Psicóloga Mariana Faturi

Psicóloga Mariana Faturi Pós-graduada em Psicologia Clínica e Saúde Mental
Pós-graduada em Problemas do Desenvolvimento

Para responder a essa interrogação, é preciso, antes, situar a lógica que organiza o laço social contemporâneo: a aversã...
22/10/2025

Para responder a essa interrogação, é preciso, antes, situar a lógica que organiza o laço social contemporâneo: a aversão à solidão.

Ficar só, em nosso tempo, equivale a perder tempo e, em última instância, a perder o outro (sentir que estou de fora), essa referência que sustenta o eu imaginário.
A solidão se torna, assim, ameaça à consistência do sujeito, pois coloca em risco a imagem que se tem de si mesmo.

Vivemos, portanto, colados à narrativa que construímos sobre quem somos. Essa narrativa funciona como uma defesa, isto é, como uma forma de estabilizar o eu frente à falta estrutural que nos constitui.
Distanciar-se dela é vivenciar um certo desamparo, motivo pelo qual muitos entram em conflito consigo mesmos na tentativa de sustentar a própria imagem. Um trabalho incessante, exaustivo e, talvez, sem real retorno.

Os chamados “bem adaptados” são, muitas vezes, os sujeitos que melhor dominam a arte de estar em todos os espaços possíveis, mas não sabem escutar ou aprofundar. São aquelas que se mostram disponíveis ao outro, mas impermeáveis à experiência de interioridade. São aqueles que não toleram a solidão, pois esta os coloca diante do que há de mais inquietante: o próprio inconsciente (e o medo de saber os fantasmas que habitam

Contudo, estar só não signif**a estar vazio, mas é estar diante de si e, inevitavelmente, das instâncias que nos habitam: id, ego e superego.

Por que, então, tanto medo de estar só?

Porque na solidão emerge aquilo que escapa ao controle do eu.
Medo do que se revela quando o olhar do outro não está presente para sustentar a ficção que tenho de mim mesmo.
Medo de não pertencer, de ser excluído do discurso dos outros.

Talvez, portanto, ser “bem adaptado” não seja sinônimo de saúde mental.
A verdadeira possibilidade de subjetivação começa quando o sujeito se autoriza a se escutar: desempacotar afetos e acolher aquilo que o habita e o atravessa.

E é nesse ponto que a psicanálise se torna um espaço privilegiado: um lugar onde se aprende a sustentar o encontro com o próprio inconsciente, sem precisar fugir dele.

Psicóloga Mariana Faturi
📍Florianópolis/SC
Atendimento on-line e presencial

A psicanálise nos lembra que educar é um dos três ofícios impossíveis, junto com o ato de governar e analisar.Impossível...
15/10/2025

A psicanálise nos lembra que educar é um dos três ofícios impossíveis, junto com o ato de governar e analisar.

Impossível não porque não se possa ensinar, mas porque não há garantia de que o outro aprenda.

Mesmo assim, o professor insiste.
Insiste em transmitir algo de si, em sustentar o desejo de saber, em apostar que o encontro com o conhecimento possa produzir um sujeito e não apenas mais um.

Na sala de aula, como no setting analítico, algo sempre escapa.
E é justamente nesse resto, nesse “não todo” do saber, que se abre espaço para o desejo, para a curiosidade, para a criação.

Aos professores, que sustentam o impossível de ensinar e ainda assim insistem, seja com palavra, olhar ou presença em sala de aula, meu reconhecimento e admiração.

Parabéns, que o saber siga sendo motor de desejo e não se perca!

Psicóloga Mariana Faturi

Ana Suy e Christian Dunker publicaram um livro cujo título é mais ou menos isso… e a obra retrata um pouco dessa ideia e...
04/09/2025

Ana Suy e Christian Dunker publicaram um livro cujo título é mais ou menos isso… e a obra retrata um pouco dessa ideia e da função que o Outro e alguns outros tem em nós.

