19/12/2025
Quando terapias ainda sem comprovação clínica robusta passam a ser utilizadas como solução, o primeiro impacto não é necessariamente um efeito adverso imediato.
É a perda de critério.
Uso sem evidência desloca o foco do que importa: desfecho clínico real, segurança no longo prazo e benefício comprovado para o paciente.
No caso dos peptídeos, o problema não está na ciência em si.
Essas moléculas são estudadas há décadas e cumprem funções biológicas importantes.
O risco começa quando compostos ainda em fase experimental — sustentados por dados pré-clínicos, estudos pequenos ou hipóteses mecanísticas — são incorporados à prática clínica como se já fossem terapias consolidadas.
Esse uso precoce carrega custos pouco discutidos:
exposição a substâncias sem perfil de segurança definido, variabilidade de pureza e estabilidade, ausência de farmacovigilância consistente e dificuldade real de mensurar benefício versus risco.
Há também um custo clínico menos óbvio: a normalização do excesso.
Quando tudo parece necessário, nada é realmente indicado. O paciente passa a consumir possibilidades, não tratamentos.
No Instituto GRIS, a decisão de não prescrever não é omissão.
É posicionamento técnico.
Medicina baseada em evidências não ignora a inovação.
Ela apenas recusa pagar o preço invisível do uso sem método — um preço que, cedo ou tarde, quem paga é o paciente.