19/02/2025
Minha irmã, 10 anos, entra no elevador, olha-se no espelho e comenta:
- nossa, como eu tô feia!
Meu filho, três anos e meio, observa a cena, olha-se no espelho e diz:
- eu sou feio só no espelho.
Esse pequeno diálogo mostra algumas coisas muito importantes sobre o que ensinamos às crianças e como isso pode mudar o mundo futuro.
O que motiva uma criança a se olhar no espelho e se perceber “feia”? Comparada com o que/ quem? O que ela esperava encontrar ao final de um dia em que ela correu, deitou na poltrona do cinema, comeu, e passou o dia rodando num shopping?
O reflexo que ela viu não foi o dela. Foi o de uma cultura adoecedora na qual estamos inseridos. A cultura que julga os que descansam por estarem “perdendo tempo”. A cultura que julga os corpos fora do padrão, os cabelos não milimetricamente organizados, a falta de maquiagem, as sandálias sem salto e as unhas sem esmalte enquanto “descuido” ou “desleixo”. Uma cultura que afirma que homem não chora. Uma cultura que aprendeu a mascarar a tristeza e a ver a vulnerabilidade como um sinal de fraqueza, quando o oposto é que é verdadeiro.
Ao criar uma criança, estamos desenvolvendo futuros adultos. Que adultos vocês querem no mundo futuro? Já perceberam que esses adultos é que formarão o conceito de mundo? O mundo que desejamos para os nossos filhos deve ser desenvolvido neles enquanto crescem. Eu ensino meu filho sobre gentileza (consigo e com os outros), amizade, a cuidar das suas emoções (incluindo, claro, as consideradas mais difíceis). E ele viu no espelho um reflexo disso. É só um espelho. Não é ele. Reflete o dia que ele teve, não quem ele é. Quem ele é, na verdade, nem reflete em espelhos.
E vocês, o que veem no espelho? Será que podemos ensinar valores que florescerão, através das nossas crianças, e formarão um mundo melhor de se viver? Me conta!
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