Fernanda Lima Pediatra

Fernanda Lima Pediatra Meu objetivo é ajudar da melhor forma possível, considerando os benefícios de curto, médio e longo prazo, da saúde de cada paciente.

Você já percebeu que é sempre a mãe que se culpa e raramente o contexto que é questionado?Pesquisas de antropologia do c...
02/12/2025

Você já percebeu que é sempre a mãe que se culpa e raramente o contexto que é questionado?

Pesquisas de antropologia do cuidado, como as de Sarah Blaffer Hrdy e Barry Hewlett, mostram que os bebês humanos evoluíram para viver cercados por múltiplos cuidadores de forma contínua. A cooperação no cuidado era a base para que mães pudessem amamentar, descansar e garantir a sobrevivência dos filhos.

Brazelton descrevia isso como um sistema de suporte capaz de amortecer o estresse do bebê e regular o corpo da mãe. Em culturas onde esse apoio ainda existe, o choro diminui, o sono se organiza e a exaustão materna não alcança níveis tão elevados.

A expectativa moderna de que uma única mulher dê conta integralmente de um bebê humano, mantenha casa organizada, ofereça amamentação exclusiva, estimule o desenvolvimento e ainda preserve a própria saúde mental é biologicamente insustentável.

Mesmo assim, esperam que você encarne todos os papéis.
Mulher, esposa, mãe, profissional.

E a pergunta que f**a é simples e incômoda.
Como assumir tantas funções sem a tribo que sempre sustentou essa equação?

Amigos, amigos... check-in à parte. 😂 Aqui a gente se abraça agora, mas às 18:59 é cada um por si (e Deus por todos)!
29/11/2025

Amigos, amigos... check-in à parte. 😂 Aqui a gente se abraça agora, mas às 18:59 é cada um por si (e Deus por todos)!

29/11/2025

Muitas vezes, a mãe se cobra por uma perfeição que a criança nem nota.

Onde o olhar adulto vê bagunça e caos, a criança enxerga cada momento vivido. O que parece um dia errado para nós, para eles pode ser o melhor dia do mundo.

Ainda bem que a infância não tem o filtro da culpa. A lição que f**a é: seja menos dura consigo mesma. Respire, curta os momentos e comece a ver a vida como eles enxergam.

A frase “ela só come vendo TV” costuma nascer de um lugar muito sensível, o medo de que a criança não coma. Quando um fi...
25/11/2025

A frase “ela só come vendo TV” costuma nascer de um lugar muito sensível, o medo de que a criança não coma. Quando um filho come pouco, ou é mais seletivo do que os padrões culturais toleram, muitos pais entram em modo de urgência. Vale qualquer estratégia para ver o prato vazio, mesmo que isso custe a conexão com o próprio corpo da criança.

E eu entendo esse medo. Ele paralisa, pressiona, faz a família acreditar que, sem distração, a criança não vai comer nunca. O problema é que, em alguns casos, a tela não resolve, ela faz parte do ciclo. Às vezes vira a âncora emocional para lidar com a insegurança alimentar. Outras vezes, como no caso desse menino, o uso desregulado da tela contamina também o momento da refeição.

Nenhuma dessas situações melhora quando mantemos o atalho. Pelo contrário, a criança se afasta ainda mais da sensação interna que deveria guiar o comer. E os pais, ansiosos, deixam de reconhecer sinais reais de fome e saciedade.

Tirar a tela assusta, especialmente quando existe a crença de que “sem isso ele não come”. Mas é justamente essa retirada que ajuda a separar o medo dos adultos das necessidades verdadeiras da criança. Comer pouco pode ser o normal daquela criança. Usar a tela pode até facilitar a entrada de alguns alimentos, mas qual é o custo disso no longo prazo? Comer sem perceber vira desconexão.

Quando o adulto sustenta o processo, oferece variedade, cria pontos de contato reais com os alimentos e reconstrói a relação com o comer, a mudança acontece. Com calma, consistência, presença. É assim que o corpo da criança finalmente tem espaço para mostrar o que sabe fazer.

24/11/2025

A presença paterna vai muito além de ajudar ou ser participativo.

Quando o pai se envolve de forma ativa na rotina, ele não está ajudando, ele está exercendo o seu papel. Cuidar, trocar, embalar, brincar, acompanhar sono e alimentação, incentivar a exploração, tudo isso constrói as bases seguras que a criança levará para todos os relacionamentos da vida.

Pais e mães se conectam de maneiras diferentes com seus filhos, e essa complementaridade é essencial. Estudos de desenvolvimento infantil e de neurociência social indicam que a interação paterna tem características próprias que favorecem regulação emocional, curiosidade e coragem para explorar o ambiente.

