07/04/2026
“Descasque mais e desembale menos”: nutricionista alerta sobre obesidade infantil
Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde em 2025 mostram uma inversão histórica: o número de crianças com obesidade infantil ultrapassou, globalmente, o de crianças desnutridas. O cenário acendeu alerta entre profissionais de saúde, que apontam mudanças nos hábitos alimentares e no ritmo de vida das famílias como principais causas.
A nutricionista Isabel Macedo, do Hospital Frei Gabriel, explicou que a obesidade infantil é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura em crianças e adolescentes, condição que favorece o surgimento precoce de doenças como colesterol alto, diabetes tipo 2 e transtornos mentais relacionados à imagem corporal e ao bullying.
“O que mais caracterizou esse aumento de peso nas crianças é o imediatismo que nós temos”, afirmou Isabel. A nutricionista destacou que a rotina acelerada leva os pais a optarem por alimentos rápidos, como enlatados, embutidos, biscoitos recheados, macarrão instantâneo e refrigerantes – inclusive as versões sem açúcar, que ainda contêm conservantes e adoçantes em excesso.
Segundo a especialista, nos últimos quatro anos a obesidade infantil e adolescente triplicou, com maior incidência na faixa etária de 5 a 9 anos. “A criança que está com IMC acima de 22 ou 23 já é considerada obesa e já está doente. Não é uma criança bonitinha, é uma criança que precisa de cuidado”, alertou.
Macedo reforçou uma orientação prática para as famílias: “Descasque mais e desembale menos. Quanto mais você desembala, mais ultraprocessado é o alimento”.
Ela ainda recomendou a leitura de rótulos, observando que listas longas de ingredientes indicam alto grau de processamento. Como exemplo, citou pães ditos integrais cuja farinha integral aparece por último na composição.
Sobre o custo da alimentação saudável, a nutricionista discorda que comer bem seja necessariamente caro. “Comprar frutas e verduras na data certa, fora da entressafra, e fazer um prato com metade de arroz, feijão e carne e a outra metade de verduras e legumes não f**a caro”, afirma.
Para os pais que enfrentam resistência dos filhos já habituados aos ultraprocessados, a especialista sugere mudanças graduais em vez de restrições abruptas. Negociar pequenos prazeres aos finais de semana e incentivar brincadeiras ao ar livre ajudam a reduzir o tempo de tela sem gerar frustração. “Não se tira o alimento de uma vez. E também não existe dia do lixo, comida é algo muito bom e sagrado para ser tratado assim”, destaca.
Por fim, Isabel Macedo faz um alerta aos responsáveis: alterações repentinas no apetite das crianças podem sinalizar sofrimento emocional ligado ao peso. Nesses casos, recomenda-se procurar a Atenção Básica de Saúde para um acompanhamento nutricional adequado, acolhendo a criança sem culpabilização dos pequenos pacientes.