22/12/2025
Nem v**e nem tabaco aquecido: nicotina é tóxica para o coração em qualquer forma, diz revisão internacional
Revisão publicada na revista científ**a “European Heart Journal” afirma que v**es, bolsas de nicotina e tabaco aquecido também aumentam o risco cardiovascular.
Por Redação g1
Essa é a principal conclusão de um artigo internacional publicado nesta quinta-feira (18) na revista científ**a “European Heart Journal”, que reúne resultados de décadas de pesquisas sobre os efeitos da nicotina no sistema cardiovascular.
O trabalho foi liderado por pesquisadores do University Medical Center Mainz, na Alemanha, e envolveu especialistas de centros de pesquisa da Europa e dos Estados Unidos. Os autores afirmam que há hoje um consenso científico de que a nicotina, independentemente da forma de consumo, é tóxica para o sistema cardiovascular.
Nicotina como toxina cardiovascular
De acordo com o estudo, a nicotina:
ativa o sistema nervoso simpático,
eleva a pressão arterial,
aumenta a rigidez das artérias e
causa disfunção do endotélio — a camada interna dos vasos sanguíneos, considerada um marcador precoce de doença cardiovascular.
Os autores afirmam que esses efeitos aparecem independentemente do meio de consumo, incluindo ci****os tradicionais, ci****os eletrônicos, produtos de tabaco aquecido, narguilé e bolsas de nicotina usadas na boca.
“A nicotina não é um estimulante inofensivo; é uma toxina cardiovascular direta. Em ci****os, v**es, tabaco aquecido e sachês de nicotina, observamos de forma consistente aumento da pressão arterial, danos aos vasos sanguíneos e maior risco de doenças cardíacas. Nenhum produto que forneça nicotina é seguro para o coração", afirma o pesquisador Thomas Münzel. "A narrativa da ‘nicotina mais segura’ precisa acabar."
Jovens no centro da nova epidemia
O consenso chama atenção para o crescimento acelerado do uso de v**es e bolsas de nicotina entre adolescentes e adultos jovens. Dados reunidos no estudo indicam que até 75% dos jovens que usam ci****os eletrônicos nunca haviam fumado antes, o que contraria o discurso de redução de danos.
Segundo os autores, sabores atrativos, marketing em redes sociais e brechas regulatórias têm impulsionado uma nova geração de dependentes de nicotina, com potenciais impactos de longo prazo na saúde cardiovascular
Exposição passiva também preocupa
Outro ponto destacado é o risco da exposição passiva à fumaça e aos aerossóis. Mesmo exposições breves podem causar alterações vasculares mensuráveis em não usuários, especialmente crianças, gestantes e pessoas com doenças cardíacas prévias.
O estudo defende que leis antifumo devem ser ampliadas para incluir também ci****os eletrônicos, tabaco aquecido e narguilé.
Metodologia e limitações
O artigo é uma revisão sistemática e relatório de consenso, baseada na análise de estudos epidemiológicos, ensaios clínicos, experimentos laboratoriais e dados globais de carga de doença.
Os autores reconhecem que os efeitos de longo prazo de alguns produtos mais recentes ainda estão em investigação e que o uso combinado de diferentes formas de nicotina dificulta análises isoladas.Ainda assim, o grupo afirma que o conjunto das evidências é suficiente para uma conclusão clara: não existe produto com nicotina que seja seguro para o sistema cardiovascular.
Para eles, sem ação regulatória, o mundo corre o risco de enfrentar “a maior onda de dependência de nicotina desde os anos 1950”.
Fonte: g1.globo.com/saude