14/03/2026
“Mãe! Mãe!”
Ele tem 78 anos. A mãe morreu há 40.
E a família, sem saber o que fazer, diz: “Pai, sua mãe já faleceu.”
Eu preciso te explicar o que acontece quando você faz isso.
O Alzheimer apagou a memória da morte. Pra ele, a mãe é viva. Quando você conta que morreu, ele não recebe como algo que já sabia e esqueceu. Recebe como notícia. O luto começa do zero. Desespero, choro, dor — como se fosse agora.
E vinte minutos depois ele esquece que você contou. E chama de novo. E se corrigem de novo, ele perde a mãe de novo.
Mas tem uma camada mais profunda que muda tudo. Quando ele chama pela mãe, não tá pedindo pela pessoa. Tá pedindo pelo que ela representava: a sensação de que alguém maior está ali e tudo vai f**ar bem. É o pedido mais primitivo do ser humano — o mesmo de uma criança assustada no escuro.
O cérebro dele voltou pra uma época em que o mundo era grande demais e a mãe era a resposta. Ele não precisa da mãe. Precisa do que a mãe fazia ele sentir.
Segura a mão dele. Fala baixo. “Eu tô aqui. Pode f**ar tranquilo.” Esse sentimento, qualquer pessoa com amor pode oferecer.
Manda pra quem vive isso. Uma explicação pode evitar um luto repetido. 💜
Dr Alexandre Casco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 RQE 25768