09/01/2026
Investigação britânica revela que as pessoas que recorrem a injeções para perderem peso arriscam recuperar o peso mais depressa. Uma velocidade quatro vezes superior face a quem concluiu dietas mais convencionais e que incluiam exercício físico.
Utilizadores de injeções para emagrecer e que apresentem sobrepeso correm maior risco de recuperarem os quilos perdidos até quatro vezes mais rápido do que os que param após terem cumprido planos nutricionais mais comuns e que os combinam com exercício físico.
A análise feita com base em ensaios médicos revela que quem perdeu até cerca de um quinto do peso corporal pode recuperar até 800 gramas por mês após interrupção do tratamento, refere o estudo publicado esta quarta-feira, 7 de janeiro, no "British Medical Journal". Contas feitas, a recuperação do peso inicial após a paragem das injeções pode chegar em ano e meio.
As pessoas que compram estes produtos precisam estar cientes do risco de recuperação rápida do peso quando o tratamento termina", alerta a investigadora e cientista de nutrição em Saúde Pública da Universidade de Oxford, citada pelo serviço público de media britânico BBC. Em conferência de imprensa, Susan Jebb lembra que "cerca de metade das pessoas descontinuam estes medicamentos no prazo de um ano". Estima-se, segundo a Universidade de Oxford, que o uso de injetáveis para emagrecer é mais prevalente nas mulheres, o dobro face aos homens, e que seja mais comum nas pessoas com idades entre os 40 e 50 anos.
Estas conclusões chegam na sequência de uma meta-análise que somou conclusões de mais de nove mil pacientes, distribuídos por 37 estudos sobre a matéria, e que colocaram frente a frente os resultados obtidos com injeções, com dietas convencionais e as que recorrem a outras soluções como comprimidos. Os investigadores alertam para a necessidade de mais análises concretas e lembram que apenas oito dos 37 estudos avaliaram, até um ano após paragem da restrição alimentar, as injeções para emagrecer, pelo que as contas são fruto de estimativas.
Fonte do artigo:
BMJ 2026;392 doi: https://doi.org/10.1136/bmj-
2025-085304 (Published 07 January 2026)
Cite this as: BMJ 2026;392:e085304