04/03/2026
Ainda é comum pensar no vício como resultado de falhas individuais, falta de controle ou decisões equivocadas. Na prática clínica, essa visão não se sustenta.
O vício é uma condição médica, com critérios diagnósticos bem definidos, que envolve alterações no funcionamento do cérebro e nos sistemas de recompensa, controle de impulsos e regulação emocional.
O desenvolvimento do transtorno é multifatorial, resultando da interação entre fatores genéticos, psicológicos, sociais e ambientais. Não se trata de uma escolha consciente de perder o controle, mas de um processo gradual que modifica padrões de comportamento e respostas cerebrais ao longo do tempo.
Quando o diagnóstico é feito precocemente e a intervenção ocorre de forma adequada, as chances de recuperação aumentam de maneira significativa. É importante compreender que a recuperação não acontece de forma linear: ela exige acompanhamento contínuo, estratégias ajustadas à realidade de cada pessoa e um ambiente de cuidado consistente.
Com um tratamento estruturado e suporte adequado, a remissão a longo prazo e o retorno a uma vida funcional, saudável e significativa não são exceções, mas objetivos plenamente alcançáveis.
Ronaldo Rodrigues de Oliveira
Psiquiatria de Adições
CRM RS 43259 • RQE 36489