Psicólogo Afonso W. Roveda

Psicólogo Afonso W. Roveda Psicólogo, especialista em Saúde da Família e mestre em Psicologia Social e Institucional.

Em "Por que a guerra?" Freud responde para Einstein que talvez não haja maneira de evitar que a guerra aconteça. Que o q...
13/05/2024

Em "Por que a guerra?" Freud responde para Einstein que talvez não haja maneira de evitar que a guerra aconteça. Que o que podemos esperar é que através da fala e do diálogo ela possa ser mais rara ou que ela passe a ocorrer num outro campo, menos letal, como o política.

Algo parecido ocorre com os desastres ambientais. Eles não podem ser totalmente evitados, haverão em algum momento as cheias, as secas, as chuvas de granizo, os furacões, os terremotos, as erupções. O que podemos é, com a palavra e com as artes, "re-tratar" o que vivemos e queremos viver, pelo menos de duas maneiras. Retratar, no sentido de criarmos memórias persistentes em nossas vidas e cidades, marcas, que nos lembrem dos perigos de ocupar certas regiões, do que aconteceu, das perdas e das durezas destes momentos. Re-tratar, no sentido de desenhar novos limites, novos pactos urbanos, novos usos possíveis das margens do rio, novos entendimentos de onde f**a a margem do rio e, metas, prazos e planos de transição para locais mais seguros.

Nos atrasamos nesse re-trato pelo menos desde 1941. Parece que tomamos a maior enchente anterior a 2023 como o limite máximo das águas e não como o limite mínimo para as nossas construções. Continuamos desenvolvendo 82 anos de cidade às margens do que já havia visto as águas, em prédios projetados para se verem livres de 1941, mas não de algo maior, de um futuro.

No Japão, pedras ("tsunami kinenhi") são marcadas por pessoas que viveram há séculos com as ondas do mar com a inscrição: "não construir abaixo desse ponto". Esse não é só um alerta, é uma marca viva na cidade e na paisagem, de que um passado existe e que ele pode retornar, pior. nosso passado apagado, negado, tende a retornar em ato. Esse nosso ato, coletivo, na insistência da ocupação urbana em cotas baixas, retorna como catástrofe, e em cada nova negação, tenderá a retornar como nova catástrofe. Contra a catástrofe, retratos com re-tratos.

As três inscrições na pedra dizem o seguinte:

"A tranquilidade das crianças é uma casa construída no alto"
"Lembre-se do desastre da onda gigantesca"
"Não construa casas abaixo deste ponto"

Fotografia: T. Kishimoto, 2011.

O Grupo de Estudos em Freud vai iniciar em março um pequeno caminho para pensar quem/o que é o/um analista e a sua forma...
24/02/2023

O Grupo de Estudos em Freud vai iniciar em março um pequeno caminho para pensar quem/o que é o/um analista e a sua formação. Começaremos por três textos de Freud e depois utilizaremos outros dois autores para amadurecermos a discussão. Para aqueles que tiverem interesse em participar, as inscrições podem ser feitas a partir de mensagem no Instagram ou WhatsApp (51 99673-7001). O primeiro encontro será gratuito.

A partir do dia 24/08 o Grupo de Estudos em Freud vai estar iniciando a leitura e debate do texto Mal-estar na Cultura. ...
01/08/2022

A partir do dia 24/08 o Grupo de Estudos em Freud vai estar iniciando a leitura e debate do texto Mal-estar na Cultura. Obra de peso que, entre outros, discute o mal-estar sentido pelo sujeito ao estar inserido na cultura, ao viver em sociedade e deparar-se com os limites impostos ao seu desejo. Condição da qual poderia escapar?
O grupo está com as inscrições abertas e para participar não é necessário ser psicólogo ou psicanalista, basta o desejo de estudar e discutir a obra. As inscrições podem ser feitas por mensagem no Instagram ou Whatsapp.
Os encontros serão quinzenais, nas quartas-feiras, das 21:00 às 22:30, via Google Meet.
Caso para os participantes seja melhor o sábado à tarde, será pensada esta possibilidade.

Arte: Pieter Bruegel, the Elder.

O Café com Freud  #029 vem pensar o que em cada um dos nossos dias pode ser pensado como uma loucura, não no sentido pat...
18/07/2022

O Café com Freud #029 vem pensar o que em cada um dos nossos dias pode ser pensado como uma loucura, não no sentido patológico (do louco no senso comum), mas no sentido daquilo que fazemos individual ou coletivamente e que não faz sentido ser feito, que é um descabido, um desmedido, uma insensatez.

