04/12/2025
Nesses últimos dias, ficamos diante de histórias que doem.
E, como sempre, surgem as perguntas erradas:
“Por que ela não saiu?”
“Por que ela não viu os sinais?”
“Por que ela não pediu ajuda?”
Mas essa lógica coloca sobre a mulher uma responsabilidade que nunca foi dela.
Do ponto de vista da Gestalt, olhar para o fenômeno de forma isolada, como se fosse uma escolha individual, desconsidera o campo inteiro: histórico, social, emocional, econômico e relacional.
Feminicídio não acontece porque uma mulher falhou.
Acontece porque um agressor escolheu violentar.
E porque existe uma cultura que legitima controle, posse e silenciamento.
Quando pedimos que a mulher “preveja o perigo”, estamos pedindo o impossível.
E ainda por cima reforçando a culpa.
O que precisamos é mudar o campo:
• responsabilizar quem agride;
• educar meninos e homens;
• fortalecer redes de apoio;
• acolher sem julgamento;
• e entender que segurança não é uma tarefa individual, é um direito.
Que a gente siga olhando pra isso com firmeza e cuidado.
E que nenhuma mulher precise carregar o peso que nunca pertenceu a ela.
Com indignação e cuidado,
Karla Paiva
❤️✨