E a resposta é sim e não!

➡️ Sim, porque somos seres de linguagem e cultura. Desde bebês, precisamos do olhar, do cuidado e da nomeação do Outro para nos constituirmos.
Na psicanálise lacaniana, fala-se que o sujeito se forma a partir do “olhar do outro”, da maneira na qual somos reconhecidos, chamados e inscritos no mundo simbólico. Sem esse reconhecimento, não conseguimos nos perceber como alguém, como um sujeito.

➡️ Não, porque também há um núcleo íntimo, uma experiência subjetiva que não depende inteiramente do outro. Existe um “eu para mim mesmo”, que se constrói a partir da reflexão, da solidão e da relação que criamos com nossa própria história.

O ponto é: não existimos isolados. Nossa identidade se constrói no encontro entre o que somos para nós e o que somos para o outro. É como se houvesse sempre uma tensão entre esses dois polos.

Existimos no olhar do outro, mas não apenas nele. O desafio é não se aprisionar nesse olhar, encontrando espaço para existir também a partir de si.

Imagem:

Na histeria, o desejo nunca é direto. Ele aparece em forma de jogo, de cena, de oscilação.A histérica seduz. Se faz pres...
30/07/2025

Na histeria, o desejo nunca é direto.
Ele aparece em forma de jogo, de cena, de oscilação.

A histérica seduz. Se faz presente. Provoca. Gera desejo no outro.

Mas logo em seguida, ela recua.
Se esconde. Negocia. Desmente o que parecia oferecer.

Na histeria há uma dança entre presença e ausência. Mas não é maldade ou perversão de quem seduz, é algo estrutural e inconsciente.

É assim que o desejo se sustenta: na falta, na espera, na incompletude.

Desejar demais é perigoso.
Ser desejada demais, também.
Então só lhe resta flertar com o desejo… mas sem se entregar por inteiro.

Mas por que “morde e assopra”?
É esse jogo/dança que serve de palco para o desejo atuar sem se realizar.
Enquanto o outro f**a ali tentando decifrar, conquistar, compreender…

Tudo isso é muito sutil e inconsciente.
É só quando a histérica se dá conta desse funcionamento que ela pode lidar melhor com seu desejo e com o desejo de ser desejada pelo outro (que aí me parecem a mesma coisa).

O sintoma, na perspectiva psicanalítica, é uma formação do inconsciente. É uma forma de expressar desejos recalcados ou ...
28/07/2025

O sintoma, na perspectiva psicanalítica, é uma formação do inconsciente. É uma forma de expressar desejos recalcados ou conflitos que o sujeito não consegue simbolizar ou assumir diretamente.

Então, quando dizemos que o sujeito deseja pelo sintoma, signif**a que ele não se permite desejar diretamente, porque isso o angustia. Então o desejo se infiltra de alguma forma como um sintoma.

Por exemplo:
Alguém que vive adiando uma decisão amorosa pode apresentar sintomas de ansiedade, insônia, compulsões ou crises existenciais, que traduzimos como formas inconscientes de manter seu desejo em movimento, mas sem ter que escolher, agir, ou se expor às consequências de ter seu desejo realizado.

É como se inconscientemente o sujeito dissesse:
“Eu até desejo… mas não quero saber disso.”

Até porque, desejar e realizar os desejos dá muito trabalho, não é?
Eu corro o risco de perder aquilo que não escolhi, corro o risco de desagradar, se perder tempo, de me decepcionar…

Mas… sem desejos e sem realizações não há vida possível!

Os enroscos da vida, que a gente até tenta contornar…
23/07/2025

Os enroscos da vida, que a gente até tenta contornar…

O domingo tem uma pressa estranha. Não a de quem corre, mas a de quem sente que o tempo escorre por entre os dedos. É um...
22/06/2025

O domingo tem uma pressa estranha. Não a de quem corre, mas a de quem sente que o tempo escorre por entre os dedos.

