17/12/2025
Por medo de vacinar as crianças, doenças antes controladas voltam a matar no Brasil
Nos últimos dois anos, o Brasil testemunhou um aumento alarmante de 220% na morte de crianças de 0 a 5 anos por doenças evitáveis, ou seja, óbitos que poderiam não ter acontecido com uma simples ação: a vacinação.
Dados do Ministério da Saúde revelam um cenário preocupante, impulsionado pela queda nas coberturas vacinais e pela disseminação de informações falsas, doenças que antes estavam controladas, voltaram a matar.
Segundo o médico infectologista, Flávio Bugiga, a redução nas taxas de imunização infantil é multifatorial, mas foi intensif**ada pelo movimento antivacina, que ganhou força a partir de 2018 e se fortaleceu durante a pandemia de Covid-19. "Paradoxalmente, em um momento em que a vacinação deveria ser prioridade, vimos campanhas de desinformação que levaram famílias a evitar não apenas a vacina contra a Covid, mas todas as outras", explica.
Esse movimento coletivo contrário às vacinas, baseada em alegações não científ**as, resultou em uma queda na proteção em massa, abrindo portas para o retorno de doenças antes controladas.
Para combater mitos, o infectologista detalhou o mecanismo de ação das vacinas: "De uma maneira simplista, quando uma vacina é aplicada, ela apresenta o microrganismo causador da doença — ou partes dele — ao sistema imunológico, sem causar a doença, para que, justamente, o corpo produza defesas".
Sobre a segurança dos imunizantes, o médico é enfático: "Nenhum estudo de alta credibilidade associa vacinas a autismo, doenças cardíacas ou neurológicas. Efeitos colaterais existem, como febre ou dor local, mas os benefícios são infinitamente superiores aos riscos".
Entre as doenças que ressurgiram causando medo em mães e pais, a coqueluche se destacou como principal causa de morte infantil. "Ela afeta as vias respiratórias e pode ser fatal em crianças pequenas, mas é prevenível por vacina", afirma o médico.
Já a catapora, altamente contagiosa, embora geralmente branda na infância, pode levar a complicações graves como pneumonia e encefalite em adolescentes e adultos. "A vacinação é a forma mais ef**az de controle", reforça.
O médico também esclarece que a imunização não é exclusiva da infância: "Quem não foi vacinado pode e deve receber as doses mesmo na fase adulta, seguindo o calendário vacinal".
O retorno de doenças evitáveis é um sinal de alerta para a sociedade. A desinformação, somada à negligência, coloca vidas em risco, especialmente as mais vulneráveis. Como destaca o Dr. Flávio, "vacinar é um ato de proteção individual e coletiva".
Em um cenário onde fake news se espalham mais rápido que vírus, a ciência e a saúde pública precisam ser defendidas com urgência.