15/01/2026
A notícia de que a Anvisa liberou o lecanemabe no Brasil acende um sentimento muito humano: esperança. E ela é válida. Mas, na neurologia, esperança precisa vir junto com clareza — para evitar frustração e decisões perigosas.
O lecanemabe é um anticorpo monoclonal que atua sobre a proteína beta-amiloide. Em estudos, ele mostrou capacidade de reduzir placas amiloides e desacelerar, de forma moderada, a progressão do declínio cognitivo em pessoas com Alzheimer em fase inicial.
Mas aqui está a parte que muita gente não está dizendo alto o suficiente: ele NÃO é para todo tipo de demência e NÃO é para Alzheimer avançado. Em geral, é indicado para comprometimento cognitivo leve por Alzheimer ou demência leve, e exige confirmação de amiloide (por exames específicos) — não basta “suspeitar”.
Também existe um ponto que merece respeito: os riscos. Um dos principais é o ARIA (alterações no cérebro visíveis na ressonância, como edema e micro-hemorragias), que pode ser assintomático ou causar sintomas e exige monitoramento rigoroso com imagem e acompanhamento médico próximo.
A melhor forma de transformar essa liberação em benefício real é fazer o básico bem feito: diagnóstico correto, estadiamento da doença, avaliação de elegibilidade, discussão franca de riscos/benefícios e um plano de acompanhamento.
Informação certa, na hora certa, muda o desfecho.
Comente “LECANEMABE” que eu explico quem pode se beneficiar e quais exames entram na avaliação — e compartilhe com quem cuida de alguém com Alzheimer.
neurologia saudecerebral