26/01/2026
Nos últimos dias, publicamos aqui no perfil da Luz de Candeeiro uma postagem comparando alguns impactos do parto vaginal em relação à cesariana. Esse tipo de conteúdo faz parte do nosso compromisso com a divulgação de informação baseada em evidências, especialmente para mulheres que estão em processo de escolha sobre a via de nascimento.
A partir dessa publicação (e de outras varias) , surge uma reflexão importante sobre como esse tipo de comparação pode ser sentida por mulheres que já passaram por uma cesariana. E achamos fundamental abrir esse diálogo.
Queremos deixar claro: não falamos a partir de um lugar de julgamento. Falamos a partir de um lugar de cuidado, estudo e vivência. Inclusive, quem escreve e produz esse conteúdo aqui também já viveu uma cesariana intraparto, após muita expectativa e preparação para um parto vaginal. Sabemos que essa experiência pode ser atravessada por frustrações, lutos e ressignificações e isso merece acolhimento.
Ao mesmo tempo, acreditamos que informar é um ato de cuidado. Comparar benefícios e riscos faz sentido quando existe possibilidade de escolha. Quando os riscos do parto vaginal superam seus benefícios, a cesariana deixa de ser uma alternativa e passa a ser, com toda legitimidade, o melhor caminho. Nesses contextos, não há hierarquia possível entre as vias de nascimento.
Vivemos, porém, um cenário nacional em que as taxas de cesariana seguem crescendo e já ultrapassam 60%, muito acima do que é recomendado internacionalmente. Falar sobre isso é necessário: não para gerar culpa em quem já passou, mas para alcançar mulheres que ainda estão decidindo, oferecendo informações que as ajudem a fazer escolhas mais conscientes e seguras.
Seguimos acreditando que não existe parto ideal, existe o parto possível. E que toda história de nascimento é legítima, potente e digna de respeito, independentemente da via. Nosso compromisso é seguir comunicando com verdade, sensibilidade e responsabilidade-cuidando de quem já pariu e também de quem ainda vai parir 🤍