17/01/2022
Você já parou para se perguntar sobre o que realmente importa dentro de seus projetos de vida e o quanto está fazendo nessa direção?
Essa é uma questão que sempre me incomodou mas que, raramente, eu parava para pensar e poder me responder pois, por mais que eu fizesse, algumas vezes ia na direção oposta ao que queria ou sonhava ser e fazer.
Eu e todas nós mulheres, na grande maioria, fomos educadas para sermos as “cuidadoras”, as responsáveis pelo zelo doméstico, pelos cuidados maternos, as meigas, frágeis, amorosas, comportadas – no jeito de ter que se comunicar ou sentar, ou se vestir, caminhar e pensar, é claro.
O processo de olharmos para dentro de nós e tentar trazer á tona as “legítimas mulheres que somos” , as que queremos ser sem termos que nos comportar como esperado o tempo todos nos mais diversos lugares não é um processo fácil, mas necessário .
A gente cresce “tendo que isso e aquilo”, sabendo o que não pode e não deve ser e nem fazer ou se comportar e, em momento algum, nos perguntam o “que nós queremos” fazer, ser e escolher . É claro que o que queremos está impregnado dos “quereres” dos outros, da sociedade, da moral, dos pré-conceitos porque é nesse contexto que vamos crescendo e nos tornando quem somos. Mas é dentro dessas expectativas externas que precisamos encontrar os “nossos quereres”.
Mas, certamente, não é fácil desejar coisas ou ser alguém que talvez não vá na direção do que os outros esperam de nós. E o medo de não sermos aprovadas, sermos questionadas, rejeitadas e, até mesmo, abandonadas? Quem nunca viveu isso?
Não é fácil não! E o medo está presente para impor os limites que não devemos ultrapassar. E as punições, principalmente as psicológicas e emocionais, a nos dizerem diariamente qual o nosso lugar. E da necessidade de sermos confirmadas e aceitas vem a auto sabotagem, as inseguranças e os comportamentos de complacência e submissão ás situações e aos outros. E nem vou considerar aqui inúmeras outras variáveis que nos aprisionam.
Aprendemos e praticamos uma vida toda a conformidade com as coisas que vem de fora e que, quando nos posicionamos diferente desse esperado por conseguirmos ser autênticas, legítimas e lutar pelos nossos sonhos, não raramente, surge uma sensação de estranheza, de ser diferente, a rebelde sem causa e temos que ouvir coisas do tipo: “você não era assim”, “está louca?” “o que aconteceu?”
O regular e esperado, que sejamos nós mesmas, passa a ser o esquisito, o diferente o fora da norma. E, na maioria das situações por pensarmos fora da caixa que habitávamos, daquele lugar comum que nos deram e no qual vivíamos com certo conforto existencial , porque confirmado pela maioria como sendo o melhor para nós, somos vistas como as estranhas ou as loucas.
Não é de hoje que quando as pessoas querem algo diferente do que queremos, nos desconfirmam , nos confundem, nos desqualificam – somos aquela que não está bem.
E o que a maioria de nós faz? Tenta se superar, fazer melhor e mais coisas do que fazia antes para mostrar que é capaz, que está bem. Que é uma ótima companheira, a filha perfeita, a supermãe, a melhor profissional e ai vem a exigência desmedida, a síndrome da superpoderosa. Um lugar impossível de ser alcançado e tampouco desejado por nós.
Estarmos exaustas, frustradas e impedidas em alguma coisa (ou em várias) em nossas vidas é o “normal”, o que nos cabe, o nosso papel. Aquele aprendido e apreendido ao longo de toda uma história patriarcal e machista construída socialmente e apropriada psicologicamente por nós como sendo o único lugar que podemos ocupar.
Assim chegam as mulheres em meu consultório: impedidas de realizarem seus sonhos que não são esses que lhes deram de fora. Inviabilizadas profissionalmente, sexualmente insatisfeitas, rejeitando seus corpos, se sabotando para serem o ideal desejado. Mulheres incríveis, cheias de qualidades, insuperáveis, que já são maravilhosas e não conseguem enxergar seu próprio reflexo refletido no espelho.
É para isso que encontro cada dia mais sentido no meu trabalho: tirar da sombra as mulheres incríveis que habitam em cada uma de nós!
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Graça Costa.
Psicóloga CRP 12/0065
Especialista em Mulheres - Orientação e Transição de Carreira