13/02/2026
A dor é inevitável, mas a destruição é uma escolha.
Quando lemos notícias sobre um pai que tira a vida dos próprios filhos, a primeira reação é buscar um “porquê”. Fala-se em traição, em surto, em desespero. Mas a psicologia nos ensina a olhar para o que sustenta essa barbárie: a incapacidade absoluta de lidar com a rejeição e com a perda do controle.
Muitas vezes, o que chamamos de “amor extremado” é, na verdade, um narcisismo patológico. Para esse perfil, a família não é composta por indivíduos com desejos e vidas próprias, mas por extensões do seu próprio ego. Quando o outro decide ir embora, ou quando a imagem de “família perfeita” é arranhada, o agressor prefere o aniquilamento à aceitação.
Não se engane: destruir a vida de inocentes para punir um parceiro não é um ato de paixão, é violência vicária. É usar o maior amor de alguém como arma de vingança.
A traição real ou imaginada fere o orgulho. Mas é o caráter (ou a falta dele) que define o que fazemos com essa ferida. A dignidade se mantém no luto e na terapia, jamais no sangue.
Que possamos olhar para esses casos não apenas como tragédias isoladas, mas como alertas sobre a urgência de discutirmos saúde mental, posse e a educação emocional de homens que não aprenderam a ouvir “não”.
A rejeição não destrói vidas. A incapacidade de processá-la, sim.