14/02/2026
Ele não tá fazendo de propósito.
Uma das coisas mais difíceis pra quem convive com alguém que tem Alzheimer é aceitar que aquela pessoa não tem controle sobre o que faz.
Ela não escolhe esquecer. Não escolhe repetir. Não escolhe te acusar de algo que não aconteceu. O cérebro dela está doente — e um cérebro doente não produz comportamentos racionais.
Mas o que eu mais vejo no consultório são famílias esgotadas porque passam o dia inteiro tentando corrigir, explicar, convencer. E eu entendo. É o instinto natural de qualquer pessoa: corrigir o que parece errado.
Só que no Alzheimer, essa lógica não funciona. Quando você corrige, a pessoa não aprende — porque a área do cérebro responsável por formar novas memórias já foi comprometida.
O que ela sente é que alguém tá irritado com ela e ela não sabe por quê. E aí vem a agitação, a agressividade, o choro, a recusa em cooperar.
Porque o ambiente ficou hostil pra um cérebro que já não consegue processar o que tá acontecendo.
Então o que funciona?
Redirecionar em vez de confrontar.
Se ela perguntou a mesma coisa, responde como se fosse a primeira.
Se ele diz que quer ir embora, não corrige — oferece um café, muda de assunto, acolhe.
Se ela te acusou de ter escondido algo, não se defende — ajuda a procurar junto.
O objetivo nunca é provar que você tem razão. É fazer a pessoa se sentir segura.
O paciente f**a mais calmo, mais colaborativo, mais presente. E o cuidador sofre menos — porque para de travar uma batalha que nunca ia vencer.
Ninguém nasce sabendo cuidar de quem tem demência. Não é instintivo.
Não é óbvio. E não é fácil. Mas a informação certa no momento certo muda a vida de uma família inteira.
Se esse conteúdo fez sentido pra você, manda pra alguém que cuida de um familiar com Alzheimer.
Dr. Alexandre Casco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 RQE 25768