12/02/2026
Num reino muito distante, morava numa decrépita choupana um velho sábio que a tudo sabia responder com paciência e sabedoria. Por aquelas terras, não pairavam dúvidas de que não existiria enigma algum que aquele cansado ancião não decifrasse.
Um serelepe menino, curioso e astuto, sempre se intrigou com essa ideia: “ora, haveria de existir algum questionamento que aquele alquebrado homem não soubesse responder”. Então o garoto, do alto de sua infante petulância, passava os dias a arquitetar uma ardilosa indagação para a qual, enfim, o sapiente idoso não trouxesse a solução.
Certo dia, brincando numa ensolarada manhã num aprazível bosque perto de sua casa, o adolescente viu por ali alguns passarinhos pulando de árvore em galhos, num mergulho em suas peraltices. Mais do que depressa, num sobressalto e com um brilho incauto nos olhos, o desafiador moleque imaginou o caminho que, de fato, diluiria toda a sabedoria daquele longevo senhor: “claro, eu deposito um lépido pássaro por entre minhas mãos e interrogo ao velho se a ave entre meus dedos está viva ou morta. Se o sábio disser que está morta, abro minhas mãos e o pequeno animal voará feliz e liberto. Se ao contrário, ele responder que está viva, aperto o frágil corpo daquele ser de p***s entre minhas mãos e apresento ap***s o cadáver do infeliz bicho”.
E assim se fez. Numa clara manhã de um desavergonhado sol, o garoto captura o desafortunado passarinho e vai ao encontro do envelhecido homem. Na sua presença, o insolente menino realiza a engenhosa arguição: “oh, meu caro senhor, o mais sábio de todos os viventes, que tudo sabe e conhece, trago comigo um singelo pássaro aprisionado em minhas mãos. Ele está vivo ou ele está morto?”. Com toda a paciência e sabedoria tão peculiares, o velho sábio mira aquele menino no fundo dos seus olhos e sentencia: “A resposta está nas suas mãos”.
📌 Texto por: Dr. Alexandre de Rezende, Psiquiatra.