20/01/2026
Muito antes de existirem exames, sensores ou artigos científicos, monges tibetanos já utilizavam a voz como ferramenta de equilíbrio do corpo e da mente. Por séculos, práticas como mantras, cânticos graves e vibrações prolongadas fizeram parte da rotina diária nos mosteiros do Himalaia, não como religião apenas, mas como forma de regular o estado interno.
Hoje, a ciência começa a entender por que isso funciona.
Vivemos grande parte do tempo em estado de luta ou fuga. O corpo f**a em alerta, a respiração encurta e o sistema nervoso simpático domina. O que os monges faziam intuitivamente era ativar o caminho oposto: o sistema parassimpático, responsável por descanso, digestão e recuperação.
O principal canal desse sistema é o nervo vago, que percorre o pescoço e passa diretamente pelas cordas vocais. Quando uma pessoa entoa mantras como o “Om” ou produz sons contínuos e graves, ocorre uma vibração mecânica direta nessa região.
O que acontece biologicamente?
Estimulação vagal
A vibração sonora atua como uma massagem interna no nervo vago, enviando ao cérebro um sinal de segurança. Isso pode reduzir a frequência cardíaca, baixar a pressão arterial e acalmar rapidamente a resposta ao estresse, algo descrito hoje pela neurociência, mas praticado há séculos pelos monges.
Aumento do óxido nítrico nasal
Pesquisas conduzidas por cientistas ligados ao Instituto Karolinska (Suécia) mostraram que o humming (som contínuo com a boca fechada) aumenta a produção de óxido nítrico (NO) nos seios paranasais em até 15 vezes, comparado à respiração silenciosa.
O óxido nítrico é um potente vasodilatador, melhora a oxigenação do sangue e possui ação antimicrobiana, auxiliando na defesa das vias respiratórias. Ou seja: ao vibrar a voz, o corpo produz um “gás regulador” natural.
Tradição que atravessa culturas…
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🔍Fontes:
Weitzberg E., Lundberg J.O.
Humming greatly increases nasal nitric oxide.
American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, 2002.
DOI: 10.1164/rccm.200202-138BC
Lundberg J.O., Weitzberg E.
Nitric oxide signaling in health and disease.
Cell, 2013.
Porges S.W.
The Polyvagal Theory.
W. W. Norton & Company.