28/11/2025
Obsessores ligados à energia do desejo não são castigo de um Deus bravo, nem desculpa para demonizar o corpo ou o prazer. Na visão espiritualista, íncubus e súcubus são espíritos adoecidos, presos a vícios e carências profundas, que aprenderam a sobreviver vampirizando a energia íntima de quem entra em sintonia com eles. Não são monstros de conto antigo, são consciências em sofrimento que se conectam onde encontram feridas abertas.
Íncubus costuma se apresentar no campo mental como figura masculina sedutora. Súcubus, como figura feminina irresistível. Muitas vezes atuam durante o sono, em sonhos de forte teor erótico, em que a pessoa sente como se alguém estivesse com ela de verdade. No auge do prazer, há uma drenagem de fluido vital que deixa o corpo exausto e a alma estranha. Isso não significa que o desejo é errado, mas que existe uma interferência parasita sobre algo que é sagrado.
É importante dizer com carinho e clareza: não se trata de culpar a vítima, nem a orientação afetiva, nem a forma como cada um vive sua vida íntima. O problema não é a intimidade em si, e sim quando ela vira fuga da dor, anestesia de solidão, compulsão que machuca o corpo e o coração. Nesses buracos emocionais e espirituais, obsessores encontram passagem.
Um olhar espiritual maduro entende que equilíbrio interior passa por saúde emocional, autoconhecimento, informação, consentimento e respeito. A prece ajuda, a firmeza de pensamento ajuda, proteção antes de dormir ajuda, mas terapia também ajuda, conversar sem tabu ajuda, aprender a cuidar da própria energia criativa e do próprio desejo com presença e responsabilidade ajuda muito. Não é sobre repressão, é sobre cura e integração.
Íncubus e súcubus não definem quem você é. Eles apenas revelam pontos que pedem limites, amor próprio e reeducação da afetividade. À medida que a pessoa se acolhe, trabalha seus traumas, escolhe relações mais conscientes e aprende a dizer sim e não com serenidade, o campo vibratório muda e esses vampiros espirituais perdem acesso. A intimidade continua sendo sagrada, o corpo continua sendo templo, mas agora com a luz acesa.