30/09/2021
Se você não sabia sobre o assunto antes, provavelmente você ouviu em algum momento desde o início da Pandemia do Coronavírus alguma informação sobre a Síndrome de Burnout. O fato é que com o distanciamento social e o trabalho realizado remotamente, os índices de pessoas acometidas aumentou.
E o que é essa Síndrome? Ela é caracterizada como uma exaustão física e mental, por isso também pode ser denominada como Síndrome do Esgotamento. Pertence ao quadro das Depressões Ocasionais e tem causa e relação com as atividades laborativas de quem é acometido, ou seja, a causa é justamente o excesso e/ou condições do trabalho, é doença ocupacional.
Os sinais presentes na sintomatologia da Síndrome de Burnout passam por alguns estágios, que podem ocorrer também de forma não linear, o indivíduo apresenta o esgotamento frente ao estresse crônico em etapas:
- Hiperfoco, hiperprodutividade, excesso de horas trabalhadas, deixando de realizar atividades que antes integravam a rotina, como encontro com amigos, alimentação mais saudável, atividade física, momentos de lazer.
- Irritabilidade, ansiedade e muitos sintomas físicos: insônia, alteração de pressão arterial, problemas dermatológicos, enxaquecas e todos os sintomas que o estresse crônico pode resultar.
- Exaustão e apatia, esgotamento físico e mental, falta de concentração, tristeza, necessidade de isolamento.
Podemos compreender melhor as causas, e assim medidas preventivas da Síndrome de Burnout através de 3 perspectivas: sobre você mesmo, sobre a relação com o trabalho e sobre a sociedade em que vivemos. Não conseguimos estudar sobre nossa saúde mental se não nos conectarmos ao estilo de vida e modelo social, cultural e econômico em que estamos inseridos.
Como evitar o fenômeno do Burnout ou a depressão do esgotamento quando vivemos numa sociedade do cansaço?
O século XXI inicia com muita velocidade e esgotamento, vem com um aspecto tenebroso da valorização de indivíduos inquietos e hiperativos que se arrastam no cotidiano produtivo realizando múltiplas tarefas. Há a ideia introjetada de que somos empresários de nós mesmos, em que se tem uma falsa sensação de liberdade já que não nos sentimos mais vigiados por um chefe e nem a exploração vem deles (ainda que isso aconteça), nos colocamos em “prisões” invisíveis como o excesso de positividade de que nós podemos tudo! Tudo é possível! Tendemos ao controle quase obsessivo sobre tudo e sobretudo aos resultados e ao nosso desempenho, assim não conseguimos parar de produzir e nos culpamos quando não estamos produzindo. Nós nos auto-exploramos!
O termo e a concepção de “Sociedade do Cansaço” são levantadas e refletidas pelo filósofo sul-coreano Byung-Chul Han com a publicação do livro de mesmo nome em 2010 recomendamos a Leitura!
Situados no momento em que vivemos, no nosso modo de viver a vida, f**a claro a consequência da ideia de que temos que ser multi-tarefas, temos um excesso de estímulos: “síndrome da fadiga informativa”.
Não temos aparato neurológico e nem psíquico suficiente para a quantidade de estímulos e informações que recebemos todos os dias, o que gera mais inquietação e hiperatividade do que ideias novas ou algo novo e de fato útil para nossa qualidade de vida. Podemos até dizer que reagimos a tanta informação com uma “paralisia de análise”, eis que estamos mais confusos e não conseguimos refletir, analisar e elaborar aos estímulos que recebemos.
Faço abaixo algumas perguntas para que encontremos algumas estratégias preventivas e protetivas contra o Burnout:
Faz sentido pra você viver assim? O quanto você se cobra e exige sobre seu desempenho?
O que é produzir? A sua sensação de produzir está sempre relacionada com algum meio de gerar resultado financeiro?
Você tem tempo para contemplar, não se ocupar com nada, com o vazio?
E a sua empresa (ou vc mesmo), reconhece e valoriza seu trabalho?
No seu ambiente de trabalho existe cooperação e coleguismo? Há excesso de competividade e perfeccionismo? A empresa oferece condições mínimas de executar seu trabalho?
Você se sente útil com seu trabalho? Ele tem valor pra você? Ou ele concorre com seus propósitos?
A gente só trabalha e consome?
O que pode ser mais efetivo para nos prevenirmos da Síndrome de Burnout? Não há uma única resposta, já que é um fenômeno social.
Podemos começar pela ideia de nos autorizar dizer mais “nãos”, entendermos melhor nossos limites? Podemos tentar nos ouvirmos mais e melhor, não adentrar no ciclo do estresse e evitar o nosso colapso? http://giseleschneidermachado.site.psc.br