22/10/2025
Para responder a essa interrogação, é preciso, antes, situar a lógica que organiza o laço social contemporâneo: a aversão à solidão.
Ficar só, em nosso tempo, equivale a perder tempo e, em última instância, a perder o outro (sentir que estou de fora), essa referência que sustenta o eu imaginário.
A solidão se torna, assim, ameaça à consistência do sujeito, pois coloca em risco a imagem que se tem de si mesmo.
Vivemos, portanto, colados à narrativa que construímos sobre quem somos. Essa narrativa funciona como uma defesa, isto é, como uma forma de estabilizar o eu frente à falta estrutural que nos constitui.
Distanciar-se dela é vivenciar um certo desamparo, motivo pelo qual muitos entram em conflito consigo mesmos na tentativa de sustentar a própria imagem. Um trabalho incessante, exaustivo e, talvez, sem real retorno.
Os chamados “bem adaptados” são, muitas vezes, os sujeitos que melhor dominam a arte de estar em todos os espaços possíveis, mas não sabem escutar ou aprofundar. São aquelas que se mostram disponíveis ao outro, mas impermeáveis à experiência de interioridade. São aqueles que não toleram a solidão, pois esta os coloca diante do que há de mais inquietante: o próprio inconsciente (e o medo de saber os fantasmas que habitam
Contudo, estar só não signif**a estar vazio, mas é estar diante de si e, inevitavelmente, das instâncias que nos habitam: id, ego e superego.
Por que, então, tanto medo de estar só?
Porque na solidão emerge aquilo que escapa ao controle do eu.
Medo do que se revela quando o olhar do outro não está presente para sustentar a ficção que tenho de mim mesmo.
Medo de não pertencer, de ser excluído do discurso dos outros.
Talvez, portanto, ser “bem adaptado” não seja sinônimo de saúde mental.
A verdadeira possibilidade de subjetivação começa quando o sujeito se autoriza a se escutar: desempacotar afetos e acolher aquilo que o habita e o atravessa.
E é nesse ponto que a psicanálise se torna um espaço privilegiado: um lugar onde se aprende a sustentar o encontro com o próprio inconsciente, sem precisar fugir dele.
Psicóloga Mariana Faturi
📍Florianópolis/SC
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