25/01/2026
Nada do que é humano me é estranho,já dizia Freud.
Ser humano é ser tudo aquilo que cabe na humanidade:
O amor,o ódio, o perdão, a vingança, a fé, a desesperança, a paz,a guerra,a felicidade, a tristeza,a coragem,o medo,o acolhimento, o desamparo,a ética,a falta dela,a passividade, a violência.
Talvez o maior problema não seja experienciar tudo isso e sim apenas ser uma faceta, boa ou ruim, pacata ou agressiva e a pergunta que f**a é onde se manifesta meu outro lado?
As crianças ainda acreditam na cisão, é muito comum perguntarem se o personagem do filme é do bem ou do mal,quando amam mas odeiam também.
Somos do bem e do mal!
Dá para ser só da paz em um mundo tão violento, como nos defenderemos se só pregarmos o amor ao próximo?
Dá para viver só se defendendo ou atacando em um mundo que também têm pessoas que nos amam e nos querem bem?
Como caber tudo isso dentro de nós sem perder o réu primário ou viver anestesiado?
Aquilo que não é dado vazão nos inunda e um dia transborda fazendo grandes estragos.
Um bom lugar para sermos o que somos,mesmo que ainda não tenhamos consciência das nossas facetas, é na clínica.
É na relação transferencial,paciente e analista,que podemos jogar o jogo e simbolicamente atuar para não atuar na vida.
O setting analítico é este lugar que todos os sentimentos e emoções são aceitos, não há condenação,não existe certo ou errado, moral ou amoral,do bem ou do mal.
Podendo na análise fazer isso e na arte através da sublimação,o sujeito vai exercendo a sua humanidade sem tantos estragos.
O Motociclista do Globo da Morte,monólogo interpretado pelo é a personif**ação de quando somos,melhor,nos forçamos a ser uma coisa só.
É daquelas peças que senti vontade muitas vezes de tampar os ouvidos, fingir que aquilo que não existia,que a violência está fora,fora de mim e consigo me blindar dela.
Mas não,Antonio,o personagem,nos mostra que não.
A plateia calada, sem respirar, o silêncio que foi interrompido por aplausos no final, mas não antes de todos ali sustentaram o silêncio que faz tanto barulho.
Onde a arte chega a Psicanálise chega bem depois,ou nem acessa e que bom que temos o Teatro para não deixar tão dura a realidade.