13/03/2026
No ambiente de terapia intensiva, o organismo está sob intenso estresse fisiológico. Sepse, trauma, pós-operatório complexo ou insuficiências orgânicas desencadeiam uma resposta inflamatória importante, com aumento do gasto energético, resistência à insulina, maior catabolismo proteico e alterações no uso de substratos.
Por isso, estimar necessidades apenas por fórmulas pode ser insuficiente. Sempre que possível, a calorimetria indireta é considerada o padrão-ouro para avaliar o gasto energético real. Quando não disponível, utilizam-se equações preditivas com cautela, reavaliando frequentemente a resposta clínica.
Além do gasto energético, a monitorização envolve:
• Controle glicêmico;
• Avaliação de balanço nitrogenado e oferta proteica;
• Análise de eletrólitos e risco de síndrome de realimentação;
• Acompanhamento de triglicerídeos em uso de nutrição parenteral;
• Evolução do peso, balanço hídrico e presença de edema…
Outro ponto essencial é entender a fase da doença: fase aguda precoce não é o momento de superalimentar. Estratégias mais conservadoras podem ser indicadas inicialmente, com progressão conforme estabilidade hemodinâmica e metabólica.
Monitorar é ajustar. Ajustar é individualizar.
E, no paciente crítico, individualização significa impacto direto em desfechos clínicos, tempo de internação e prognóstico. 💙
Refs 📑
Compher, C. et al. Guidelines for the provision of nutrition support therapy in the adult critically ill patient: Society of Critical Care Medicine (SCCM) and ASPEN. JPEN Journal of Parenteral and Enteral Nutrition, v. 46, n. 1, p. 12–41, 2022.
Singer, P. et al. ESPEN practical guideline: Clinical nutrition in the intensive care unit. Clinical Nutrition, v. 40, n. 2, p. 388–404, 2021.