02/12/2025
Você já percebeu que é sempre a mãe que se culpa e raramente o contexto que é questionado?
Pesquisas de antropologia do cuidado, como as de Sarah Blaffer Hrdy e Barry Hewlett, mostram que os bebês humanos evoluíram para viver cercados por múltiplos cuidadores de forma contínua. A cooperação no cuidado era a base para que mães pudessem amamentar, descansar e garantir a sobrevivência dos filhos.
Brazelton descrevia isso como um sistema de suporte capaz de amortecer o estresse do bebê e regular o corpo da mãe. Em culturas onde esse apoio ainda existe, o choro diminui, o sono se organiza e a exaustão materna não alcança níveis tão elevados.
A expectativa moderna de que uma única mulher dê conta integralmente de um bebê humano, mantenha casa organizada, ofereça amamentação exclusiva, estimule o desenvolvimento e ainda preserve a própria saúde mental é biologicamente insustentável.
Mesmo assim, esperam que você encarne todos os papéis.
Mulher, esposa, mãe, profissional.
E a pergunta que f**a é simples e incômoda.
Como assumir tantas funções sem a tribo que sempre sustentou essa equação?