Alexandre Casco Pietsch

Alexandre Casco Pietsch Minha missão é ajudar o idoso e seus familiares a conquistarem mais qualidade de vida.

14/03/2026

“Mãe! Mãe!”

Ele tem 78 anos. A mãe morreu há 40.

E a família, sem saber o que fazer, diz: “Pai, sua mãe já faleceu.”

Eu preciso te explicar o que acontece quando você faz isso.

O Alzheimer apagou a memória da morte. Pra ele, a mãe é viva. Quando você conta que morreu, ele não recebe como algo que já sabia e esqueceu. Recebe como notícia. O luto começa do zero. Desespero, choro, dor — como se fosse agora.

E vinte minutos depois ele esquece que você contou. E chama de novo. E se corrigem de novo, ele perde a mãe de novo.

Mas tem uma camada mais profunda que muda tudo. Quando ele chama pela mãe, não tá pedindo pela pessoa. Tá pedindo pelo que ela representava: a sensação de que alguém maior está ali e tudo vai f**ar bem. É o pedido mais primitivo do ser humano — o mesmo de uma criança assustada no escuro.

O cérebro dele voltou pra uma época em que o mundo era grande demais e a mãe era a resposta. Ele não precisa da mãe. Precisa do que a mãe fazia ele sentir.

Segura a mão dele. Fala baixo. “Eu tô aqui. Pode f**ar tranquilo.” Esse sentimento, qualquer pessoa com amor pode oferecer.

Manda pra quem vive isso. Uma explicação pode evitar um luto repetido. 💜

Dr Alexandre Casco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 RQE 25768

08/03/2026

“Que dia é hoje?” Pela décima quinta vez. No mesmo dia.

A reação natural: respirar fundo, revirar os olhos, às vezes gritar.

Mas eu preciso te explicar uma coisa que muda tudo.

A área do cérebro que transforma informação nova em memória foi destruída. É como escrever numa lousa e alguém apagar em tempo real. Você responde, três minutos depois a resposta não existe mais. Não é falta de atenção. É que o cérebro não tem mais onde guardar.

E a parte que pouca gente entende: ela não sabe que já perguntou. Pra ela, toda vez é a primeira vez. Ela não tá repetindo — tá perguntando. E sentindo a mesma dúvida, a mesma insegurança, do zero.

Agora imagina: você faz uma pergunta genuína e a pessoa te responde com irritação. Você não entende por quê. Só queria saber. E ao invés de resposta, recebeu hostilidade.

É exatamente isso que a pessoa com Alzheimer sente. Toda vez.

Na próxima pergunta repetida, responde como se fosse a primeira. Com o mesmo tom. A mesma calma. Porque pra ela, é a primeira. E a sua reação importa muito mais do que a resposta.

Manda pra quem cuida e às vezes perde a paciência. Sem julgamento. É humano. Mas entender muda tudo.

Dr. Alexandre Casco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 RQE 25768

07/03/2026

Ele empurra o prato. Fecha a boca. Vira o rosto.

E o cuidador entra em desespero — porque não comer parece uma ameaça de vida.

Mas o que parece recusa… muitas vezes é confusão.

O cérebro com Alzheimer perde a capacidade de reconhecer a fome, de identif**ar o que é comida, e até de coordenar a mastigação.

Não é teimosia. É a doença.

O que ajuda de verdade:

✦ Ofereça em silêncio — sem cobrar, sem insistir em voz alta
✦ Coloque pouca quantidade no prato — excesso intimida
✦ Experimente alimentos macios, coloridos e com cheiro marcante
✦ Coma junto — o espelho social ainda funciona mesmo nas fases avançadas
✦ Tente nos horários em que ele está mais calmo e desperto

E se a recusa persistir por dias? Fale com o médico. Pode haver dor, desconforto ou efeito de medicamento por trás disso.

Cuidar de quem não consegue pedir ajuda exige que a gente aprenda um idioma novo.

Salva esse post e manda pra quem está passando por isso agora.

Dr. Alexandre Casco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 RQE 25768

05/03/2026

Ele tem Alzheimer. Não virou criança.

Depois do diagnóstico, acontece uma mudança que ninguém percebe. O tom muda. Os diminutivos aparecem. E de repente, uma pessoa que viveu 80 anos, que criou filhos, que sustentou uma casa — tá sendo tratada como bebê.

Eu entendo de onde vem. Vem do amor, do instinto de proteger. Mas o que a maioria não sabe é que a percepção emocional no Alzheimer costuma estar preservada por muito mais tempo do que se imagina. O paciente pode não entender a frase inteira — mas entende o tom. Sente quando falam de cima. Sente quando decidem tudo por ele sem olhar pra ele. Sente quando falam sobre ele como se não estivesse ali.