O envolvimento paterno consistente está associado a melhor desenvolvimento cognitivo, menor estresse, mais estabilidade afetiva e maior competência social. Não é detalhe, é impacto direto na formação do cérebro.

Crianças precisam de adultos que ofereçam suporte real. E quando o pai assume essa função de forma presente e constante, o efeito é profundo.

📌Marca aquele pai que está fazendo o seu papel todos os dias.

Será que o bebê que chora, busca colo e demanda por você não está apenas hiperestimulado pelo ambiente, ou precisando da...
17/11/2025

Será que o bebê que chora, busca colo e demanda por você não está apenas hiperestimulado pelo ambiente, ou precisando da sua regulação?

A espécie humana evoluiu durante cerca de 300 mil anos com bebês sendo carregados de forma contínua, dormindo próximos aos cuidadores e recebendo contato abundante. A maternidade moderna espera que eles se adaptem a quartos silenciosos, berços isolados e contato corporal reduzido, tudo isso em uma única geração. Estudos antropológicos de Meredith Small mostram que, em culturas onde os bebês são carregados com frequência, os episódios de choro são mais raros e mais curtos. A diferença está no ambiente, não no temperamento da criança.

O bebê que chora muito, recusa o berço e insiste no colo está sinalizando exatamente o que o sistema nervoso dele precisa para se organizar. Pesquisas em neurociência do desenvolvimento mostram que bebês nascem com imaturidade neurológica e dependem de corregulação para estabilizar temperatura, frequência cardíaca e estados emocionais.

Rótulos transformam necessidades biológicas legítimas em características consideradas defeitos. Quando, na realidade, bebês que sinalizam intensamente estão respondendo de maneira coerente diante de um ambiente que não foi construído para eles.

💬 Seu bebê já recebeu um rótulo? Compartilhe como você lidou com isso.

Muita coisa que chamamos de “dificuldade alimentar” começa lá atrás, nos primeiros contatos com a comida.E o gatilho mai...
13/11/2025

Muita coisa que chamamos de “dificuldade alimentar” começa lá atrás, nos primeiros contatos com a comida.

E o gatilho mais comum?
A ansiedade de quem oferece, alimentada por expectativas irreais sobre o quanto um bebê deveria comer.

A ciência mostra que os bebês nascem com um sistema orgânico de regulação de fome e saciedade.
O problema começa quando, por insegurança, o adulto tenta controlar:

- Forçando,

- Distraindo,

- Negociando cada colherada.

Esses esforços não só atrapalham a confiança, mas interferem na autonomia que o bebê precisa.

E sim, o apetite varia e isso é fisiológico.
Dentes nascendo, vírus, calor, menor gasto de energia… tudo isso muda a fome. Interpretar esses momentos como o fracasso leva a intervenções desnecessárias e isso, sim, pode virar um problema real.

A pressão externa só piora:
▫️porções padronizadas,
▫️bebês que “comem tudo” nas redes sociais,
▫️ julgamentos sobre o peso e o crescimento.

Mas criança saudável, ativa e crescendo bem
…está só exercendo seu apetite real.

💬 E por aí?
De onde vem a maior cobrança sobre o quanto seu filho come?
Família? Profissionais? Ou a comparação com outras crianças?

06/11/2025

A sobrecarga de informações que Saramago descrevia em 2001 se concretizou de forma brutal e, ao meu ver, atingiu em cheio a maternidade contemporânea.

Famílias consomem milhares de orientações sobre desenvolvimento infantil, salvam posts, fazem cursos, comparam marcos. Mas quando chega o momento da relação real com a criança, a presença não está lá.

Há uma diferença profunda entre saber e estar.

Pais podem dominar teorias sobre apego, neurociência e comunicação não-violenta e ainda assim estarem emocionalmente ausentes, porque o cérebro está saturado processando informação, culpa e medo.

A criança concreta, com suas demandas únicas e seu ritmo próprio, sai de foco.
O olhar se volta para projeções idealizadas de infância que circulam nas redes.

Pesquisas sobre atenção parental mostram que disponibilidade emocional tem mais impacto no desenvolvimento do que repertório teórico acumulado.
Vínculo se constrói em micromomentos de presença genuína e é só a partir daí que o conhecimento faz sentido.

💬 Quando foi a última vez que você olhou seu filho sem pensar no que deveria estar fazendo diferente?

