15/09/2017
ESTUDO DE REVISÃO DA REVISTA LANCET: FATORES DE RISCO E DE PREVENÇÃO DA DEMÊNCIA (textão mas vale a pena ler!)
A comissão da Prevenção, Intervenção e Cuidado de pessoas com Demência da revista Lancet (uma das melhores conceituadas revistas do mundo) utilizou a melhor evidência para apresentar as melhores práticas para prevenir, diagnosticar e manejar a demência. Estima-se que o número de indivíduos com demência pode aumentar de 47 milhões em 2015 para 66 milhões em 2030. O custo dos cuidados com pessoas com demência é mais de 800 bilhões por ano no mundo e estima-se que chegue a 2 trilhões em 2030. A prevenção ou o retardo do início da demência pode reduzir a carga global.
PREVENÇÃO:
- A neuropatologia da demência é complexa, mas UM TERÇO DOS FATORES DE RISCO DA DEMÊNCIA SÃO MODIFICÁVEIS, incluindo os seguintes:
• EDUCAÇÃO NO INÍCIO DA VIDA (pelo menos até os 15 anos de idade);
• MEIA IDADE (45-65 anos): PERDA AUDITIVA, HIPERTENSÃO E OBESIDADE;
• TERCEIRA IDADE (>65): TABAGISMO, DEPRESSÃO, ATIVIDADE FÍSICA, ENGAJAMENTO SOCIAL E DIABETES MELLITUS (ESPECIALMENTE TARDIA EM PACIENTE COM DECLÍNIO COGNITIVO LEVE).
***** AUMENTANDO A EDUCAÇÃO NO INÍCIO DA VIDA E TRATANDO A PERDA DE AUDIÇÃO, HIPERTENSÃO E OBESIDADE NA MEIA IDADE, A INCIDÊNCIA DE DEMÊNCIA PODE SER REDUZIDA A 20%.
***** EM IDADES MAIS AVANÇADAS, PARAR DE FUMAR, TRATAR A DEPRESSÃO, AUMENTAR A ATIVIDADE FÍSICA, AUMENTAR O CONTATO SOCIAL E TRATAR A DIABETES PODERIA REDUZIR A INCIDÊNCIA DE DEMÊNCIA EM 15%.
TRATAMENTO:
- O tratamento e manejo da demência requer uma abordagem individualizada, humanista e multidisciplinar.
- Inibidores da colinestarase para estágios de demência de Alzheimer ou corpos de Lewy e memantadina para estágios mais avançados.
- Estratégias não farmacológicas são as primeiras intervenções para sintomas neuropsiquiátricos. Reserve as medicações para casos mais severos.
- Reabilitação neuropsicológica e estimulação cognitiva podem ser efetivos na demência LEVE e MODERADA.
- Apoio aos CUIDADORES e FAMILIARES dos indivíduos com demência.
- Avaliação de risco, autonomia do paciente e cuidados paliativos também são essenciais.
Obs: Esta revisão abrangente reforça a complexidade da prevenção, diagnóstico e cuidados de demência, especialmente em países de alta renda. Existe uma escassez de informações sobre se as pessoas com demência em países de baixa renda, têm necessidades exclusivas. Outros potenciais fatores de risco para a demência, como distúrbios do sono e abuso de álcool, também não foram incluídos na revisão e precisam de mais estudos para determinar se o fardo global para a demência pode ser modificado. A modificação dos fatores de risco em outras idades, além das indicadas, também pode ser benéfica.
Referências:
MOLANO, R.V.J. Dementia Prevention, Intervention, and Care. Reviewing Livingston G et al. Lancet, 2017, Jul 19
FRANKISH, H & HORTON, R. Prevention and management of dementia: a priority for public health. Lancet, 2017, Jul 19