04/04/2026
O debate sobre o uso de canabidiol (CBD) no Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem crescido e agora ganhou mais um capítulo. Um pequeno estudo conduzido por pesquisadores da UFSC e da Unisul acompanhou 30 crianças e adolescentes com TEA, entre 2 e 15 anos, durante 24 semanas, utilizando óleo com alta concentração de CBD (proporção 14:1 em relação ao THC). Os resultados mostraram boa tolerabilidade, sendo que os eventos mais relatados foram aumento do apetite e, em alguns casos, maior irritabilidade. Do ponto de vista clínico, muitos pais relataram melhora na agitação psicomotora, maior tranquilidade e avanço na sociabilidade - um ponto relevante, já que não existem medicamentos aprovados especificamente para tratar os sintomas centrais do autismo, como dificuldades sociais e comunicacionais. Parte dos participantes conseguiu reduzir ou suspender outros fármacos, como antipsicóticos. No entanto, os próprios autores reconhecem limitações importantes: número pequeno de participantes, ausência de grandes ensaios randomizados e necessidade de estudos com amostras maiores para confirmar eficácia. A literatura internacional aponta resultados semelhantes. Um estudo israelense com 150 crianças com TEA mostrou melhora clínica em parte dos pacientes que receberam formulações à base de Cannabis. Ainda assim, não há consenso definitivo e o uso deve ser sempre individualizado.
Neste Abril Azul, lembre-se: cada criança é única e qualquer intervenção com canabinoides precisa de acompanhamento rigoroso e avaliação de interações medicamentosas