26/02/2026
Uma mão já atravessou o tempo. A outra ainda caminha nele.
A mão da avó é a mão da linhagem, ancestralidade viva, expressão do arquétipo da Grande Mãe que sustenta, transmite e enraíza. A minha, ainda aprendendo, é continuidade desse entrelaçamento de histórias.
Segurar a mão da minha senhora é reconhecer que parte de quem sou foi moldada nesse encontro de gerações. Hoje, ao segurá-la em memória, toco a própria origem e compreendo que aquilo que me constitui não começou em mim. Cada gesto, cada valor, cada silêncio compartilhado sedimentou camadas da minha identidade.
A individuação também passa por isso: honrar as raízes, integrar a história e permitir que o amor vivido se transforme em consciência.
Algumas presenças deixam o mundo visível para se tornarem fundamento invisível.
E é desse invisível que seguimos nos tornando quem somos.
Há vínculos que não terminam, aprofundam-se.
Te amo para sempre, minha veia.