27/02/2026
Existe uma frase que escuto com muita frequência no consultório:
“Ah, doutora, isso é da idade mesmo.”
Só que no quase sempre esse “isso” significa pequenos escapes ao tossir, ao rir, ao correr para atravessar a rua ou aquela urgência repentina de ir ao banheiro e não conseguir segurar.
Com o passar dos anos, o corpo realmente muda. Há redução hormonal, perda natural de massa muscular, alterações na qualidade do colágeno e, muitas vezes, um histórico acumulado de partos, cirurgias, constipação crônica ou atividades de alto impacto.
Mas mudança não é sinônimo de perda inevitável de função. O assoalho pélvico é musculatura. Assim, como qualquer músculo do corpo, ele responde a sobrecarga, desuso, tensão excessiva ou falta de coordenação. Se nunca foi avaliado ou treinado adequadamente, pode começar a falhar.
O problema é que muitas mulheres passam anos adaptando a rotina:
– mapeiam todos os banheiros do shopping
– evitam viagens longas
– deixam de praticar exercício
– usam absorvente diariamente
– acordam várias vezes à noite
Tudo isso vai sendo naturalizado como parte do envelhecimento.
Mas não é.
Incontinência urinária é um sintoma e sintoma é informação de que algo não está funcionando como deveria. Em muitos casos, o tratamento não envolve cirurgia nem medicação. Envolve reeducação muscular, ajuste de padrão respiratório, melhora da coordenação e fortalecimento específico.
Envelhecer faz parte da vida. Perder qualidade de vida não deveria fazer. Se isso já impacta sua rotina, talvez não seja “coisa boba”. Talvez seja apenas algo que ainda não foi cuidado.