Dr Leandro Machado

Dr Leandro Machado Infectologia pelo HUB/UnB
Mestre em infectologia e medicina tropical-UnB

Infectologia do Hospital Brasília
Médico do Núcleo de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde - Hospital Brasília

03/04/2026

A infecção urinária de repetição não é apenas a soma de episódios isolados. A literatura atual mostra que ela resulta de uma combinação de fatores: disbiose vaginal e intestinal, maior adesão bacteriana ao urotélio, alterações hormonais e impacto do uso prévio de antibióticos.

Por isso, a prevenção moderna deixou de ser centrada apenas em antibiótico. Hoje, a abordagem é escalonada e individualizada, começando por medidas comportamentais e avançando para estratégias não antibióticas com evidência, como cranberry, metenamina e estrogênio vaginal em mulheres pós-menopausa. Essas intervenções atuam reduzindo a colonização bacteriana e restaurando mecanismos naturais de defesa, sem aumentar resistência.

Ao mesmo tempo, o uso repetido de antibióticos, quando não bem indicado, pode perpetuar o problema ao favorecer bactérias mais resistentes e desequilíbrio da microbiota. Por isso, tratar cada episódio sem investigar a causa muitas vezes mantém o ciclo.

A chave está em mudar o raciocínio: não é só tratar a infecção — é entender por que ela continua voltando.

02/04/2026

A quantidade de água que você bebe tem impacto direto no risco de infecção urinária, principalmente nos casos de recorrência.

Quando a ingestão de líquidos é baixa, dois mecanismos importantes entram em jogo:

• a urina f**a mais concentrada
• a frequência urinária diminui

Isso altera o equilíbrio do trato urinário.

Na prática, signif**a que as bactérias permanecem por mais tempo em contato com a bexiga, aumentando a chance de colonização e infecção.

A principal bactéria envolvida, a Escherichia coli, tem alta capacidade de adesão e multiplicação. Quando não há fluxo urinário adequado, esse processo se torna ainda mais eficiente.

Além disso, a baixa hidratação contribui para:

• menor “efeito de lavagem” do trato urinário
• aumento da carga bacteriana ao longo do tempo
• maior chance de recorrência, especialmente em pacientes predispostas

Esse ponto é central no entendimento da infecção urinária de repetição.

Não se trata apenas da presença da bactéria, mas do ambiente que permite que ela permaneça e se multiplique.

Por isso, a hidratação adequada não é apenas uma recomendação geral de saúde, mas parte do mecanismo de prevenção.

Urinar com mais frequência reduz o tempo de contato da bactéria com o urotélio e dificulta a progressão da infecção.

Se as infecções são frequentes, esse é um dos primeiros pontos que precisa ser ajustado.

RT: Dr. Leandro Correia Machado | CRM-DF 18903

02/04/2026

Nem toda ferida na região ge***al é herpes.

Apesar de ser uma causa frequente, existem diversas condições que podem causar lesões semelhantes, e o diagnóstico apenas pela aparência pode levar a erros.

O herpes simples tem um padrão relativamente característico:

• vesículas agrupadas que evoluem para úlceras dolorosas
• sintomas prévios, como ardor ou formigamento
• recorrência ao longo do tempo, devido à latência viral 

Mesmo assim, esse padrão não está presente em todos os casos.

Outras condições que podem mimetizar herpes incluem:

• infecções bacterianas
• dermatites e irritações locais
• outras infecções sexualmente transmissíveis

Além disso, o herpes pode apresentar fases sem lesões visíveis, com eliminação viral assintomática, o que torna o diagnóstico ainda mais complexo 

Por isso, o diagnóstico não deve ser baseado apenas na aparência da lesão.

Avaliar o padrão clínico, o histórico e, quando necessário, confirmar com exames é essencial para um manejo adequado.

RT: Dr. Leandro Correia Machado | CRM-DF 18903

10/03/2026

A ciência mostra que o sistema imunológico é profundamente influenciado por hábitos cotidianos. Pequenas mudanças consistentes podem melhorar a capacidade do organismo de responder a infecções e regular processos inflamatórios.

