19/10/2025
BUSCANDO UM HOMEM
Chamo-me Diógenes. Procuro um Homem.
Escrito com maiúscula, porque com minúscula há muitos.
O mundo está cheio deles; os vejo passar na minha frente, atarefados de cá para lá, na luta diária do seu pão, ou de sua riqueza ou de suas posses.
Esses homens não me interessam.
O que busco com minha lanterna é o Homem Integral: aquele que busca o alimento de sua alma, a Deus. Aquele que se faz perguntas e busca as respostas na boca dos sábios. A quem as palavras honra, sacrifício, dever, representa-lhe algo mais do que um agrupamento de letras em um pergaminho. Aquele que sente a terra que pisa como mãe que nutre, não como um negócio para encher seus cofres. Aquele que vê no rosto dos homens, irmãos que respeita, não obstáculos em seu caminho ou formas só visíveis se forem úteis. Aquele que cumpre a lei porque sua consciência lhe impõe, não porque após o descumprimento vem o castigo.
Aquele que sabe prescindir de tudo, porque lhe basta Deus: eu descia ao porto quando chegavam os barcos carregados de mercadorias, porque gostava de constatar quantas coisas não me eram necessárias.
Diógenes, o Cão. Assim me chamavam. Pobre como um cachorro de rua e como ele necessita somente de um pedaço de pão e um lugar onde dormir. Um lugar silencioso onde possa me retirar para meditar.
Como filósofo que sou, isso é o que mais amo: buscar respostas para as grandes perguntas. Palavras que veio pedir-me um conquistador de mundos como Alexandre. Eu conquisto outras fronteiras: as da sabedoria.
Essa é minha riqueza.
E para transmiti-la, para deixá-la como herança, procuro um HOMEM.
Não se apagará a luz de minha lanterna enquanto o procuro.
Sei que existe.
Quiçá seja você.
Maria Ángeles Fernándes, professora de Nova Acrópole
Pintura: Diógenes de Jean-Léon Gérôme