Na geriatria existe um conceito chamado “elderspeak” — comunicação involuntariamente infantilizada: tom agudo, diminutivos, elogios desproporcionais pra tarefas básicas.

Pesquisas mostram que isso aumenta a resistência ao cuidado e piora comportamentos que famílias interpretam como “teimosia”. A pessoa não tá sendo difícil. Tá reagindo a uma comunicação que diz: você não é mais capaz.

Simplif**ar é necessário — frases curtas, uma instrução por vez, tom calmo. Infantilizar é desnecessário — voz fininha, diminutivos, aplaudir o óbvio. A diferença é enorme.

Um exercício: antes de falar com o paciente, pensa se falaria assim com outro adulto. Se não, muda o tom. Mantém o conteúdo. O efeito é imediato.

Manda pra quem cuida com amor mas talvez não percebeu que o tom mudou. Não é culpa. É consciência. 💜

Dr. Alexandre Casco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 RQE 25768

28/02/2026

Ele tá sentado na sala da casa onde mora há 40 anos.

Mas não reconhece mais. E todo dia, às vezes várias vezes por dia, pede pra ir embora.

A esposa chegou no meu consultório destruída: “Doutor, ele não me quer mais? Ele não quer mais f**ar comigo?”

E eu precisei explicar uma coisa que mudou tudo pra ela.

Quando alguém com Alzheimer pede pra “ir pra casa”, quase nunca tá falando de um lugar físico. Tá pedindo um sentimento. A “casa” que ele procura é a época em que o mundo fazia sentido. Em que ele sabia quem era, onde estava, o que viria depois. É a casa da infância, a segurança da rotina, o tempo em que ele não se sentia perdido.

Ele não quer uma parede. Quer pertencimento.

E o erro mais natural do mundo é tentar convencer com lógica. “Amor, você tá em casa. Olha a nossa sala.” Mas isso não funciona. Porque o cérebro dele não processa mais essa informação. Ele só sente que está num lugar estranho — e ninguém tá entendendo o desespero dele.

O que funciona é entrar no mundo dele. “Me conta da sua casa. Como era lá?” Deixa ele falar. Deixa a memória afetiva trabalhar. E f**a ao lado, com calma. Porque o que ele realmente precisa não é chegar em casa. É se sentir em casa. E muitas vezes a única coisa capaz de fazer isso é a presença de alguém que transmita segurança.

Quando eu expliquei isso pra esposa dele, ela chorou. Mas de alívio. Porque entendeu que o marido não tava rejeitando ela. Tava perdido. E que ela, sem saber, já era o pedaço de casa que ele ainda conseguia sentir.

Se você conhece alguém que ouve esse pedido todo dia e não sabe o que responder, manda esse vídeo. Às vezes uma explicação muda a forma como a pessoa cuida — e a forma como ela se sente cuidando.

Dr. Alexandre Casco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 RQE 25768

💜 Salva esse post. No dia que ele pedir pra ir embora, volta aqui.

27/02/2026

“Ele me empurrou e me xingou. A pessoa mais doce que eu conheci.”

Essa frase me parte o coração toda vez que escuto no consultório. E eu escuto quase todo dia.

A agressividade é um dos sintomas mais difíceis do Alzheimer porque parece pessoal. Parece que a pessoa tá te atacando, te rejeitando, te odiando.

Mas não é isso.

O cérebro com Alzheimer perde a capacidade de interpretar o que acontece ao redor. Quando a pessoa se sente ameaçada — mesmo sem ameaça real — a única resposta que sobra é a mais primitiva: lutar ou fugir.

Ele te empurrou na hora da troca? Ele não tava te rejeitando. Tava se defendendo de algo que não entendeu. Ela gritou na hora da medicação? Não te odeia. Tá com medo de alguém colocando coisas na boca dela.

O que fazer:

— Nunca reaja com força. Nunca segure.

— Dê um passo pra trás. Saia do campo de visão por um minuto.

— Volte com outra abordagem. Outro tom, outra expressão.

— Tente identif**ar o que gerou o medo.

A agressividade no Alzheimer não é sobre você. É sobre um cérebro em pânico.

Manda pra quem precisa entender isso.

Dr. Alexandre Casco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 RQE 25768

25/02/2026

“Todo dia de tarde a mesma coisa. Ele f**a agitado, confuso, às vezes agressivo. E a gente não sabe o que fazer.”

Isso se chama Sundowning — síndrome do entardecer. É um dos sintomas mais comuns do Alzheimer e um dos que mais desgasta a família.