Um exemplo dessa loucura é dada por Marcelo Veras, com a história de uma paciente sua que acreditava ser Dona de Casa. Ela havia sido dona de casa durante muitos anos, como foram tantas mulheres, mas acreditava que ela não era “uma mulher que é dona de casa”, mas que a vida dela se resumia a ser “Dona de Casa”, como que uma essência e uma verdade sobre ela. Ela entrou em crise quando, na velhice, a família pensou que deveriam contratar uma outra pessoa para fazer os afazeres da casa. Essa senhora perdeu o lugar que acreditava ser o seu, entrou em sofrimento e foi levada até o hospital psiquiátrico.

Essa história ilustra o quanto podemos estar identif**ados (colados) a um lugar e a uma personagem que foi construída, individual e/ou coletivamente, e que quando somos deslocados desse lugar, adoecemos, achando que perdemos aquilo que éramos. Sendo essa uma das nossas loucuras. A repetição de algumas normas do nosso passado, esquecendo que elas não são o que somos, mas apenas uma das possibilidade de sermos.

Para quem quiser ouvir o programa completo com mais sobre essa reflexão, é só acessar o link no perfil para o site da SoundCloud que tem a playlist dos programas. O Café com Freud vai ao ar a cada 15 dias, nas quintas-feiras, às 13:30, na UnivatesFM.

Fotografia de André Kertész

O Café com Freud  #027 discute sobre duas contribuições da psicanálise para a atuação dos profissionais psis e não-psis ...
20/06/2022

O Café com Freud #027 discute sobre duas contribuições da psicanálise para a atuação dos profissionais psis e não-psis no SUS.
A partir da escuta do “caso a caso”, da singularidade, da particularidade do que cada pessoa traz para o atendimento, a psicanálise contribui para um cuidado que não é o “biomédico” tradicional, aquele que tivemos na história do “SUS” desde a década de 1920. O modelo biomédico olha para o sujeito através de uma ideia de que saúde e doença dizem respeito apenas àquelas doenças marcadas no corpo biológico. Esse modelo não considera que a saúde também está naquilo que não é encontrado nas células, isso é, o sofrimento psíquico, as desigualdades econômicas, os problemas sociais, o acesso à educação, trabalho, transporte, etc.
Quando escutamos o caso a caso, não estamos desconsiderando os avanços de uma “medicina de massa”, baseadas nas doenças descobertas e descritas, mas estamos dando ênfase ao que a pessoa considera ser relevante para sua vida, não somos nós que definiremos o que é prioridade no cuidado de alguém que chega para atendimento, mas é a pessoa que vai poder dizer, dentro daquilo que tem desejo ou urgência de trabalhar, o caminho que iremos tomar.
Essa discussão, com um histórico do SUS e uma consideração sobre o conceito de Transferência, segue no programa, que pode ser acessado pelo SoundCloud. O link para o acesso está no perfil.
O Café com Freud acontece a cada duas semanas, nas quintas-feiras, às 13:30, na 95.1 FM.

O Café  #020 tem como objetivo pensar como o nosso entendimento sobre a vida, o universo e os outros pode ser um reflexo...
30/05/2022

O Café #020 tem como objetivo pensar como o nosso entendimento sobre a vida, o universo e os outros pode ser um reflexo do modo como nós mesmos somos, como nos enxergamos e como nos pensamos.

Quando nos perguntamos sobre o sentido das coisas, a origem da vida, do universo, da existência de regras que regem o futuro e sobre leis da física, nos perguntamos sobre o “enigma” que temos que decifrar para ter acesso a esse conhecimento. O enigma não é a única forma de nos relacionarmos com o saber, sendo que também poderíamos pensar acerca do “mistério” de algo.

O mistério fala de algo que até pode ter uma regra de funcionamento, mas que nunca poderemos acessar o saber sobre ela, por exemplo: havendo um Deus, poderíamos entender como ele funciona e pensa ou ele simplesmente seria complexo demais para nós?

Esse modo de nos perguntarmos as coisas, como um enigma a ser decifrado ou como um mistério a ser incompreendido e vivido, diz, também, de como vemos a nós mesmos. Podemos nos ver como uma máquina e um labirinto que pode ser mapeado e depois manipulado (é o que alguns acreditam que poderá ocorrer a partir das pesquisas envolvendo o DNA e os genes), que a razão poderá ser a dominadora da nossa matéria e dos nossos instintos. Outros pensam que há algo em nós que deve ser aceito, contemplado, cultivado, mas que faz parte de um não-sabido, que até pode ser alimentado, mas nunca compreendido.

Essas visões sobre nós podem nos fazer exigir e achar certo cobrar que as pessoas possam ser extremamente produtivas, o tempo inteiro, porquê, afinal, é possível dominarmos a nós mesmos e que quando não conseguimos isso, é por uma falha pessoal. De outro lado, em uma postura de aceitar algo como mistério, que não pode ser compreendido, podemos acabar com uma postura que toma as coisas como imutáveis, achando que certos sofrimentos fazem parte do viver e serão sempre assim.

