13/02/2026
Hoje estamos atravessados por uma notícia devastadora: um homem matou os dois filhos e depois tirou a própria vida, alegando ter sido traído.
Antes da tristeza, senti indignação.
A estrutura machista segue produzindo crimes em nome de uma suposta “honra”. Não é amor. É posse. É a ideia de propriedade sobre o corpo e as escolhas da mulher.
Neste caso, o ressentimento assumiu forma brutal: matar os próprios filhos para atingir a mãe. A “vingança” do homem ressentido não fala de dor amorosa — fala de poder ferido, controle perdido, incapacidade de aceitar que o outro exista fora da sua órbita.
E ainda vemos perguntas como: “o que ela fez?”
Não.
A responsabilidade é exclusivamente do agressor — e também de um discurso misógino que normaliza o controle masculino.
A psicologia social mostra que a violência não nasce só do indivíduo, mas de estruturas culturais que legitimam desigualdades. Quando controle é confundido com masculinidade, frustrações narcísicas encontram autorização simbólica para virar agressão.
Como aponta Maria Rita Kehl, o ressentimento transforma dor em desejo de punição: o sujeito não suporta a própria falta e precisa localizar no outro a causa do sofrimento. Em uma cultura que legitima a dominação masculina, isso pode se tornar devastador.
Nada justif**a violência.
Traição não autoriza homicídio.
Frustração ou divórcio não autorizam violência.
Perguntar “o que ela fez?” desloca a responsabilidade de quem matou.
Não é só análise de psicóloga. É desabafo de mulher e mãe.
Violência não é amor ferido. É poder que não aceita perder controle.
Se seguimos tratando como “casos isolados”, seguiremos vendo vidas se perderem.