O que acontece: o cérebro com demência funciona como uma bateria que vai descarregando ao longo do dia. Quando chega no final da tarde, ele já não consegue processar os estímulos ao redor. A mudança de luz, as sombras, o cansaço acumulado — tudo vira confusão.

O que ajuda:

— Reduzir estímulos a partir do meio da tarde (TV, barulho, visitas)

— Acender as luzes antes de escurecer

— Manter rotina previsível

— Se a agitação vier: não confronte. Presença calma, música suave, toque gentil.

Ele não tá piorando. O cérebro tá esgotado. E quando você entende isso, tudo muda.

Manda pra quem vive isso toda tarde.

Dr. Alexandre Casco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 RQE 25768

24/02/2026

“Ele não quer tomar banho!”

Essa é uma das frases que eu mais escuto de famílias que cuidam de alguém com Alzheimer.

E a primeira coisa que eu pergunto é: como vocês estão tentando?

Porque na maioria das vezes, o problema não é que a pessoa não quer tomar banho. O problema é que ela não entende o que está acontecendo. Pra um cérebro com demência, ser levado a um cômodo frio, ter as roupas tiradas e receber água no corpo pode ser aterrorizante quando você não lembra por que aquilo tá acontecendo.

Algumas coisas que fazem diferença:

— Não avise. Conduza. Em vez de “vamos tomar banho”, tente “vem comigo”.

— Aqueça o ambiente antes. Toalha quente, banheiro confortável.

— Não tire toda a roupa de uma vez.

— Se recusou agora? Tenta de novo em 30 minutos, de outro jeito.

— Se hoje não deu, amanhã é outro dia.

Banho não precisa ser diário. Mas precisa ser sem medo.

Dr. Alexandre Casco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 RQE 25768

Salva e manda pra quem precisa dessas estratégias.

24/02/2026

Ele olhou pra filha e perguntou: “Quem é você?”

Ela chorou como se tivesse perdido o pai naquele instante.

Mas eu preciso te dizer uma coisa que muda tudo: o Alzheimer destrói a memória de nomes, rostos e conexões lógicas. Mas a memória emocional — aquela que guarda o que a gente sente por alguém — muitas vezes é a última a ser atingida.

Ele pode não saber o seu nome. Pode não saber que você é filha. Mas quando você chega, ele se acalma. Quando você segura a mão dele, ele aperta de volta.

Isso não é coincidência. É o que sobrou do amor que ele sempre teve por você — funcionando por um caminho que a doença ainda não alcançou.

Então se alguém que você ama não te reconhece mais, saiba: você não foi esquecida. O cérebro é que não deixa mais ele te encontrar. Mas o coração ainda sabe.

Manda pra alguém que precisa ouvir isso hoje. 💜

Dr Alexandre Casco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 RQE 25768

14/02/2026

Ele não tá fazendo de propósito.

Uma das coisas mais difíceis pra quem convive com alguém que tem Alzheimer é aceitar que aquela pessoa não tem controle sobre o que faz.

Ela não escolhe esquecer. Não escolhe repetir. Não escolhe te acusar de algo que não aconteceu. O cérebro dela está doente — e um cérebro doente não produz comportamentos racionais.

Mas o que eu mais vejo no consultório são famílias esgotadas porque passam o dia inteiro tentando corrigir, explicar, convencer. E eu entendo. É o instinto natural de qualquer pessoa: corrigir o que parece errado.

Só que no Alzheimer, essa lógica não funciona. Quando você corrige, a pessoa não aprende — porque a área do cérebro responsável por formar novas memórias já foi comprometida.

O que ela sente é que alguém tá irritado com ela e ela não sabe por quê. E aí vem a agitação, a agressividade, o choro, a recusa em cooperar.

Porque o ambiente ficou hostil pra um cérebro que já não consegue processar o que tá acontecendo.

Então o que funciona?

Redirecionar em vez de confrontar.

Se ela perguntou a mesma coisa, responde como se fosse a primeira.

Se ele diz que quer ir embora, não corrige — oferece um café, muda de assunto, acolhe.

Se ela te acusou de ter escondido algo, não se defende — ajuda a procurar junto.

O objetivo nunca é provar que você tem razão. É fazer a pessoa se sentir segura.

O paciente f**a mais calmo, mais colaborativo, mais presente. E o cuidador sofre menos — porque para de travar uma batalha que nunca ia vencer.

Ninguém nasce sabendo cuidar de quem tem demência. Não é instintivo.

Não é óbvio. E não é fácil. Mas a informação certa no momento certo muda a vida de uma família inteira.

Se esse conteúdo fez sentido pra você, manda pra alguém que cuida de um familiar com Alzheimer.