1️⃣ Sono de qualidade
Dormir bem é essencial para a imunidade. Durante o sono ocorre a liberação de citocinas e a organização da resposta imunológica. Estudos mostram que pessoas que dormem menos de 6 horas por noite apresentam maior risco de infecções respiratórias e pior resposta às vacinas.

2️⃣ Alimentação equilibrada
Uma dieta rica em frutas, vegetais, fibras, proteínas adequadas e gorduras saudáveis fornece nutrientes essenciais para a imunidade. Vitaminas como C e D, além de zinco, selênio e ferro, participam de diversas etapas da defesa do organismo. Além disso, a alimentação influencia diretamente a microbiota intestinal, que tem papel central na regulação do sistema imune.

3️⃣ Atividade física regular
Exercícios moderados melhoram a circulação de células de defesa e ajudam a reduzir inflamação crônica de baixo grau. Por outro lado, treinos excessivos sem recuperação adequada podem causar imunossupressão temporária.

4️⃣ Controle do estresse
O estresse crônico aumenta a produção de cortisol. Quando esse hormônio permanece elevado por muito tempo, ele pode suprimir a função imunológica e aumentar a susceptibilidade a infecções.

5️⃣ Saúde intestinal
Grande parte do sistema imunológico está associada ao intestino. Uma microbiota saudável ajuda na maturação e na regulação das células de defesa. Dietas ricas em fibras e alimentos minimamente processados favorecem esse equilíbrio.

6️⃣ Vitamina D e exposição solar
A vitamina D possui importante papel imunomodulador, influenciando tanto a imunidade inata quanto a adaptativa. Níveis adequados estão associados a melhor regulação da inflamação e a menor risco de algumas infecções respiratórias.

✔️ Em resumo: sono, alimentação, exercício, manejo do estresse e saúde intestinal formam a base da imunidade.

Antes de buscar soluções rápidas ou suplementos isolados, vale lembrar: a imunidade forte é construída diariamente pelo estilo de vida.

08/03/2026

Infecção urinária após relação sexual: por que acontece?

A chamada cistite pós-coital é uma das formas mais comuns de infecção urinária em mulheres sexualmente ativas. Estudos mostram que a relação sexual é um dos principais fatores precipitantes de infecção urinária recorrente, especialmente nas primeiras 24–48 horas após o contato íntimo.

Durante a relação, ocorre a mobilização de bactérias da região perineal para a uretra. A uretra feminina é curta e próxima ao â**s, o que facilita a ascensão de microrganismos para a bexiga. A bactéria mais frequentemente envolvida é a Escherichia coli, responsável por cerca de 70–90% das infecções urinárias não complicadas.

Além do mecanismo mecânico da relação sexual, alguns fatores aumentam o risco:
• histórico de infecção urinária recorrente
• uso de espermicidas
• alterações da microbiota vaginal
• baixa ingestão de líquidos
• atraso para urinar após a relação
• predisposição genética relacionada à adesão bacteriana ao urotélio

Algumas medidas simples podem ajudar a reduzir o risco de cistite pós-coital:
✔ urinar após a relação sexual
✔ manter boa hidratação
✔ evitar espermicidas quando possível
✔ tratar alterações da microbiota vaginal
✔ em casos recorrentes, discutir estratégias preventivas com o médico

Em pacientes com episódios frequentes, pode ser necessário investigar fatores predisponentes, como alterações imunológicas, hormonais ou anatômicas.

Se você tem infecção urinária repetidamente após relações se***is, isso não deve ser considerado “normal”. Existe investigação e tratamento adequados.

01/03/2026

Alguns alimentos podem atuar como gatilho em pessoas com herpes simples de repetição, especialmente quando há consumo excessivo ou associação com outros fatores como estresse e privação de sono. A evidência científ**a não sustenta listas extensas de proibições, mas aponta alguns pontos relevantes.

O primeiro grupo envolve alimentos ricos em arginina, aminoácido utilizado pelo vírus herpes simplex (HSV) no seu processo de replicação. Entre eles estão o chocolate (especialmente cacau), o amendoim e as nozes e castanhas quando consumidas em excesso. A relação entre arginina e replicação viral é bem estabelecida em estudos laboratoriais, e observações clínicas sugerem que indivíduos suscetíveis podem apresentar reativações após ingestão elevada desses alimentos. Não se trata de proibição absoluta, mas de observar padrão individual.

