27/11/2014
CROSSFIT
Recentemente fui procurado por uma revista para escrever uma matéria em uma coluna sobre esta metodologia de exercício físico; o qual gostaria de compartilhar com vocês; fiz uma pesquisa e tenho estudado muito esta nova modalidade.
O Crossfit é uma atividade que tem ganhado muitos adeptos no Brasil é o CrossFit, modalidade baseada no treinamento da tropa de elite da marinha americana que tem como precursor um ex-militar chamado Greg Glassman. No final dos anos 90 em Santa Cruz, Califórnia, Greg e seus colaboradores começaram desenvolver a modalidade, porém apenas em 2007 com o início do CrossFit Games, ganhou notoriedade especialmente nos EUA e Europa.
A prescrição segundo seus precursores é constantemente variada e baseada em movimentos funcionais com três atributos, peso, distância e velocidade, já que nenhum aspecto dos movimentos funcionais é mais importante que a sua capacidade de mover grandes pesos por longas distancias no menor tempo possível. O crossfit utiliza uma forma de treinamento resistido conhecida como treinamento de potência de alta intensidade ou treinamento resistido de alta intensidade. Os exercícios são feitos sem descanso ou com intervalos mínimos entre as séries. Geralmente os exercícios prescritos são levantamentos básicos, como levantamentos olímpicos e agachamentos profundos ou exercícios de ginastica utilizando barras, argolas ou saltos. Os programas em sua maioria utilizam o chamado “Workout of the day” (WOD) ou treino do dia, e são feitos com o máximo de séries possível para um determinado tempo (geralmente 10 ou 20 minutos) ou uma sequência de exercícios realizados para o melhor tempo.
A metodologia é inteiramente empírica, no entanto, buscando embasamento científico sobre essa modalidade, achei apenas 2 artigos, um que cita o Crossfit como uma modalidade não tradicional e outro que avaliou a capacidade aeróbica e a composição de corporal de indivíduos com diferentes níveis de condicionamento após 10 semanas de treinamento. Os resultados do segundo estudo foram bastante satisfatórios para todos os sujeitos independente de gênero ou nível de condicionamento. A capacidade aeróbica teve uma melhora substancial e o percentual de gordura apresentou redução signif**ativa com um ligeiro aumento da massa magra.
Fatores que devem ser levados em conta são o tipo de dieta a qual os participantes do estudo estavam submetidos antes e durante o programa (dieta paleolítica) e o alto índice de lesão por esforço decorrente do treinamento. Dos 54 sujeitos que iniciaram o programa 11 abandonaram no meio, sendo que 9 por lesão de esforço, o que levou os autores a levantarem a questão sobre a relação entre os riscos e benefícios de programas de treinamento tão extremos.
O conceito de alta intensidade já vem sendo empregado a muito tempo pelos profissionais de educação física através do treinamento intervalado e conhecidamente mostra resultados positivos sobre a manutenção da composição corporal. No caso do crossfit, exercícios com movimentos rápidos e potentes e falta de intervalo ou tempo insuficiente de recuperação, podem levar à fadiga exagerada, comprometendo assim a execução por isso atenção na execução deve ser dobrada para reduzir o risco de lesão. No caso de pessoas sem experiência em treinamento pode ser ainda mais evidente aumentando substancialmente os riscos.
No entanto, o fato do Crossfit não seguir um cronograma linear de treinamento o torna menos monótono e mais prazeroso para os praticantes.
Neste caso, a falta de estudos pode ser um fator prejudicial a modalidade, limitando a difusão do produto e causando um certo receio à comunidade cientif**a. Por isso, são necessárias mais pesquisas sobre o tema para que possamos entender melhor todos os aspectos de sua aplicação.
REFERÊNCIAS:
Smith, M. M., Sommer, A. J., Starkoff, B. E., & Devor, S. T. (2013). Crossfit-based high intensity power training improves maximal aerobic fitness and body composition. Journal of strength and conditioning research / National Strength & Conditioning Association.
O’Hara, R. B., Serres, J., Traver, K. L., Wright, B., Vojta, C., & Eveland, E. (2012). The influence of nontraditional training modalities on physical performance: review of the literature. Aviation, space, and environmental medicine, 83(10), 985–990.
The CrossFit Training Guide athttp://www.crossfit.com/cf-seminars/CertRefs/CF_Manual_v4.pdf