03/02/2026
Sim — e a ciência já deixou isso bem claro. A obesidade não é apenas um acúmulo de gordura: ela provoca um estado de inflamação crônica de baixo grau, que altera profundamente o funcionamento do sistema imunológico. O resultado é um organismo constantemente “ativado”, porém menos eficiente para responder a novas infecções.
Estudos populacionais mostram que pessoas com obesidade apresentam maior frequência de infecções ao longo do tempo, especialmente infecções de pele, trato urinário e respiratórias. Não é apenas gravidade: é repetição. Mesmo após ajustes para diabetes e outras comorbidades, a obesidade permanece como fator de risco independente.
Do ponto de vista imunológico, o tecido adiposo passa a funcionar como um órgão inflamatório ativo, liberando citocinas como TNF-α e IL-6. Isso leva à disfunção de macrófagos, neutrófilos e linfócitos, prejudicando tanto a imunidade inata quanto a adaptativa. Na prática, o corpo demora mais para eliminar microrganismos e forma menos memória imunológica, favorecendo reinfecções.
Outro ponto importante: pessoas obesas podem até responder à vacinação, mas os estudos mostram queda mais rápida dos anticorpos ao longo do tempo, o que ajuda a explicar por que alguns pacientes vacinados adoecem repetidamente. Além disso, alterações na farmacocinética dos antibióticos podem contribuir para falhas terapêuticas e recidivas.
Por isso, hoje entendemos a obesidade como uma forma de imunodeficiência funcional adquirida. Não é imunodeficiência primária, mas é um estado em que o sistema imune não funciona em sua melhor capacidade. Reconhecer isso muda a forma de avaliar pacientes com infecção de repetição — e reforça que tratar obesidade também é estratégia de prevenção infecciosa.