Outro ponto com base mecanística mais consistente é o uso de suplementos contendo arginina isolada. Diferente do consumo alimentar habitual, a suplementação pode elevar signif**ativamente os níveis circulantes desse aminoácido, criando um ambiente metabólico mais favorável à replicação viral.

Por fim, o consumo excessivo de álcool também merece atenção. Embora não atue diretamente sobre a arginina, o álcool reduz a resposta imune celular, aumenta inflamação sistêmica e prejudica o sono — fatores reconhecidos como desencadeadores de reativação do HSV.

Em resumo, não existe uma “dieta proibida” para herpes. O que a ciência sugere é cautela com excesso de alimentos ricos em arginina, evitar suplementação de arginina e moderar o consumo de álcool, sempre considerando a susceptibilidade individual.

28/02/2026

Depois a vida adulta chegou — e com ela o estresse, as noites mal dormidas, a alimentação corrida, a sobrecarga mental.

E sabe quem sente tudo isso?
O sistema imunológico.

Muita gente que sofre com infecção de repetição não percebe que o corpo está apenas respondendo a anos de desgaste.
Imunidade não é só “não f**ar doente”.
É equilíbrio entre sono, metabolismo, saúde mental, microbiota e resposta inflamatória.

Quando esse equilíbrio quebra, as infecções deixam de ser episódio e viram padrão.

Não é nostalgia da infância.
É ciência.

Cuidar da imunidade é reconstruir a base que a vida adulta desorganizou.

27/02/2026

Herpes de repetição é uma condição comum, mas ainda cercada de mitos.

Após a infecção inicial pelo HSV-1 ou HSV-2, o vírus migra pelos nervos e permanece em latência nos gânglios sensitivos. Ele não é eliminado do corpo — pode reativar periodicamente, dependendo da interação entre vírus e sistema imune.

Aqui estão 10 pontos essenciais:

1️⃣ Não é reinfecção.
A crise é reativação do vírus já presente no organismo.

2️⃣ O vírus f**a latente no nervo.
Essa é a razão das recorrências.

3️⃣ Pródromo é sinal precoce.
Formigamento e ardor indicam início da replicação viral.

4️⃣ Sono ruim facilita reativação.
Impacta a resposta imune celular.

5️⃣ Sol é gatilho comum.
Principalmente no herpes labial.

6️⃣ Antiviral precoce reduz intensidade.
Iniciar na fase inicial muda o curso da crise.

7️⃣ Com o tempo pode melhorar.
Muitos pacientes têm menos episódios ao longo dos anos.

8️⃣ Pode transmitir sem lesão.
Existe eliminação viral assintomática.

9️⃣ Imunidade individual influencia frequência.
Diferenças na resposta imune explicam recorrências mais intensas em alguns pacientes.

🔟 Tratamento supressivo é opção baseada em evidência.
Indicado para quem tem múltiplas crises ao ano.

Herpes de repetição não é falta de cuidado.
É uma condição virológica que exige estratégia — não apenas tratamento pontual.

27/02/2026

Tenho acompanhado o serviço de Erros Inatos da Imunidade no Hospital das Clínicas da USP, e essa vivência tem sido um mergulho ainda mais profundo na imunologia clínica.

Quem trabalha com infecções de repetição sabe que, muitas vezes, o problema não está apenas no microrganismo, mas na forma como o sistema imune responde — ou deixa de responder. E compreender isso exige ir além do básico, além do protocolo, além da conduta automática. Exige discutir casos complexos, revisar conceitos, entender subpopulações linfocitárias, função de anticorpos, genética aplicada, indicação criteriosa de imunoglobulina e imunobiológicos. É medicina construída no detalhe.

Mesmo depois da residência, do mestrado e de anos atendendo pacientes com imunodeficiência e infecções recorrentes, continuo escolhendo ambientes que me desafiem intelectualmente. Porque a medicina evolui. A ciência avança. E o raciocínio clínico precisa evoluir junto.

Cada discussão que acontece aqui amplia minha visão e refina meu olhar para o paciente real, aquele que chega ao consultório com uma história longa de infecções, frustrações e tentativas de tratamento.

Buscar conhecimento não é sobre currículo.
É sobre nunca se acomodar.

