18/10/2025
Uma equipe de Stanford acaba de reverter sintomas de autismo ao direcionar uma região cerebral até então pouco estudada.
Em um estudo inovador, pesquisadores da Stanford Medicine conseguiram reverter comportamentos semelhantes ao autismo em camundongos ao focar em uma área específica do cérebro conhecida como núcleo reticular do tálamo.
Essa região, que atua como uma espécie de “porteiro” das informações sensoriais, mostrou-se hiperativa em camundongos que apresentavam sintomas de autismo — levando a sinais como hipersensibilidade a estímulos, isolamento social, convulsões e comportamentos repetitivos.
Ao reduzir essa hiperatividade — usando tanto um medicamento experimental contra convulsões (Z944) quanto uma técnica de neuromodulação chamada DREADD — os cientistas conseguiram restaurar padrões comportamentais típicos nos animais.
De forma impressionante, quando a atividade dessa região foi artificialmente aumentada em camundongos saudáveis, eles passaram a exibir comportamentos semelhantes aos do autismo, reforçando ainda mais o papel dessa área.
Essas descobertas também ajudam a explicar por que a epilepsia é tão frequentemente associada ao autismo, já que ambas as condições podem compartilhar circuitos neurais semelhantes envolvendo o tálamo.
Embora o estudo ainda esteja em fases pré-clínicas, ele aponta uma nova e promissora direção para pesquisas de tratamento — focando em uma região cerebral específica e antes negligenciada.
Se estudos futuros em humanos confirmarem esses resultados, essa abordagem poderá representar um grande avanço rumo a tratamentos mais precisos e baseados na biologia para os transtornos do espectro autista.
📄 Artigo científico:
“Reticular thalamic hyperexcitability drives autism spectrum disorder behaviors in the Cntnap2 model of autism”
por Sung-Soo Jang, Fuga Takahashi e John R. Huguenard,
20 de agosto de 2025, Science Advances.