04/12/2025
Se a vida pede coragem pra criar, arriscar voos, soltar amarras… também pede coração pra sustentar o que f**a.
Segurar a mão de um processo, de uma relação, de um projeto quando o encanto do começo passa.
Descobrir motivação pra continuar apesar do que nos trava.
Ter paciência de preparar o solo, plantar, regar e aceitar que às vezes o crescimento é quase invisível.
Essa Lua Cheia nasce quando corremos pra “fechar ciclos”, bater metas, celebrar conquistas.
Como se, depois do dia 31, a vida não continuasse a pedir presença e constância. Como se o que plantamos hoje não precisasse de cuidado amanhã.
Rohini é paisagem fértil: campos verdes, úmidos, vivos. É a mulher plena em sua beleza, fértil de ideias, arte e desejo. Aqui a Lua se exalta, a mente respira, o corpo alivia, especialmente agora que Mercúrio e Saturno retomam o movimento direto.
Mas Rohini também é o campo dos prazeres. E é aí que mora a lição.
Conta a história que Chandra, o deus da Lua, visitava suas 27 esposas até encontrar Rohini: rosto avermelhado, doçura no olhar, presença encantadora. Encantou-se tanto que ficou só com ela, ignorando as demais. Por romper a ordem do universo, foi amaldiçoado: condenado a crescer, minguar, desaparecer e voltar, mês após mês.
Enquanto a Lua se derrama fértil em Rohini, do outro lado do céu Marte e Vênus caminham por Escorpião, território das emoções profundas, dos traumas antigos, dos padrões que repetimos sem notar.
Vênus desce à terra escura e ilumina o que incomoda nas relações, o desejo que sufoca a criatividade, o medo de perder, de não ser suficiente.
Marte vem como bisturi, não espada, ajudando a separar o que ainda é vivo do que já apodreceu em volta da semente.
Talvez a coragem agora não seja começar algo novo,
mas f**ar.
Regar.
Podar o excesso.
Cuidar do que já está vivo nas suas mãos e aceitar que a verdadeira abundância nasce daquilo que você escolhe nutrir (e do que tem coragem de soltar) todos os dias. 🌙