03/04/2026
A infecção urinária de repetição não é apenas a soma de episódios isolados. A literatura atual mostra que ela resulta de uma combinação de fatores: disbiose vaginal e intestinal, maior adesão bacteriana ao urotélio, alterações hormonais e impacto do uso prévio de antibióticos.
Por isso, a prevenção moderna deixou de ser centrada apenas em antibiótico. Hoje, a abordagem é escalonada e individualizada, começando por medidas comportamentais e avançando para estratégias não antibióticas com evidência, como cranberry, metenamina e estrogênio vaginal em mulheres pós-menopausa. Essas intervenções atuam reduzindo a colonização bacteriana e restaurando mecanismos naturais de defesa, sem aumentar resistência.
Ao mesmo tempo, o uso repetido de antibióticos, quando não bem indicado, pode perpetuar o problema ao favorecer bactérias mais resistentes e desequilíbrio da microbiota. Por isso, tratar cada episódio sem investigar a causa muitas vezes mantém o ciclo.
A chave está em mudar o raciocínio: não é só tratar a infecção — é entender por que ela continua voltando.