Além de um pensamento que pensa que é possível dominar a vida e outro que naturaliza certas questões, outras formas, não só através da psicanálise, são possíveis de serem construídas.

A discussão continua no SoundCloud do Café com Freud, joga no Google que ele acha para você.

Pintura de Caravaggio – Narciso

O Café  #021 teve como uma de suas reflexões o lugar que a felicidade, enquanto objetivo de vida, ocupa em nossa cultura...
19/04/2022

O Café #021 teve como uma de suas reflexões o lugar que a felicidade, enquanto objetivo de vida, ocupa em nossa cultura. Não é desde sempre que a felicidade é entendida como um sinal de que a vida de uma pessoa está bem e no “caminho certo”. Essa é uma ideia bem recente, que ganhou força a partir dos anos de 1950 e que nós incorporamos sem nos darmos conta. Claro, a maioria de nós já nasceu dentro desse novo ideal de época.

E, já que nem sempre esse foi o lugar da felicidade, nós podemos nos perguntar sobre o que havia antes para “avaliarmos” a nossa vida, se estávamos vivendo “bem”, e também, qual seria o impacto de ter a felicidade como meta de vida. Seria uma boa meta?

Antes da centralidade da felicidade, tinha prioridade um entendimento de que “devíamos” fazer e ser algumas coisas e não que “poderíamos escolher” o caminho de nossa vida. Esse “dever” signif**ava que antes do desejo próprio, deveríamos satisfazer uma expectativa social sobre nós, e que ser uma boa pessoa, um bom cidadão, também estava atrelado ao cumprimento dessa expectativa.

Após 1950, cada vez mais recaiu sobre a própria pessoa a “escolha” do rumo da sua vida (trabalho, relacionamentos, educação…). Ganhamos essa liberdade, mas também a responsabilidade de que se algo não desse certo e se não estivéssemos satisfeitos, isso seria “culpa” nossa. O sujeito deveria ser capaz de dar conta da vida.

O preço de uma vida orientada para a maior felicidade possível, inclui uma mudança em como nós nos organizamos e relacionamos em sociedade, não mais tanto pelos laços de compromisso/dever e mais pelo “essa pessoa/coisa vai me deixar mais feliz/dar prazer?”. Porém, quando a felicidade não aparece, entra em crise aquilo que a pessoa conseguiu alcançar e realizar, pois elas não valem como coisa em si, apenas como meios para uma felicidade e prazer, que são sempre passageiros, efêmeros.

Fotografia de Tim Barber: New Blues - Cyanotype series 2

O Café ( #022) dessa semana tem como centro de reflexão os efeitos que são gerados quando esquecemos da nossa história, ...
30/03/2022

O Café ( #022) dessa semana tem como centro de reflexão os efeitos que são gerados quando esquecemos da nossa história, a história de nossa sociedade. Freud já percebia que aquilo que não podemos recordar, tende a se repetir, e isso não somente no âmbito individual, mas também no coletivo. O diagnóstico chamado de Borderline, mas que também pode ganhar o nome de "estado limite", dentro da psicanálise, traz para a discussão uma maneira peculiar de lidarmos com a realidade que é a de "negar a negação". Isso é: se na neurose há o recalque, a repressão daquilo que não desejamos lembrar, no estado limite fazemos a operação de apagar os traços de que algo foi apagado e escondido. 
Essa operação podemos encontrar na Alemanha nazista, na Shoah, quando os soldados alemães obrigavam os judeus a destruirem os vestígios da existência dos campos de concentração. Vemos isso no longo documentário de Claude Lanzmann, Shoah, no qual ele coleta o relato de sobreviventes que lhe contam como, na iminência de perderem a guerra, o comando alemão decidiu realizar uma queima de arquivo. Os campos de concentração que tinham a função de produzir a morte, foram organizados para produzir uma segunda morte, a do esquecimento. Os judeus eram obrigados a retirarem os mortos de suas covas para destruírem os vestígios de que eles mesmos ali estiveram e do que ali ocorreu.
O nazismo como acontecimento localizado no tempo e espaço (apesar de vermos ramif**ações desse movimento ainda hoje), pode nos parecer algo encerrado, que agora serve de objeto para a História, enquanto campo de investigação para estudar e nos informar sobre. Quase como que um processo arqueológico de algo que existiu no passado, uma escavação "de dinossauros".
Porém, o estado limite nos aponta para o "apagamento do apagamento" que existe no nosso tempo. Como que nós podemos ainda insistir em negar o que negamos? Como poderíamos ser responsáveis pela manutenção de violências históricas das quais ainda não falamos? Como poderíamos ser responsáveis pela mudança das justiças que nossa sociedade pode oferecer?

Foto de Emídio Luisi retratando Kazuo Ohno.

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Lajeado, RS
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