Embora o ganho de peso seja um dos marcadores da saúde do bebê, é necessário que cada criança seja cuidadosamente avalia...
05/11/2025

Embora o ganho de peso seja um dos marcadores da saúde do bebê, é necessário que cada criança seja cuidadosamente avaliada levando em consideração seu estado geral, uma observação atenta e ouvindo os sinais que a família costuma trazer nas consultas.

Nem sempre o problema está no bebê. Muitas vezes o ganho de peso inadequado pode ser fruto de orientações contraditórias, manejo da amamentação inadequado e procedimentos que atrapalham a sucção.

A literatura sobre crescimento mostra que as trajetórias não são lineares. Bebês atravessam fases de aceleração e desaceleração ponderal que fazem parte da normalidade fisiológica.

O resultado prático: introdução precoce de fórmulas, suplementação desnecessária, pressão alimentar que pode criar relações disfuncionais com a comida. Tudo isso antes de qualquer investigação real sobre o que está acontecendo na vida daquela criança.

Como dizia Brazelton, “cada bebê nos conta sua história se estivermos dispostos a observar”. Antes de rotular, é preciso ouvir: olhar a ma**da, o vínculo, o padrão de despertares, o comportamento após as ma**das, a trajetória na curva e o seu alvo genético. O bebê precisa de avaliação cuidadosa, respeito à sua biologia e ajustes precisos para que volte a crescer com segurança.

Se você está inseguro com o crescimento do seu filho, posso te acompanhar de perto.

31/10/2025

Embora os primeiros anos de vida sejam a melhor época para o desenvolvimento da criança, precisamos entender o que é essencial para o futuro e o que é apenas “adiantar” a criança sem impacto real.

Afinal, o que é atividade educativa? Quando ela é necessária? Tome cuidado: muita coisa que parece estimular, só ocupa.

O desenvolvimento acontece em atividades relacionais, com atenção, comunicação e construção da autoconfiança.

Quais os espaços e rotinas que seu filho tem dentro da sua casa? É sobre presença, constância, oferecer espaço para errar, observar e repetir.

Meu filho vive doente, será que a imunidade dele está baixa? Essa pergunta revela uma confusão importante: frequência de...
27/10/2025

Meu filho vive doente, será que a imunidade dele está baixa? Essa pergunta revela uma confusão importante: frequência de infecções não é sinal de imunidade comprometida.

A pediatria mostra que crianças pequenas adoecem com frequência justamente porque estão construindo seu repertório imunológico. Cada resfriado, febre ou virose, é parte natural desse processo de maturação, especialmente quando frequentam creches ou escolas, onde o contato com muitos vírus é inevitável.

O que realmente importa não é contar quantas vezes por ano seu filho f**a doente. O que merece atenção é a natureza dessas infecções: gravidade, necessidade de internação, impacto no crescimento e desenvolvimento, padrão de recuperação.

Fora desses cenários, o que vemos hoje é outro problema: a medicalização de processos saudáveis. Pelo menos 30% dos antibióticos prescritos para crianças são desnecessários, grande parte das crianças que frequentam pronto atendimentos e emergências fazem exames desnecessários e a maioria dos remédios prescritos para “resfriados e gripes” não tem evidência cientif**a.

Enquanto isso, fatores que realmente fazem diferença (qualidade do sono, alimentação variada, vínculo seguro, tempo ao ar livre, redução de estresse familiar) seguem sendo subestimados nas consultas.

➡️E você? Quando seu filho adoece, o que te preocupa mais: a doença em si ou a sensação de não estar fazendo o suficiente?

Endereço

Rua Sidney Nocetti 62, Sala 401
Florianópolis, SC
88025-320

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Terça-feira 08:00 - 19:00
Quarta-feira 08:00 - 19:00
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Dra. Fernanda Lima.

Durante a faculdade de medicina, me apaixonei pela pediatria e, mais especif**amente, pela puericultura. Apesar da carga horária do curso, fiz muitas horas extras no ambulatório, pois simplesmente f**ava encantada e amava estar perto de tudo aquilo.

Nesta época, ganhei o apelido carinhoso de Felícia (Personagem do desenho animado Tiny Toons, conhecida pela frase: Eu vou te abraçar, te beijar e te apertar até seus olhos pularem para fora e eu destruir todos seus ossinhos), pois minha vontade era de realmente cuidar, dar carinho e ajudar os bebês e crianças que passavam por mim com dedicação plena o tempo todo.

Com todas as experiências que vivi, entendi que para verdadeiramente cuidar destas pequenas pessoinhas, é necessário também conhecer e atender a família, para conhecer o ambiente e situações que os rodeiam.