29/01/2026
Às minhas lindas amigas de cinquenta anos ou mais…
Estamos a entrar numa nova fase da vida, uma fase que nos pede para abrandar e olhar para nós mesmas com mais carinho. Sim, notamos as rugas, os fios prateados no cabelo, os corpos que já não são os mesmos. Também vemos as mulheres jovens, cheias de energia, e por vezes o nosso coração volta ao tempo em que estávamos no lugar delas.
Nós também tivemos vinte e cinco anos, tal como elas um dia estarão onde hoje estamos nós.
Já não somos as raparigas de vestidos de verão, e isso está bem. Aquilo que a juventude traz em frescura e fogo, hoje trazemos como profundidade, sabedoria e compreensão. As nossas vidas contam histórias que os nossos rostos não conseguem esconder.
Amámos profundamente. Criámos filhos, construímos lares, mantivemos famílias unidas, pagamos contas e carregamos responsabilidades diárias. Passamos por doenças, luto, desilusões e dores silenciosas que ninguém viu. Algumas de nós perderam pessoas que levaram consigo pedaços do nosso coração.
E, ainda assim, aqui estamos.
De pé. A respirar. A amar.
Somos sobreviventes. Guerreiras silenciosas. Mulheres moldadas não pelo conforto, mas pela resistência.
Como um bom vinho ou clássicos intemporais, carregamos um valor que só o tempo pode dar. Os nossos corpos mudaram, mas ainda guardam a nossa coragem, a nossa força e as nossas almas que se recusaram a desistir.
Entremos neste capítulo com ternura para conosco mesmas, com humildade, dignidade e orgulho por tudo o que superamos. Envelhecer não é algo pelo qual devamos pedir desculpa.
É um privilégio.
Que tantos nunca terão.
A D.