12/12/2025
Anteontem, no Dia Internacional dos Direitos Humanos (10 de dezembro), o MHMPR participou da Semana Nacional de Visita a Sítios de Memória e Consciência, promovida pela Rede Brasileira de Pesquisadores de Sítios de Memória e Consciência e IBRAM.
O acervo histórico do Hospital Psiquiátrico Nossa Senhora da Luz é fundamental para pesquisas sobre a saúde mental no Paraná e no Brasil. Ele revela como se formaram os campos da Medicina e da Psicologia, contribuindo para a formação crítica de novos profissionais.
O acervo provoca reflexões sobre instituições psiquiátricas, práticas de exclusão e a patologização de grupos historicamente estigmatizados — temas que dialogam com ações de memória, reparação e promoção dos direitos humanos. Tais acervos institucionais podem contar a história de "pessoas comuns", que geralmente parecem não existir em fontes desse tipo.
Sobre o tema, recomendamos a tese de doutorado defendida na Universidade Federal do Paraná pela Dra. Flavia da Rosa Melo, “Durante esse longo período de sua internação”: gênero e as longas estadias no Hospital Psiquiátrico Nossa Senhora da Luz, Curitiba (1927–1998) - sendo longas estadias as internações que perduraram por mais de 30 anos no hospital.
Sobre a importância do fundo do HNSL Flávia afirma que (p. 265-266):
"A partir do que pude avaliar, é provável que se a guarda desse Arquivo Morto tivesse sido refeita ou modificada em relação a quando foi “criado” – ou seja, quando o HNSL ainda estava em funcionamento -, a chance de identificar de forma mais ampla o dado das longas estadias teria sido perdida por entre os diversos caminhos e histórias que habitam este labirinto. Entendo que isso pode explicar o motivo pelo qual a mesma realidade contingencial não tenha ainda sido objeto de estudo em outros hospitais psiquiátricos ou congêneres pelo Brasil. O dado das longas estadias, ou da própria fragilidade das histórias de vida que os dossiês clínicos destas instituições guardam, pode ter sido perdido no tempo de forma incorrigível [...]."
Preservar e difundir esse acervo é fortalecer os direitos humanos, promover conhecimento e garantir que histórias antes silenciadas sejam reconhecidas e lembradas!