É um dia que começa lento, com cheiro de café e preguiça, mas já carrega a sombra da segunda-feira. A mente tenta aproveitar, mas o corpo já se inquieta.

Há uma urgência silenciosa em ser feliz no domingo, como se fosse preciso preencher o dia de sentido antes que ele acabe.

E nessa tentativa apressada de viver o ócio, o descanso vira tarefa.

O domingo então não é só dia de pausa, é também o ensaio da angústia do recomeço.

Talvez seja possível pegar essa angústia e dançar com ela, pois é disso que a vida é feita: de começos e fins. Fins de semana, começos de semana.

Ok, talvez você não seja. Afinal, você não é todo mundo. Mas que a ansiedade está em todos os cantos, ela está. Ou se se...
16/06/2025

Ok, talvez você não seja. Afinal, você não é todo mundo.
Mas que a ansiedade está em todos os cantos, ela está.
Ou se sente ela ou se fala dela.

Há sentimentos que nos distraem.
Outros que nos protegem.
Mas a angústia não.
Ela chega sem pedir licença,
e nos coloca diante do que somos.

Lacan dizia:
“A angústia é o único afeto que não engana.”

Ela aparece quando o desejo do Outro escurece,
quando não sabemos mais qual lugar ocupamos, nem o que esperam de nós.

Não é medo.
Não é tristeza.
É um nó.
É o real (aquilo que não colocamos em palavra) que se infiltra pelas bordas do simbólico.
É o corpo que fala quando as palavras falham.

A angústia nos despede do conforto e nos apresenta ao nosso desejo.
Crua, sem legenda, mas ela não aprisiona, é passagem.

Poder escutar sua angústia é escutar também o início de uma verdade.
Uma verdade que nos seja própria. Afinal, cada um tem a sua.

A angústia não é um erro do psiquismo.Ela é a borda, o contorno do sujeito diante de algo que não se deixa nomear.Para L...
11/06/2025

A angústia não é um erro do psiquismo.
Ela é a borda, o contorno do sujeito diante de algo que não se deixa nomear.

Para Lacan, a angústia não é um afeto qualquer.
Ela não se acomoda ao campo das representações.
Ela rompe o véu do simbólico, revelando o aquilo que escapa à linguagem.

Ela emerge quando o desejo do Outro se torna enigmático, quando o sujeito não sabe mais o que é para o Outro: objeto de amor? de gozo? de nada?

Nesse hiato entre o que se é e o que se espera ser,
a angústia se instala como sinal de verdade.
Ela não engana porque não se traveste de sentido. Ela apenas aponta para a falta,
para o furo estrutural que constitui o sujeito que fala.

Ao contrário do medo — que tem um objeto —
a angústia é puro deslocamento.
Ela não indica um perigo,
mas uma presença estranha: a do desejo do Outro, quando ele se volta para nós… e nos atravessa. E a célebre pergunta emerge: o que querem de mim?

Na clínica, não se busca eliminar a angústia,
mas escutá-la como bússola.
Pois onde ela pulsa, há algo do sujeito em jogo.
Algo que merece ser dito, mesmo que doa.

A gente faz terapia porque algo não vai bem, porque algo começou a transbordar e não tem mais mecanismo psíquico defensi...
12/08/2024

A gente faz terapia porque algo não vai bem, porque algo começou a transbordar e não tem mais mecanismo psíquico defensivo que dê conta disso.

Às vezes a gente se sente bem, diz que está tudo bem, segue dando conta até que não dá mais.

O motor de uma análise é a angústia, sem ela o processo não acontece.

Acho que a gente faz terapia/análise principalmente para se dar conta do óbvio e daquilo que passamos a vida toda driblando e não querendo olhar.

As vezes dói, mas dá para fazer da dor muitas coisas bonitas 🤍

Psicóloga Mariana Faturi

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