02/06/2020
Hoje eu quero compartilhar com vocês um tema recorrente nas mesas de barzinhos, na conversa com os amigos ou amigas, nas reuniões familiares, enfim, nos mais diversos meios sociais, que é sobre as dificuldades nos relacionamentos conjugais, mais especif**amente sobre migalhas afetivas.
Para você o que representa migalha? O que signif**a mendigar?
Já pararam para pensar quantas vezes nos contentamos com um mísero bom dia ou boa noite, uma conversa monossilabica ou superficial, sem conexão? Quantas vezes estamos ali disponíveis e dispostos para fazer acontecer um sonho, um desejo de via única? Criamos expectativas recheadas de esperanças, de que o outro mudará com o tempo e daí você receberá o que tanto deseja.
Você investe sua energia e o seu tempo para receber migalhas de forma parcelada? Mendiga carinho, atenção, afeto. Imagine um mendigo pedindo isso para você, o que você sentiria?
É importante comunicar e expressar o que incomoda na relação com o outro, falar o que deseja, o que falta e o que necessita de reparo, afinal somos sujeitos de nossa história, de nossa narrativa! Mas se o outro não quer escutar e muito menos modif**ar isso em prol do relacionamento, para que insistir? Nesta conta, você vai f**ando em dívida consigo para dar crédito a um ideal, ao outro.
É natural querermos nos sentir bem, ter uma companhia, sentirmos o prazer de viver e sermos felizes. Não nascemos para f**armos isolados.... Quando algo falta, algo não vai bem, buscamos aliviar a angústia, a ansiedade, a tristeza, a inquietude. Quantas vezes buscamos preencher isso buscando alívio no outro?
Não há mal em querer sentir-se bem, em investir em alguem, em desejar ter um relacionamento, mas enquanto não investir em si, em respeitar os seus sentimentos e aprender que sem reciprocidade o relacionamento só vai te machucar, vai ferir, você continuará recebendo migalhas.
Quantas situações revelam os mais diversos sinais e nos negamos ou recusamos a enxerga-los? Acreditamos que a migalha oferecida, um breve momento, a resposta monossilabica perante a tentativa de uma conversa é o suficiente para confortar e aliviar o medo de f**ar só, a angústia de separação. No entanto, isso só faz você se distanciar cada vez mais de si, na ilusão de que em algum momento sentirá bem. Mas não, isso só piora, só esvazia.
As vezes é melhor colocar um ponto final, se afastar, excluir e sofrer a sua dor, deixar sangrar, passar pelo luto, para depois se curar e buscar novos sonhos, novos momentos. Enquanto insistirmos em seguir nas redes sociais, acompanhar os stories, status, feeds, etc. para ver uma brecha para iniciar um diálogo, tentar ganhar um espaço na vida do outro, mais dor causará para si.
E lembre-se é possivel curar a dor no lugar que desperta o ferimento? 🤔😉
(Priscila Lopes - CRP 06/87878)