resolve.
👉 Suprimir o patógeno sem avaliar o terreno mantém a recorrência.

O manejo moderno exige:
✔️ Identificar o fenótipo da recorrência
✔️ Avaliar imunidade, microbiota e fatores hormonais
✔️ Reduzir dano iatrogênico por tratamentos repetitivos
✔️ Pensar em prevenção, não só em erradicação

Infecção de repetição é um diagnóstico sindrômico, não um rótulo.
E quando o corpo insiste em repetir o mesmo erro, o problema quase sempre está na resposta, não no invasor.

Se você convive com infecções que sempre voltam, a pergunta não é “qual remédio usar agora?”
É: “por que meu sistema não está conseguindo resolver isso?”

Se você precisa de acompanhamento para HIV/AIDS, quer cuidar da prevenção de ISTs ou deseja iniciar a PrEP, estou atende...
15/08/2025

Se você precisa de acompanhamento para HIV/AIDS, quer cuidar da prevenção de ISTs ou deseja iniciar a PrEP, estou atendendo gratuitamente no Centro Integrado Ambulatorial da Universidade Católica de Brasília.

📍 Atendimento presencial de segunda a sexta-feira
📌 Campus I – Pistão Sul, Taguatinga-DF

📞 Ligue para agendar: 3356-9107 | 3356-9108
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💙 Saúde com acolhimento, respeito e informação para a comunidade LGBTQIAPN+.

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