Dr. Alexandre Casco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 RQE 25768

12/02/2026

Herpes zóster é muito mais perigosa do que a maioria das pessoas imagina.

E a vacina que previne essa doença tem benefícios que vão muito além do que você pensa.

Vamos aos fatos:

O vírus da catapora, aquele que quase todo mundo pegou na infância, não vai embora. Ele f**a escondido no seu sistema nervoso por décadas, esperando uma oportunidade. Quando a imunidade cai — seja pela idade ou por alguma doença — ele volta. E quando volta, pode causar um estrago enorme.

A pior consequência é uma dor crônica chamada neuralgia pós-herpética: uma dor que muitos pacientes descrevem como queimação ou facadas, que pode durar meses ou até anos depois que as feridas somem.

Até 1 em cada 5 pessoas que têm herpes zóster desenvolvem essa complicação.

Agora, o que quase ninguém sabe:

Estudos recentes com mais de 200 mil pessoas, publicados em algumas das revistas científ**as mais importantes do mundo (Nature Medicine, 2024), mostraram que quem tomou a vacina recombinante teve um risco signif**ativamente menor de desenvolver demência nos anos seguintes.

Outro grande estudo, publicado na revista Nature em 2025, encontrou uma redução de cerca de 20% nos novos casos de demência em quem foi vacinado.

Ou seja: além de prevenir uma doença extremamente dolorosa e incapacitante, essa vacina pode estar ajudando a proteger o seu cérebro contra o envelhecimento cognitivo.

Sobre a proteção da vacina: nos estudos originais, a eficácia foi superior a 97%. Na vida real, pesquisas com quase 2 milhões de pessoas mostraram uma proteção de 76% com as duas doses, mantida de forma consistente ao longo dos anos.

E o acompanhamento mais longo já feito confirmou que a vacina continua funcionando bem por mais de 10 anos.

Se você tem mais de 50 anos e ainda não se vacinou, converse com o seu médico.

Salva esse post e manda pra alguém que precisa saber disso.

Dr. Alexandre Casco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 RQE 25768

11/02/2026

💊 Estatina causa dor muscular? A ciência responde com dados de verdade.

O maior ensaio clínico controlado até hoje sobre esse tema foi publicado no BMJ (2021) — StatinWISE — e testou a atorvastatina 20 mg vs placebo em pacientes que já haviam relatado dores musculares ao usar estatinas.

🔬 Como o estudo foi feito:

• Randomizado, duplo-cego, controlado por placebo.
• Cada participante teve ciclos intercalados de estatina e placebo, sem saber o que recebia.

📊 Principais achados:

👉 Nenhuma diferença estatisticamente signif**ativa na frequência ou intensidade das dores musculares entre estatina e placebo. 
👉 A retirada por dores musculares foi similar nos dois grupos.

🧠 Efeito nocebo explicado:

O nocebo acontece quando a expectativa de efeitos colaterais induz sintomas reais — sem que o medicamento seja a causa fisiológica direta. Isso explica porque muitos relatam dores apenas por acreditarem que a estatina irá causá-las.

📚 Referência científ**a:
Herrett E, Williamson E, Brack K, et al.
Statin treatment and muscle symptoms: series of randomised, placebo-controlled n-of-1 trials.
BMJ 2021;372:n135. DOI: 10.1136/bmj.n135

⚠️ Importante: dores musculares são reais — mas, na maioria dos casos, não são causadas pela estatina. Suspender sem critério aumenta o risco cardiovascular. Converse com seu médico.


Dr. Alexandre Casco Pietsch
Médico Geriatra (CRM-PR 32124 | RQE 25768)

Endereço

Avenida Visconde De Guarapuava 4628 Sala 605/DOC Castelo Batel, Batel
Curitiba, PR
80240-010

Horário de Funcionamento

Segunda-feira 09:00 - 18:00
Terça-feira 09:00 - 18:00
Quarta-feira 09:00 - 18:00
Quinta-feira 09:00 - 18:00
Sexta-feira 09:00 - 18:00
Sábado 09:00 - 12:00

Telefone

+5541998130023

Notificações

Seja o primeiro recebendo as novidades e nos deixe lhe enviar um e-mail quando Alexandre Casco Pietsch posta notícias e promoções. Seu endereço de e-mail não será usado com qualquer outro objetivo, e pode cancelar a inscrição em qualquer momento.

Entre Em Contato Com A Prática

Envie uma mensagem para Alexandre Casco Pietsch:

Compartilhar

Share on Facebook Share on Twitter Share on LinkedIn
Share on Pinterest Share on Reddit Share via Email
Share on WhatsApp Share on Instagram Share on Telegram