E essa construção contínua é o que sustenta uma medicina mais precisa, mais profunda e mais individualizada.

20/02/2026

Consideramos recorrente quando ocorrem 2 episódios em 6 meses ou 3 em 1 ano. Antes de pensar em prevenção, é essencial confirmar o diagnóstico. Nem toda ardência ao urinar é infecção. Sempre que possível, o episódio deve ser documentado com urocultura e é fundamental excluir condições que imitam ITU, como candidíase, vaginose, atrofia vaginal na menopausa, dor do assoalho pélvico ou cistite intersticial.

Também não se deve tratar bactéria na urina sem sintomas. Isso aumenta a resistência bacteriana e pode piorar o problema.

Após confirmar o diagnóstico, a investigação deve ser individualizada. Avaliamos relação com atividade sexual, uso repetido de antibióticos, alterações glicêmicas, constipação, menopausa, esvaziamento incompleto da bexiga, cálculos urinários e, em alguns casos, alterações imunológicas.

Medidas simples já reduzem muito as recorrências: hidratação adequada, urinar após relação, tratar constipação, evitar duchas vaginais e corrigir atrofia vaginal com estrogênio local quando indicado. Só depois disso consideramos prevenção medicamentosa, que pode incluir opções não antibióticas ou, em casos específicos, antibiótico em baixa dose por tempo determinado.

Infecção urinária de repetição é um sinal de que algo precisa ser investigado. O tratamento começa pelo diagnóstico correto e por uma abordagem personalizada.

19/02/2026

1️⃣ Beba mais água todos os dias
Aumentar a ingestão hídrica reduz episódios e o uso de antibióticos.

2️⃣ Não segure a urina por longos períodos
Urinar com intervalos regulares diminui o tempo de contato da bactéria com a bexiga.

3️⃣ Urine após relação sexual
Ajuda a eliminar bactérias introduzidas na uretra.

4️⃣ Evite espermicidas e diafragma
Eles alteram o microbioma vaginal e aumentam risco de recorrência.

5️⃣ Trate constipação intestinal
Intestino preso aumenta colonização por bactérias uropatogênicas.

6️⃣ Em pós-menopausa: use estrogênio vaginal (quando indicado)
Restaura flora vaginal protetora e reduz recorrência.

7️⃣ Considere cranberry padronizado
Pode reduzir adesão da E. coli ao epitélio urinário.

8️⃣ Avalie alternativas não antibióticas como metenamina
Pode prevenir recorrência sem gerar resistência bacteriana.

9️⃣ Não trate bacteriúria assintomática
Tomar antibiótico sem sintomas aumenta resistência e piora o ciclo.

🔟 Investigue causas ocultas se as infecções persistirem
Alterações imunológicas, anatômicas ou metabólicas precisam ser avaliadas.

Essa foto não é estética.É consequência.Meus pais faliram. Não tinha dinheiro para cursinho. Consegui uma bolsa no WR, e...
17/02/2026

Essa foto não é estética.
É consequência.

Meus pais faliram. Não tinha dinheiro para cursinho. Consegui uma bolsa no WR, em Goiânia. Aquilo não era oportunidade — era responsabilidade.

Estudei como quem não tinha plano B. Passei em Medicina na UnB. E mesmo depois de aprovado, teve dia em que eu não tinha dinheiro para o ônibus de volta para casa. Teve dia de contar moeda. Teve dia de ir para aula com pressão por dentro e silêncio por fora.

Mas eu nunca parei.

Vieram residência, mestrado, infectologia na linha de frente, imunodeficiências, casos complexos. Empreendi. Estruturei clínica. Assumi risco. Aguentei pressão.

Sou autista. Descobri já adulto. Transformei diferença em força. Hiperfoco em profundidade. Intensidade em disciplina.

O Jiu-Jitsu só confirmou o que a vida já tinha ensinado: desconforto constrói. Pressão revela. Constância vence.

Nada foi dado.
Foi construído.

Sem desculpa.
Sem atalho.
Só decisão.

Endereço

CECIM/Centro Clínico Integrado Ceci Machado , Setor Hospitalar Sul 716, Ed OHB Conjunto A, Bloco B Sala 623 E 625-
Brasília, DF
70.390-906

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