06/03/2026
Em outros momentos da vida, eu leria essa frase da Clarice com algum grande desconforto porque essa ideia de solidão assusta mesmo.
Hoje, leio e posso pensar, com alívio, “ainda bem”. Ainda bem que ninguém pode escolher por mim🙏🏻 sabe?
Essa frase me capta porque, entre tantas coisas que se pode pensar a partir dela, a primeira que me vem é a expectativa tão comum de que a solução virá de fora.
A gente procura e espera alguém que resolva, explique, nos salve, nos organize, indique o caminho. Um professor, um parceiro, um especialista.
Mas, em algum momento da vida, na melhor das hipóteses, vamos precisar nos haver com essa constatação:
ninguém é eu.
e ninguém é você.
Isso não quer dizer que estamos sozinhos no mundo.
Mas quer dizer que existe uma parte da vida que é intransferível, porque ninguém está na nossa pele.
Ninguém pode (e nem consegue) assumir a responsabilidade de sustentar quem *você* é e pensar a sua vida no seu lugar (nem o chat gpt, tá? Por favor kk).
De decidir caminhos e de lidar com as consequências deles.
-e que bom né? Porque isso seria uma grande e já declarada cilada-
A escrita da Clarice é assim, direta e sem conforto mesmo.
Mas nos lembra de algo simples e difícil ao mesmo tempo:
existe uma parte da vida que só nós mesmos podemos sustentar.
E é justamente aí que começa a nossa autoria.
🫂